Peter Criss: "poder e dinheiro são assustadores"
Por Thiago Coutinho
Fonte: Herald Tribune
Postado em 30 de julho de 2007
Rod Harmon, do periódico HeraldTribune.com, conduziu recentemente uma entrevista com o ex-baterista do KISS Peter Criss a respeito de sua última passagem pelo grupo, seu novo álbum solo — intitulado "One For All", lançado na terça-feira passada, 24 de julho — entre outros assuntos.
HeraldTribune.com — Sua última experiência com gravações foi em "Psycho Circus", em 1998, ainda com o KISS, repleta de confrontos, em que você e Ace [Frehley, guitarrista] tiveram uma participação ínfima. Acredito que desta vez tenha sido algo mais refrescante para você.
Peter Criss — "Muito. O ‘Psycho Circus’ foi um outro exemplo da história se repetindo novamente. Poder e dinheiro são duas coisas assustadoras. Quando você entra nelas — e eu entrei, abusei, usei como todos nós fazemos — isso tudo aconteceu. O produtor Bruce Fairbairn morreu, Deus abençoe sua alma, depois daquele álbum. Mas o que mais me incomodou, e tenho certeza que incomodou os fãs também, é que tratava-se de um momento mágico para a banda, estar nela novamente, fazer um álbum... há canções neste álbum [N. do T.: refere-se ao seu novo trabalho] que foram escritas para aquele disco. Escrevi ‘Hope’ e ‘Justice For All’ para aquele trabalho".
HeraldTribune.com — Nos velhos tempos, eles escolheriam pelo menos uma música sua para cada um dos trabalhos do Kiss. Por que isso não aconteceu com "Psycho Circus"?
Criss — "Isso machucou pra valer, cara. Muitas mudanças aconteceram. Sim, você está certo, se fosse tudo seria bem legal. Mas não rolou isso desta vez, percebi tudo e disse: ‘Ok, bem, apenas rezo para Deus um dia poder gravá-las’".
HeraldTribune.com — Já que estamos falando do KISS e todos os turbilhões de eventos que resultaram nas separações, o que de fato aconteceu? Você os deixou durante a "Farewell Tour", voltou para o projeto da Sinfonia de Melbourne (que acabou resultando no álbum "Symphony: Alive IV", de 2003), foi para a turnê com o AEROSMITH, em 2004 e, então, saiu novamente.
Criss — "Vamos colocar as coisas desse jeito: pensei que o Ace estaria na turnê com o AEROSMITH, mas ele não estava. Então, disse para minha mulher e meus amigos que sem o Ace essa não era a banda original e desse jeito eu não farei as coisas".
HeraldTribune.com — Como é olhar para alguém que se veste como o Ace, usa a maquiagem que era do Ace, toca as notas de Ace, mas não é ele?
Criss — "Absolutamente assustador. Algumas noites eu me perdia tanto no excitamento das pessoas e na música que quase chegava a pensar que era o Ace. Você olha lá por um milésimo de segundo e lá está ele. O cara o copia em tudo e muito bem, nota por nota, era quase como o Ace. E então isso começou a me atingir e você fica como: ‘Nossa, isso é bem assustador’. Mas era nos camarins que você realmente sentia a diferença. E era uma merda, uma merda mesmo".
HeraldTribune.com — E o que você acha do atual baterista do KISS, Eric Singer, vestir a sua máscara?
Criss — "Não dou a mínima. Eu até me importei por um tempo, então pensei que você pode colocar um milhão de pessoas naquela máscara, mas não serei eu. Não será minha alma. E não será minha voz e meu coração e qualquer coisa que venha do meu coração passará pelas minhas mãos. Vem da minha música".
HeraldTribune.com — Falando sobre seu novo álbum, por que você decidiu concentrar-se mais nas baladas?
Criss — "Porque não queria ficar berrando pra vocês. Acho que meu grande objetivo eram as baladas, então me concentrei nessa teoria. Acho que as pessoas adoram o jeito que canto músicas lentas. Posso estar errado. E, além do mais, como é um trabalho autobiográfico, achei que deveria ser cantado deste jeito".
HeraldTribune.com — Voltando ao novo álbum, há uma faixa chamada "Space Ace" que vocês compôs para Ace Frehley. Vocês ainda são amigos?
Criss — "Sim, e sempre seremos. Somos inseparáveis não importa o que aconteça, somos almas gêmeas. E espero que ele goste dessa música. Ele achou legal quando eu a fiz. Ela fecha o álbum, caminha para uma jam latina selvagem. Como isso aconteceu nunca saberei, mas com o Ace isso tudo é possível. Você pode fazer o que quiser com o Ace, ele é uma espécie de alienígena. A faixa-título, ‘One for All’, fala sobre os atentados de 11 de setembro. Eu tinha ido à igreja e quando cheguei em casa, minha esposa disse que um avião havia batido nas torres. Eu pensei: ‘Bem, provavelmente foi um daqueles pequenos aviões’. E quando vi aqueles dois aviões enormes, foi muito surreal, parecia que eu estava assistindo a um filme de terror. Essa é uma música que fala sobre o quão ruim é a guerra, e ela deve parar. A música é como se fosse um cara abrindo a boca sobre o sistema".
Para ler a entrevista na íntegra, clique aqui.
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