Ashtar: Entrevista exclusiva com a banda de folk metal progressivo
Postado em 23 de agosto de 2004
Por Tiago Lucas Garcia.
A banda carioca "Ashtar" é uma daquelas que são realmente difíceis de rotular. Eles se autodefinem como "folk metal progressivo", mas como diz o guitarrista da banda Luiz A. Garcia (nenhum parentesco com o entrevistador) a banda demonstra acima de tudo "a arte de criar".
Whiplash! - Primeiramente a pergunta óbvia como o Ashtar surgiu? Como vocês tiveram a idéia de juntar metal, rock progressivo e música celta?
Luiz / Eu criei o Ashtar em 97 junto com o baterista, Daniel. A banda surgiu como apenas um Rock Progressivo com influência de Pink Floyd. Depois acrescentamos um pouco de metal, mais especificamente "doom" metal. Em meados de 98 e 99 comecei a escutar muita música celta por influência do meu pai que é adorador do estilo. E a partir daí as composições passaram a ter este tempero extra, que aos poucos foi se tornando essencial para a banda.
Whiplash! - Alem de guitarrista você é o "whistler" (não há tradução para isso certo?) do Ashtar, conte nos algo sobre os whistles?
Luiz / Os whistles são instrumentos mágicos. A primeira vez que escutei um whistle foi no disco do "Michael Danna & Jeff Danna - A Celtic Tale" e fiquei apaixonado pelo instrumento. Em 98 viajei para Escócia e comprei o meu primeiro whistle, o que despertou ainda mais a minha paixão pela música celta. Algumas pessoas chamam o whisltle de flautim, mas realmente acho que não há uma tradução certa.
Whiplash! – Existem "whistles" de diversos tipos certo? Você tem algum "whistle" favorito?
Luiz / Eu tenho vários whistles e um low whistle da marca "Susato" e pennywhistles "Generation". Mas na Irlanda toquei em um lowhistle da marca "Kerry" e fiquei louco, era muito bom. Mas o preço é que não colaborava muito.O whistle Kerry é o whistle oficial do Chieftains.
Whiplash! - E você tem alguma predileção dentro da música celta? A música galega, por exemplo, lhe interessa?
Luiz / Sim gosto muito da galega também. Bandas como Milladoiro, Luar Na Lubre são excelentes. As asturianas também como, Brenga Astur. Gosto de todos os tipos, escocesas, irlandesas, galesas, galegas, asturianas etc.
Whiplash! - Você se interessa pela música folclórica de outros paises "não celtas"?
Luiz / Sim, para falar a verdade curto demais "world music". Música espanhola, indiana, africana,são várias. Curto principalmente quando há uma mistura de estilos, essa é a arte de criar.
Whiplash! - Ainda sobre instrumentos "não convencionais", você toca o didgeridoo, instrumento aborígine australiano.O que você pode nos contar sobre este instrumento?
Luiz / Posso começar dizendo que ainda sou um aprendiz. Eu aprendi a tocar com a técnica de "respiração circular", que consiste em respirar pela boca e pelo nariz simultaneamente, fazendo com quer o som permaneça contínuo. Mas ainda a muito que aprender, é um instrumento muito rico. Aprendi a tocar através de um site na net.
Whiplash! - O primeiro cd de vocês "Urantia" foi lançado na Europa pela legendária gravadora de rock progressivo "Musea" (o que já é uma espécie da garantia de qualidade para um álbum), como surgiu o contato com eles? Qual esta sendo a repercussão lá fora?
Luiz / Terminou a masterização do disco e saímos a caça de uma gravadora ou distribuidora. Assinamos com a Rock Symphony, gravadora de Niterói. O representante da Rock Symphony, Leonardo Nahoum foi em seguida para uma festival de progressivo nos EUA e levou uma demo do Ashtar. Lá, encontrou com Bernard da MUSEA que se interessou pelo disco e quis distribui-lo. O Ashtar acabou de voltar de uma "mini" turnê na Europa. Foi muito produtivo e a repercussão lá fora esta sendo excelente.
Whiplash! - E aqui no Brasil como foi a repercussão de "Urantia"?
Luiz / A repercussão aqui também tem sido legal, mas não tão boa quanto na Europa. Em novembro do ano passado nós abrimos para o Wishbone Ash no Canecão. E anteriormente em setembro fizemos um acústico com participação de Jan Dumeé, guitarrista da banda Focus. Ambos organizados pela Rock Symphony. O cd "Urantia" tem vendido bem também. Já foram vendidas mais de 1000 cópias e acabamos de prensar mais 500.
Whiplash!- Você escreve no site oficial da banda, que não tem uma faixa favorita do Ashtar, mas Oblivious Scars é especial? Algum motivo em especial? (risos)
Luiz / Bem, essa música é bastante especial para mim porque sendo sentimental e espiritualizada, a música lida com assuntos de encarnações passadas em vários aspectos. Eu escrevi essa musica em um período "negro" da minha vida. É de certa forma uma autobiografia, bastante pessoal... Não, eu não sou louco (risos).
Whiplash! - O nome da banda "Ashtar" se refere a uma "entidade ufológica", "aquele que cruza o céu em chamas".O conceito das letras do álbum Urantia segue este conceito, ou os temas são variados?
Luiz / Os temas são variados, seguem várias épocas e fases do planeta Terra (Urantia) desde a criação até a sua fictícia destruição.
Whiplash! - A primeira e a última musica do álbum tem seus respectivos o títulos escritos em gaélico, o que significa "An Oidche Dhorcha" e "Modainn Thrath"?
Luiz / Respectivamente, "Noite escura" e "Manhã calma (tranqüila, pacífica)" em gaélico escocês.
Whiplash! - Sei que você gosta das poesias do poeta escocês Robert Burns, você já pensou em musicar alguma destas poesias no futuro?
Luiz / Sim, claro. Para mim ele é um dos maiores poetas da história!
Whiplash! - Falando em futuro, vocês já estão compondo algo para o próximo álbum do Ashtar?
Luiz / Sim, eu já tenho várias composições prontas e em andamento. Só falta passar para o resto da banda para estruturarmos e começarmos uma pré-produção. Mas o conceito do próximo álbum já está pronto. Só falta gravar, esse é o grande desafio(risos).
Whiplash! - Em novembro você e a vocalista Fernanda Mesquita, estarão embarcando para Inglaterra no final deste ano para concorrer a um premio certo? Conte-nos um pouco sobre isso!
Luiz / Sim! É quase certo que estaremos indo ao final de novembro. Nós fizemos um show em dia 15 de Maio em Rotherham, Inglaterra para o "Classic Rock Society". Abrimos para a Karnataka, banda inglesa de progressivo. E todo Novembro, a CRS organiza uma premiação baseada nas apresentações durante o ano. E o Ashtar está concorrendo na categoria "Melhor Banda Revelação.
Whiplash! - Bem, é só, boa sorte pra vocês na Inglaterra! Grande prazer em trocar idéias contigo. Obrigado pela atenção!
Luiz / Eu que agradeço pela entrevista, o prazer foi meu!
Site oficial do Ashtar: www.ashtaronline.com
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