Doomsday Ceremony - Metal na contramão das tendências atuais

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Por Ben Ami Scopinho
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O Doomsday Ceremony vem do Paraná e está demonstrando muita garra no cenário Black Metal brasileiro. “Apocaliptic Ceremony” é o fruto de seu trabalho, trazendo nove faixas empolgantes e que vão à contramão das bandas atualmente em evidência e que fazem uso de vozes femininas, elementos sinfônicos, etc. A proposta aqui é apresentar todo o feeling do metal oitentista, certo clima pagão e ótimas linhas vocais ríspidas. O resultado é excelente e deverá agradar aos apreciadores de vários dos subgêneros do Heavy Metal.

Esta horda conta com Moloch (voz), Ciriato (guitarra), Niederauer (baixo) e Thor (bateria), além do novo guitarrista Andras. Conversamos por e-mail com Ciriato, onde podemos conhecer um pouco mais sobre a história do Doomsday Ceremony.

Whiplash! - O Doomsday Ceremony está na ativa desde 2000. Como foram os primeiros anos da banda?

Ciriato - Saudações a todos! No início do Doomsday Ceremony eu ainda não fazia parte da banda, mas conhecia alguns dos membros. A proposta que eles apresentavam era outra, um Heavy/Doom Metal. Mas já havia alguns pensamentos de mudanças, tanto que foi por este motivo que a banda teve um cisma e se desfragmentou, e foi assim que acabei entrando no Doomsday Ceremony. Nessa época foi lançada uma demo com duas músicas, que foram novamente regravadas e estão em nosso CD “Apocaliptic Celebration”, já com uma outra postura.

Whiplash! - Com a sua entrada, a de Moloch (voz) e Niederauer (baixo), o Doomsday Ceremony adota uma linha mais voltada ao Black Metal, inclusive fazendo uso do corpse paint. Como foi esta transição e como você identificaria sua música atualmente?

Ciriato - Estas mudanças se deram pelo fato de que alguns membros da banda já estavam seguindo para um lado mais obscuro, e eu e o Moloch já vínhamos de uma horda de Black Metal chamada Caifaz, que foi formada em meados de 93, e assim trouxemos nossas influências para o Doomsday Ceremony. Hoje acredito que nossa identidade é sim Black Metal, em uma linha mais oitentista mesclada com o Black Metal do início dos anos 90.

Whiplash! - Considero “Apocaliptic Ceremony” um dos discos de Black Metal mais interessantes que escutei nos últimos tempos feito por um conjunto brasileiro. Como é o processo de composição?

Ciriato - O Doomsday Ceremony é uma horda onde cada um tem a sua idéia, e é unindo estes pensamentos que formamos as nossas composições.

Whiplash! - Percebe-se grande preocupação com o feeling e em tornar suas canções variadas, e estes objetivos são com certeza atingidos. Mas as vozes e refrãos se superam, em muitos casos são verdadeiros brados de guerra. Quem cuida desta parte específica?

Ciriato - Esta parte é mais voltada para nosso vocalista Moloch, mas também há a participação de outros membros da horda. Como disse, trabalhamos juntos.


Whiplash! - O tecladista convidado Nathaivel, do Insane Devotion, fez um ótimo trabalho com seus teclados em “Apocaliptic Celebration”, seja quando aparece ao fundo ou com mais destaque, passando ao ouvinte todo um clima épico, de tempos realmente antigos. Não há chances de ele ser membro real da banda?

Ciriato - Infelizmente não há esta possibilidade porque Nathaivel tem outros projetos para sua vida, e na verdade foi só uma participação mesmo.

Whiplash! - Parece-me que as gravações foram demoradas, mas o resultado final ficou muito bom, todos os instrumentos aparecem em seu lugar e perfeitamente audíveis. Como foi o processo de gravação, quem cuidou desta parte?

Ciriato - Realmente foi demorado, acho que isso é até normal, não é fácil deixar tudo em ordem. Esta parte foi uma das que cuidei, tanto pelo fato que fui eu quem mais participou da finalização do trabalho como mixagem e masterização.

