Paul Booth: "Sepultura me introduziu ao futebol"

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Por Carlos Almeida, Fonte: Headbanger
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O renomado tatuador Paul Booth começou recentemente uma coluna no Headbanger’s Blog da MTV chamada Thrashin’ Ink. Nela, Booth relata sobre suas numerosas turnês, e trabalhos realizados durante vários anos com figuras da cena roqueira mundial. Acompanhe uma de suas colunas, onde ele narra suas aventuras ao visitar um estádio de futebol no Brasil.

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Cerca de seis anos atrás, o baterista do SEPULTURA Igor Cavalera me convidou para ir até São Paulo, no Brasil, para fazer uma participação como convidado em uma nova loja de roupas que ele estava inaugurando. Eu já tatuei em muitos lugares e então pensei, mas que diabos, por que não em uma loja de roupas também?

Ele reservou bastante espaço para mim, eu tatuei pra caramba enquanto estava lá e me diverti bastante. Eu já conhecia o Igor há algum tempo antes disso, mas essa foi a primeira vez que eu fiz isso na área dele. Eu trabalhei duro, mas ainda houve bastante tempo para diversão e me faltam palavras para falar sobre o churrasco brasileiro. Agora, um lugar que você não iria querer levar um cara gordo é numa churrascaria onde você pode comer à vontade cheia de todo tipo de carne exótica que você puder imaginar (Nota do tradutor: obviamente Paul se refere às churrascarias de rodízio). Tão legal quanto isso, a melhor parte da viagem foi ir a um jogo de futebol com Igor.

Eu não sou um cara muito ligado em esportes — por alguma razão, eu nunca realmente me interessei pela coisa toda — mas essa foi uma experiência sem igual. Para as pessoas no Brasil, o futebol é como uma religião. Igor tinha me avisado que eu provavelmente iria à loucura, mas eu não tinha nenhuma idéia do que esperar. Nós fomos cedo e paramos um pouco num café perto do estádio, onde as coisas foram progressivamente ficando mais loucas. As pessoas estavam marchando pelas ruas, cantando algum tipo de "mantra" louco de futebol em português, como se eles estivessem marchando para a guerra. Num certo ponto, eu me virei e vi um ônibus passando, abrindo caminho no meio da multidão. Eu acho que isso não seria grande coisa, a não ser pelo fato do ônibus ter capacidade para umas 50 pessoas, mas estava carregando uns 150 malucos. Eles estavam sentados na parte de cima, no capô, pendurados pelo lado de fora das janelas, e estavam todos gritando aquele mesmo "mantra". Com todos os corpos apertados juntos, aquilo me pareceu um Chia Pet humano gigante (cha-cha-chia!) (Nota do trad: Chia Pet são bonecos de animais esculpidos no barro, no qual a pelagem é formada pelo crescimento de uma planta. Fez sucesso no começo dos anos 80).

Nós passamos através da multidão para chegar ao estádio onde fomos completamente revistados por uma porrada de policiais com metralhadoras. Então, nós fomos para os nossos lugares. Igor me trouxe para o que, aparentemente, era a parte mais branda do estádio onde eu poderia ver o comportamento psicopata ao invés de ser parte disso. Eu sou um cara bem sossegado e fiquei grato por isso. Eu acho que sou apenas uma espécie diferente de maluco.

Agora, o Igor é uma grande celebridade por lá, e não levou muito tempo para as câmeras nos acharem. Foi meio estranho ter duas delas grudadas na minha cara o jogo inteiro. Me deixou perplexo o estranho o fato deles estarem interessados no único cara branco por lá. Eu quero dizer, todo mundo no estádio estava pulando e gritando como um louco o jogo inteiro, e — eu sendo o tipo de cara mais calmo — parecia que estava sentando assistindo um filme. A única coisa que eu tinha certeza era que eu deveria torcer pelos caras de verde. Eu acho que eles estranharam o fato de eu ser tão reservado. Eu me lembro que havia uma parte separada para os torcedores do time adversário, e eles estavam próximos de um setor cheio de policiais que estavam lá para impedir que as duas torcidas de matassem. Esqueça a excitação do jogo em si, eu consegui ver as pessoas pulando as grades e tomando uma baita surra. Isso sim é entretenimento. Há algo sobre violência fortuita que realmente aquece o meu coração negro. Vai, time!"

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