Marilyn Manson: "confortável em parecer louco"
Por Flávio Monteiro
Fonte: Blabbermouth
Postado em 09 de junho de 2007
Andrew Williams, da Metro.co.uk, conduziu recentemente uma entrevista com MARYLIN MANSON.
Metro.co.uk: O que inspirou o seu novo álbum?
Manson: "Ele foi feito em um ponto de mudança em minha vida. Era esperado que eu mudasse muitas coisas sobre mim mesmo em meu casamento e eu comecei a pensar que as coisas que faziam eu ser quem sou eram as imperfeições. Comecei a me separar do que eu faço, mas sempre acreditei que um artista não é tão importante quanto aquilo que cria. O álbum começou com uma canção chamada 'Just A Car Crash Away' e a partir disso eu acabei querendo fazer música novamente e não desistir da vida. Isso é sobre aceitar que um romance acabou - não se lamentar por isso - e também seduzir um novo romance para que ele exista".
Marilyn Manson - Mais Novidades
Metro.co.uk: Você teve uma crise de identidade?
Manson: "Estou fazendo um filme baseado na história de vida de Lewis Carroll e me identifiquei muito com ele porque eu queria escrever uma estória sobre uma personalidade fragmentada como 'O Médico e o Monstro', que eu acho que é o assunto de 'Alice no País das Maravilhas' - é sobre alguém que não sabe quem é ou quem deve ser. Era isso e as idéias vampirescas e canibais que existem em toda ficção e religião - se você não tem nada pelo que viver você tem uma perspectiva diferente da morte. Eu não quero morrer agora, sendo que antes eu não tinha desejo de viver. Pra mim o romance deve ser sem medo e temerário e tipo 'Bonnie And Clyde' ou 'True Romance' - eu tive de aceitar coisas sobre a minha personalidade que pareciam óbvias demais antes. Sou obviamente uma pessoa notívaga, alguém à beira da caricatura, o que eu sempre evitei antes. Depois que senti que eu estava no meu caminho pra fazer música de novo eu me senti mais desafiado a assumir o que poderiam ser considerados conceitos clichês e refazê-los. Muitos temas no álbum são exemplos do que a boa música tem sido feita, mas eu pensei que era hora de dar a minha versão deles".
Metro.co.uk: Ser considerado uma caricatura era algo que te incomodava?
Manson: "Era o combustível para grande parte da minha inspiração para fazer música. Eu sentia a necessidade de me mostrar como artista dizendo que eles estavam errados no jeito que me viam e eu me sentia obrigado mais a explicar a mim mesmo do que a ser o que sou. Acho que a minha música se tornou uma armadura em oposição a dizer o que eu sinto, da maneira que você diria em um diário. Agora não estou preocupado em me explicar de forma alguma. É libertador que esse álbum tenha sido a última ligação telefônica antes da situação da cadeira elétrica que você veria em um filme. Foi aquele momento dramático. Eu escrevi a canção pra ver se obteria resposta de uma pessoa e se poderia criar uma emoção pra sentir que eu tinha uma razão pra viver. Salvou-me nesse sentido. Não me importo que soe dramático porque sei que é verdade".
Metro.co.uk: Você estava pensando em não voltar à música?
Manson: "Eu estava me convencendo de que não queria fazer música - comecei a associá-la com algo vazio. Isso veio com o território de meu casamento no qual se esperava que eu consertasse coisas sobre mim mesmo que eu não percebia que a outra pessoa considerava como imperfeições. Eu não sabia quem eu deveria ser. No final das contas percebi que eu queria fazer um disco que eu poderia escutar e que faria com que eu me sentisse de determinada forma. Eu nunca tinha ouvido a minha música antes porque era um processo muito longo fazê-la, parecia algo desnecessário".
Metro.co.uk: Por que você fez um vídeo tão explícito com a sua nova namorada?
Manson: "Estou confortável em ser tão louco ou descontrolado quanto qualquer um gosta de pensar que eu sou porque isso cai bem em mim. Ao conhecer Evan Rachel Wood, que é minha namorada agora, não esperávamos ter nada em comum até simplesmente nos tornarmos amigos. Eu percebi que além do fato de eu ser claramente o imaturo no relacionamento, ela é minha gêmea de muitas formas e sua personalidade reflete muitas coisas que eu sentia que eu não deveria ser. Foi nesse ponto que eu percebi que toda a esperança não tinha acabado. Fui feliz o bastante para perceber isso sem um momento de clareza que envolveria religião ou sobriedade ou flores e cãezinhos. Trazer o fogo do inferno e o diabo de volta em minha vida - como ela deveria ser - foi o que me fez lembrar que sou perfeitamente capaz de existir em um inferno de minha própria criação".
Leia a entrevista na íntegra no metro.co.uk.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O rockstar dos anos 1980 que James Hetfield odeia: "Falso e pretensioso, pose de astro"
O maior cantor de todos os tempos, segundo o saudoso Chris Cornell
Os três personagens de uma canção de Dio: "um rapaz jovem gay, uma garota abusada e eu"
A história de incesto entre mãe e filho que deu origem ao maior sucesso de banda grunge
Bruce Dickinson grava novo álbum solo em estúdio de Dave Grohl
As cinco bandas de rock favoritas de Jimi Hendrix; "Esse é o melhor grupo do mundo"
As bandas "pesadas" dos anos 80 que James Hetfield não suportava ouvir
Produtor descreve "inferno" que viveu ao trabalhar com os Rolling Stones
Foto junta Slash, Duff e Sharon Osbourne, e puxa o fio do tributo a Ozzy no Grammy 2026
Os 15 discos favoritos de Bruce Dickinson, vocalista do Iron Maiden
Mike Portnoy admite não conseguir executar algumas técnicas de Mike Mangini
Birmingham, Ozzy Osbourne e o heavy metal que a cidade ainda reluta em assumir
Dave Mustaine afirma que Marty Friedman é incrivelmente talentoso, mas muito misterioso
TNT cancela compromissos devido a "séria condição médica" do guitarrista Ronni Le Tekrø
O guitarrista americano que sozinho ofuscou todos os britânicos, segundo Carlos Santana
Nirvana: quem é o bebê da capa de Nevermind?
Corey Taylor confirma a fala de Rafael Bittencourt sobre o Sepultura e o Slipknot
O temor que Chacrinha tinha com os roqueiros que os sertanejos é que acabaram fazendo


Guitarrista Tyler Bates deixa a banda de Marilyn Manson
O clássico dançante e sombrio que ganhou uma versão rock and roll perturbadora
Cradle Of Filth: o lado negro do vocalista Dani Filth
Bob Daisley: baixista dá detalhes de sua briga com Osbourne