Whiplash! - Creio que esta demora compensou. E como tem sido a recepção deste disco por parte do público? Algum selo demonstrou interesse em sua arte, algo que possa trazer uma boa divulgação ao Doomsday Ceremony?

Ciriato - O público tem recebido muito bem o nosso material, foram muitas críticas boas tanto por parte do público como dos webzines e até de selos, mas até agora não recebemos uma boa proposta. Tem muito ainda para ser analisado, mas se acontecer alguma parceria estaremos divulgando em nosso site.

Whiplash! - Para muitos headbangers, Black Metal é sinônimo de satanismo, mas creio que esta é uma visão por demais simplista. Este estilo surgiu há mais de vinte anos e desde então, com o aparecimento de novos conjuntos, houve uma expansão musical, lírica e até mesmo visual, com bandas enfocando a não-religião, guerras, erotismo, naturalmente o próprio satanismo, etc. Onde o Doomsday Ceremony se enquadra liricamente?

Ciriato - O Black Metal surgiu nos anos 80 com bandas como Venom, e com o passar dos tempos houve muitas mudanças, a questão do Satanismo sempre acompanhou esse estilo, e acredito que será assim por muito tempo. Mas também não acredito que seja só isso, hoje somos um movimento que está muito grande e que conquistou o seu espaço no underground, que prega anti-cristianismo, paganismo, entre outras idéias nesse sentido. O Doomsday Ceremony se encaixa nesses pontos, no lado obscuro, tendo o Satanismo como uma forma de crítica ao Cristianismo e suas mentiras, assim como a liberdade em relação às crenças que prendem os seres humanos, como pecados, etc.

Whiplash! - Achei excelente a iniciativa de vocês organizarem seu próprio festival, o "Doomsday Ceremony Fest", algo que deve servir de exemplo. Como foi isso? Que bandas tocaram com vocês?

Ciriato - Já estamos na sétima edição, foram muitas bandas de ótima qualidade que passaram por estes festivais, tanto nacionais quanto estrangeiras, mas os festivais mais importantes acabaram sendo os que tiveram bandas como Dark Funeral, Averse Sefira e Iconoclasm. Tocamos também com o Therion, mas este não foi organizado pelo Doomsday Ceremony.

Whiplash! - Por que o guitarrista Poyoka decidiu deixar a banda? E como foi a entrada de seu substituto?

Ciriato - Ele deixou a banda por motivos pessoais, falta de disponibilidade para as responsabilidades que o Doomsday Ceremony necessitava, foi assim que achamos o novo guitarrista Andras, que já tinha participado da banda há algum tempo atrás e que veio para engrandecer e fortalecer o Doomsday Ceremony.

Whiplash! - E os planos para 2006, agenda de apresentações?

Ciriato - Os shows estão surgindo, o primeiro será no dia 8 de abril em Dona Emma (SC), um grande festival que se chama ”Bob Rock Festival”. Daí teremos um dia 13 de Maio em Brusque (SC), e mais alguns que estamos agendando para região de São Paulo, logo estará tudo em nosso site.

Whiplash! - Ok Ciriato! Agradeço-lhe pela entrevista e lhes desejo muita inspiração para suas próximas canções. O espaço é teu, fique a vontade para soltar o verbo.

Ciriato - Agradeço ao Whiplash! e a você, Ben Ami Scopinho, que nos proporcionou esta entrevista, e também a todos os leitores. Gostaria também de convidar a todos que não nunca ouviram o Doomsday Ceremony a conhecerem nosso trabalho, que está disponível em nosso site www.doomsdayceremony.com. Um grande abraço a todos, Ciriato e Doomsday Ceremony.

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Sobre Ben Ami Scopinho

Ben Ami é paulistano, porém reside em Florianópolis (SC) desde o início dos anos 1990, onde passou a trabalhar como técnico gráfico e ilustrador. Desde a década anterior, adolescente ainda, já vinha acompanhando o desenvolvimento do Heavy Metal e Hard Rock, e sua paixão pelos discos permitiu que passasse a colaborar com o Whiplash! a partir de 2004 com resenhas, entrevistas e na coluna "Hard Rock - Aqueles que ficaram para trás".

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