Eterna: A banda comenta a carreira e o novo álbum

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Por Maurício Gomes Angelo

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Explanar a história do Eterna é trabalho desnecessário. Reconhecidamente uma das maiores bandas de metal do Brasil e com o recém lançado álbum Epiphany no currículo, já elevado ao posto de clássico do metal brasileiro. Foi para falar sobre os pormenores deste trabalho, de assuntos internos e do futuro da banda que conversamos com Jason Freitas, Paulo Frade e Leandro Caçoilo. Aproveite esta "mini-coletiva" e boa leitura!

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Whiplash! – Saudações pessoal. Creio que ninguém aqui está afim de olhar para os problemas do passado, portanto vamos falar somente sobre o que vem acontecendo (de bom) com a banda ultimamente. Um dos grandes contributos para o sucesso de Epiphany, é a sua produção, responsabilidade de Ricardo Nagata do conhecido estúdio Creative Sound. Que diferenças vocês podem nos apontar entre essa produção e as anteriores? Que peculiaridades do produtor contribuíram para o resultado final?

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Jason Freitas / O Nagata já havia trabalhado em outras gravações junto ao Eterna, mas até então, apenas como técnico de som. Assim que terminamos a pré-produção do disco, levamos o material para que ele escutasse e nos direcionasse com algumas opiniões. Quando começamos a gravar o disco, decidimos que ele seria o produtor, devido a já conhecer o som da banda, o material, ter afinidade conosco, ser um grande profissional e saber exatamente o que queríamos.

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Whiplash! – A estréia de Paulo Henrique na bateria é fantástica! O Eterna não perdeu em nada a técnica e potência que tinha anteriormente. Onde o encontraram e como foi a sua integração com o grupo? Ele já está familiarizado perfeitamente com o repertório da banda?

Jason Freitas / Eu já conhecia o Paulo Henrique há alguns anos, e quando a antiga banda dele veio a São Paulo para participar de um festival em que o Eterna também estava tocando, todos nós constatamos seu grande potencial técnico. Depois que ficamos sem baterista, contatamos algumas pessoas, inclusive o próprio Paulo Henrique, realizamos os testes, e ele acabou sendo o que melhor se encaixou no perfil do Eterna. O Paulo Henrique é um cara perfeccionista e muito exigente consigo mesmo, e isso tem sido muito bom, o nível das apresentações ao vivo tem ficado cada vez melhor.

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Whiplash! – O que a capa de Epiphany representa? Que idéia procuraram passar com ela? Se não me engano o Paulo Frade também andou trabalhando com outras bandas, como o Oraculo. Ele pretende levar adiante essa carreira de desenhista á exemplo do que faz o Marcus Ravelli, vocalista e artista oficial do Thespian?

Jason Freitas / Na verdade, o Paulo Frade é ilustrador profissional. Ele também trabalhou com HQ, e foi o responsável por quatro das cinco capas do Eterna. Quanto à capa do Epiphany, é uma alusão a descida de Jesus até a "Mansão dos Mortos", termo usado para designar o purgatório e o limbo.

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Whiplash! – Vocês mantém a parceria com a Scarlet/Encore Records para o lançamento de Epiphany no exterior? Ele foi lançado na Europa? Como vem sendo a repercussão mundial?

Paulo Frade / Não pertencemos mais ao selo Encore Records, o Epiphany foi lançado pela MV8, que já está negociando o Epiphany com gravadoras do exterior.

Whiplash! - Toda banda, ao fim de um trabalho, consideram (ou preferem acreditar) que este é o melhor trabalho de sua carreira. Havia esse sentimento quanto ao fim da produção de Epiphany? Vocês concordam com a opinião geral de que este é o melhor álbum da história do Eterna?

Paulo Frade / Sim! As notas em reviews têm sido as melhores já alcançadas pelo Eterna com o lançamento de um álbum. Já havíamos tirado nota 9.0, 9.5, com discos anteriores, mas nunca um 10 como no Epiphany. Quando terminamos a pré-produção, já sabíamos que o Epiphany seria nosso melhor trabalho. Estávamos muito confiantes e entusiasmados, e graças a Deus o resultado foi o que esperávamos.

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Whiplash! – É visível no álbum a tentativa de escapar de todos os clichês conhecidos do power metal, injetando grandes doses de elementos progressivos e do hard rock (especialmente nas composições finais), além de grande variação instrumental e arranjos bem trabalhados, com várias mudanças de climas realizadas de forma consistente e agradável (como Kyrie Eleison) e canções de todos os tipos: up-tempo, mid-tempo, mais diretas, baladas e instrumentais. Estou certo em minhas observações? Como cada integrante ajudou para que se atingisse essa completude musical?

