Seven Angels: Entrevista exclusiva com a vocalista Débora Serri

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Texto, Entrevista e Tradução por
Rafael Carnovale.

O Seven Angels surgiu em 2000 num desejo conjunto de Débora e Karim Serri de transformar suas experiências de vida em música. Ao longo de 2001, a formação foi se estabilizando com a entrada de Eliezer Leite na bateria, Rafael Friesen no teclado e Ricardo Bagatelli no baixo. Claramente influenciados pelo heavy metal oitentista e germânico, o Seven Angels gravou sua primeira demo, "TO Know God and Make Him Known", que viria a chamar a atenção da Megahard Records. A banda abriu shows importantes como o Seventh Avenue, Nightwish e Shaman. No final de 2002 lançaram seu "debut", "The Second Floor", um cd diversificadíssimo dentro do heavy metal, indo desde o heavy crú até o gótico, com contexto cristão, sendo considerados uma das melhores bandas White que já surgiram no Brasil. Em 2003 tiveram um grande susto, com o acidente sofrido pelo guitarrista Karim Serri, que se recupera muito bem. Num animado bate-papo via fone, a super simpática vocalista Débora Serri fala sobre o passado, presente e futuro desta grande banda, respondendo inclusive às questões mais polêmicas, sobre o White Metal. Confira.

Whiplash - Como e quando vocês se juntaram e como surgiu o Seven Angels?

Débora Serri / Bem, o Seven Angel surgiu de um sonho meu e do Karim.Sempre gostamos e ouvimos metal, e sempre fomos apaixonados pelo metal melódico. E um dia pensamos: "Será que conseguiríamos fazer um trabalho assim?", afinal sempre fomos músicos, demos aula. Aí nos sentamos e começamos a compor. Um dia começamos a ouvir o que compomos e vimos que o dava um bom resultado. Aí fomos atrás de baixo, bateria. Primeiro encotramos o Eliezer e depois o Ricardo e o Rafael. No final de 2001 começamos a gravar a demo. A formação foi fechada em abril de 2001. Na verdade a banda surgiu no final de 2000, mas a formação em si só se juntou em abril do ano seguinte.

Whiplash - Vocês adotam uma temática cristã em suas letras. Que fatores levaram o grupo a adotar essa temática e como evitar que tal fato se torne uma pregação exagerada?

Débora / Para começar a gente gosta de cantar sobre o que a gente vive, e o heavy metal é um estilo muito aberto a letras. Desde que você cante as coisas de uma maneira inteligente, você pode cantar qualquer coisa, porque o metal é um estilo inteligente, ao contrário do que dizem (risos). E nós acreditamos em Jesus Cristo, e em Deus, logo todos nós decidimos de maneira firme trazer uma mensagem que ajude a melhorar esse mundo. Queremos passar algo que toque no fundo da alma de quem está ouvindo. E a gente toma muito cuidado para que isso não se torne algo careta.

Whiplash - Notei que vocês conseguiram faze-lo de maneira sutil, passando sua mensagem.

Débora / Essa é a nossa intenção, e é nosso objetivo. Temos todos os tipos de cd aqui em casa: Iron, Rhapsody. Pensamos que tudo o que é bom vale a pena ser ouvido. E com isso aprendemos sempre. E essa é a nossa mensagem: tentar passar nossa mensagem sem soar careta ou repetitivo.

Whiplash - A primeira demo da banda obteve boa repercussão na mídia especializada. como surgiram as oportunidades para o Seven Angels abrir os shows do Nightwish, Shaman e Seventh Avenue?

Débora / Quando lançamos a demo, mandamos cópias para diversas gravadoras, um ato de coragem (risos). Recebemos algumas respostas e a Megahard foi a primeira. Mesmo com a demo sendo meio imatura, vista do que fazemos hoje. Mas mesmo assim o Márcio da Megahard nos contactou com a idéia de nos acompanhar, vendo nossa evolução. Tivemos outros contatos, mas já estávamos negociando com a Megahard. E isso tudo foi muito rápido, pois mal pudemos tocar as músicas da demo, porque já tínhamos que preparar nosso cd. Quanto a abertura dos shows, foi através da Megahard, que nos conseguiu essas oportunidades. E temos nos dado muito bem com nossa gravadora.

Whiplash - Agora uma pergunta meio polêmica: vocês tocaram com bandas seculares. Bandas como o Eterna também fazem o mesmo, mas aí eu te perguntaria: vocês tocariam com bandas black, se surgisse uma oportunidade?

Débora / Sem dúvida. Mas eu respondo com outra pergunta: será que eles tocariam conosco?

Whiplash - Boa Resposta! (muitos risos)

Débora / Não temos nenhum tipo de preconceito contra qualquer banda. Se aparecer um convite, teremos respeito e tocaríamos sem problema.

Whiplash - Até porque o próprio Black Metal é um estilo cujo conceito lírico vem mudando durante o tempo.

Débora / Exatamente. Mas temos amigos que tocam black e passam mensagens cristãs que sofrem muito preconceito, algo que é esquisito.

Whiplash - O som de "The Second Floor" pode ser definido como Power Metal, mas notei que várias passagens lembram Prog-Metal, quais foram suas influências no processo de composição?

Débora / A gente ouve muito as bandas dos anos oitenta. Gostamos muito de Gamma Ray, Metallica, Anthrax, então temos influências pesadas, como Iron Maiden, Helloween, e misturamos um pouco com as bandas de power mais novas que gostamos muito como Sonata Arctica, Stratovarius, inclusive tocamos "Forever Free" e tentaremos tocar "Black Diamond" ao vivo. A gente faz uma boa mistura.