Jason Freitas / Com certeza, é realmente por aí! Tentamos deixar que o melhor de cada um fosse explorado ao máximo nas composições do "Epiphany". Nunca tentamos direcionar as músicas do álbum, mas deixamos que cada uma saísse naturalmente, sem imposições ou restrições, e no fim, tudo deu certo.

Leandro Caçoilo / Acho que o fato de "Epiphany" ser um disco tão variado em estilos, é devido à participação de todos os integrantes na composição, deixando o álbum mais homogêneo e diversificado.

Whiplash! – Paulo, no review do álbum publicado no Whiplash! cheguei a comentar que você deveria ter gravado várias camadas sonoras de guitarra em estúdio para alcançar este resultado. Estou certo? Como isto é reproduzido ao vivo? È preciso fazer alguma mudança? A banda pretende ter um segundo guitarrista na formação?

Paulo Frade / Realmente, gravei quatro camadas de guitarra em cada música, isso nas guitarras bases. Para reproduzir o mesmo peso ao vivo, uso minha guitarra plugada em estéreo, usando dois amplificadores. Isso reproduz o som bem próximo do Cd. Por isso, acho que não é necessária mais uma guitarra na banda.

Whiplash! – A faixa título deve funcionar extremamente bem nos shows. Seu refrão é positivamente pegajoso e sua letra é claramente evangelística e reflexiva. Vocês acham que o fato desta faixa se tornar um novo hino da banda aliado á sua letra pode fazer com que as pessoas prestem mais atenção em suas vidas?

Leandro Caçoilo / Com certeza essa é uma das musicas que eu mais gosto, o Paulo estava inspiradíssimo na letra, o que ajudou muito para que a sua melodia desse este grande impacto.

Whiplash! – A proposta das letras da banda, aliás, sempre foram bem claras e sem maquiagem. O que não impediu que alcançassem o pleno reconhecimento nacional. A posição cristã da banda chegou a atrapalhar em algum momento a sua carreira? O preconceito tem sido menor ultimamente?

Paulo Frade / Sempre encaramos a banda também como uma profissão, por exemplo: Se você fosse um médico, seria diferenciado pelos seus pacientes pela sua religião? Claro que não, ninguém procura um médico, mecânico ou até mesmo um encanador pela sua religião, e sim pelo seu currículo e profissionalismo. Acho que na música tem que ser igual. Não queremos ser rotulados, e sim, vistos como uma banda de Heavy Metal que fala de Deus em suas músicas. Claro que temos que vivenciar nossa fé, do contrário seria algo vazio e mentiroso. Mas temos que tomar cuidado, pois rótulos só geram preconceito e separações. Se quisermos ser respeitados, temos que respeitar primeiro.

Whiplash! – Sempre houve um certo atrito entre o "metal cristão católico" e o "metal cristão evangélico", com ouvintes dos dois segmentos procurando (curiosamente) não ouvir as bandas de um ou de outro. Dando a entender que cada um vive em eu próprio mundo. O Eterna foi uma das primeiras bandas a quebrar essa barreira, participando de eventos como o tributo ao Stryper. Vocês acham mesmo que as duas coisas são antagônicas? Como ficam as diferenças doutrinárias? Contam com o prestígio do público evangélico?

Jason Freitas / O show tributo ao Stryper realmente foi um marco que aponta o fim de todas estas diferenças entre bandas católicas e evangélicas. Naquele dia foi provado que o respeito mútuo entre as verdades de cada um, é a fórmula, para que as mensagens de vida e paz sejam transmitidas com muito mais eficácia de ambos os lados. Nunca acreditamos que vivemos em um mundo à parte, muito pelo contrário, defendemos que temos que lutar para que o nosso mundo se torne a cada dia, um lugar melhor, com mais respeito e amor ao próximo. Temos amigos de várias bandas evangélicas, de várias partes do Brasil, e sempre é uma grande alegria dividir o palco com eles. Temos vários fãs evangélicos, e somos muito felizes por receber este respeito e por manter estes laços de amizade.

Whiplash! – Tenho até uma curiosidade, qual foi a primeira banda católica de metal do mundo?

Jason Freitas / Não temos muita certeza, mas a primeira que temos conhecimento foi o Cristoatividade, que adotava um estilo mais Rock and Roll e Hard Rock. No estilo de metal mais pesado, talvez tenha sido o Rosa de Saron. Ambas, brasileiras. Mas o Eterna foi a primeira banda católica a cantar em inglês e fazer um som mais pesado.

Whiplash! – Vocês se orgulham de serem a única banda no mundo que tem uma ligação direta com um mosteiro reconhecido pelo Vaticano, o que acho justo. Como estão os preparativos para o "The Valley Of Metal" deste ano? Qual a critério para a escolha das bandas?

Jason Freitas / O Mosteiro da Esperança já acolheu alguns festivais do gênero, mas este, que agora será chamado de "Metal Vale", teve o nome sugerido pelo próprio abade e fundador do Mosteiro, o Ir. Bernardo da Esperança (Fradão). Primeiramente, este é um fato inédito e único em todo o mundo, "um festival de metal realizado dentro de um Mosteiro da Igreja Católica", além de todo o visual do lugar, que tem a decoração medieval e ritos inspirados nas tradições da Igreja oriental, transborda ainda mais toda a atmosfera do Heavy Metal. Com certeza será um grande acontecimento. Ainda não pensamos em como será o processo de seleção para o cast do festival, mas gostaríamos que estivessem presentes algumas bandas que nos acompanham e nos apóiam a alguns anos, além de bandas novas que queiram divulgar seu trabalho.

Whiplash! – Até quando vocês pretendem estender a turnê de "Epiphany" e em quais lugares querem tocar que nunca tocaram?

Leandro Caçoilo / Queremos tocar em todo Brasil novamente, a turnê já esta sendo agendada e logo a galera vai estar por dentro das novas datas da Epiphany Tour.

Whiplash! – Como funciona o processo de composição dentro do Eterna? A banda está sempre compondo, mesmo na estrada, ou apenas meses antes de entrar em estúdio vocês começam a compor intensamente para o novo trabalho? Houve alguma mudança neste ponto nos últimos tempos?

Leandro Cacoilo / O legal do Eterna é que agora todos nós temos a chance de estar participando ativamente das composições. A forma de composição é a seguinte, eu chego com as melodias cruas e passo elas para o Paulo e a partir desse momento já temos um pequeno esboço da música, depois disso começamos a pré-produção do disco onde tudo já vem previamente definido.

Whiplash! – Vocês estudam música constantemente? Como procuram melhorar em seus instrumentos? E Leandro, a quê você credita sua estupenda melhora vocal observada?

Leandro Caçoilo / Estamos sempre estudando e tentando nos superar como músicos, mas claro que tudo a serviço da música, que é o nosso maior objetivo. Neste álbum, tive bem mais tempo para me preparar, e tem o fato do Ricardo ter me ajudado a dar mais "felling" ao "Epiphany", acho que todos esses fatores ajudaram muito em minha performance junto à banda.

Whiplash! – Mais uma vez repetindo o que disse em meu review, reafirmo que é "aterrorizante e recompensador pensar onde estes rapazes podem chegar". De que forma impensável-megalomaníaca-surpreendente vocês pretendem superar o último trabalho?

Jason Freitas / Bem, ainda não pensamos nisso, mas realmente vai ser uma tarefa bem difícil! Pretendemos continuar trabalhando duro e nos esforçar muito, acreditamos que para Deus tudo é possível, e se for da vontade Dele e estivermos prontos, conseguiremos superar mais este desafio. Leandro Caçoilo: Logo estaremos começando a pré-produção do novo disco, vamos compor as músicas com muita calma, queremos ter o máximo de material disponível para escolhermos o melhor.

Whiplash! – Muito obrigado pela entrevista e um ótimo futuro para o Eterna. O espaço fica aberto á suas considerações finais.

Paulo Frade / Estamos honrados de participar novamente do site Whiplash!. Obrigado pelo apoio e espaço, Deus abençoe a todos!

Jason Freitas / Gostaria de agradecer imensamente a todos do site Whiplash!, por este espaço e por sempre terem nos apoiado, que Deus os abençoe cada vez mais e longa vida ao seu trabalho. Valeu! "Epiphany can be real!".

Leandro Caçoilo / O Eterna que agradece mais uma vez pelo grande apoio que o site Whiplash! vem nos dando durantes todos esses anos. Gostaria de agradecer também, a todos os fãs que nunca deixaram de nos apoiar. Isso é por Deus em primeiro lugar, e depois por vocês, amigos! "GOD BLESS ALL!"

Site Oficial: www.eterna.com.br

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