Whiplash - Eu percebi tal fato, mas procurei me ater a mistura do power com prog, que foi algo que ficou muito evidente, mas algumas passagens me lembraram muito também o Running Wild.

Débora / Nossa! (Risos) Mas muito dessas influências vêm do Karim (guitarra). Inclusive nas resenhas que andei lendo os riffs dele eram muito elogiados. Ele adora o metal dos anos 80, como Iron Maiden.

Whiplash - Isto é algo curioso, pois é interessante observar que vocês absorveram influências que vão de Helloween a Dream Theater. Como vocês fizeram para criar um som pesado, rápido, elaborado, que não soasse exibicionista e repetitivo.

D- Olha, deu muito trabalho (risos). A gente passou dias gravando, ouvindo, estudando as músicas, para podermos atingir nossos objetivos, que eram atingir um caminho diferente, para que as pessoas possam ouvir nosso som e dizer "Isso é Seven Angels".

Whiplash - Outro fator que deve ressaltar é a excelente produção, uma das melhores que eu ouvi recentemente. Quanto tempo vocês levaram desde o processo de composição até a gravação.

Débora / Nossa! Obrigado! (Risos) A gente levou mais ou menos uns .... 8 meses. Sem falar que há 2 meses já começamos a compor para o novo cd.

Whiplash - Agora outra pergunta polêmica: Porque as bandas cristãs tendem a se isolar, só aparecendo em programas e eventos do gênero? Vocês acreditam que com iniciativas do Eterna e Seven Angels a temática cristã deixará de ser uma característica dominante para ser apenas uma particularidade da banda?

Débora / Eu acho que temos que caminhar para isso. Sim, a nossa proposta é essa. Agradecemos muito a inciativa da WHIPLASH! e de vários outros veículos, isso nos deixa muito felizes, valendo todo o esforço. São portas que se abrem, e a cada porta que se abre nós entramos. Só que parte do público ainda não absorveu isso. Muitos veículos ainda separam os estilos, nos considerando White Metal, só que nosso estilo é Power Metal. No que depender de nós estaremos em qualquer evento. Inclusive estamos trazendo várias bandas seculares para tocarem conosco, e temos sido bem recebidos. O único problema que temos sentido é com relação ao público, que não comparecem de todo aos eventos White nos quais tocamos. Chegamos a tocar no Fofinho Rock Club com o Dracma e o Destra, num show que deu 150 pessoas, com boa divulgação. Mas só tinha cristão. Nada contra, mas gostaríamos que mais fãs comparecessem. Não temos nenhum preconceito, não somos melhores do que ninguém e ainda temos muito o que aprender.

Whiplash - Sua voz é excelente, sendo uma das melhores nacionais que já pude ouvir. Em alguns momentos você me lembrou vocalistas clássicas como a Doro Pesch e mais recentes como a Elisa (Ex-Darkmoor). Quais seriam suas influências como cantora?

Débora / Nem fala isso que eu caio para trás! (Risos) Eu adoro Dark Moor, tenho todos os cd's deles. Mas uma cantora que me influenciou muito foi a vocalista do Heart, T.Wilson. Eu cantava todas as músicas deles. Haviam poucas vocalistas que cantavam rock, como a Doro. E não havia mulheres cantando metal pesado. Agora que estão aparecendo mais e quando descobri a Elisa fiquei impressionada. Eu tentei fazer algo, considerando que ouvimos Nightwish, Within Temptation, que não soasse maçante, misturando lírico, pop, metal, porque a voz da mulher, se não for bem trabalhada, fica chato de ser ouvido. E no próximo cd queremos mudar mais ainda. Ser comparada a Elisa e a Doro é algo que até me emociona, e serve de grande estímulo para um próximo trabalho.

Whiplash - Vocês pensam em inserir um vocal masculino?

Débora / Pensamos sim. Só não sabemos quando isso irá acontecer.

Whiplash - Aonde surgiu a inspiração para o nome Seven Angels e para as músicas do "The Second Floor"?

Débora / Bom, primeiro pensamos em outro nome, Seventh Angels, mas esse nome já pertencia a outra banda inglesa de White. Quando começamos a divulgar esse nome, o site Metal Mission nos mandou um email nos alertando que o nome já era de uma outra banda. Só que gosto muito de anjos e queria por Angels no nome, e acabou ficando Seven Angels, e eu me baseei no Apocalipse, que é um livro tremendo, sendo alvo inclusive de vários filme. Neste livro os anjos travam uma forte luta. E o nome acabou dando certo, sendo um nome de fácil assimilação e que gostamos muito.

Whiplash - Quando ouvi "Breathless Years", percebi que vocês deram uma caída para o som gótico, principalmente com os vocais do Marcelo Zada. Vocês pensam em trabalhar mais o som gótico?

Débora / Olha, eu penso muito nisso. São experiências que fizemos, e eu adorei isso. Eu achei o resultado muito bom.

Whiplash - Seria uma idéia interessante, e algo que muitas bandas fazem, colocando vocais masculinos junto com os femininos.

Débora / Fica muito lindo! Gosto muito e é algo que com certeza faremos mais no próximo cd.

Whiplash - Em "Revelation" e "Mask of Sadness" as guitarras me lembraram Iron Maiden e com isso o cd acabou virando um belo caldeirão de estilos. Como vocês conseguiram ter tanta versatilidade e fazer com que a pessoa ouça e diga "Isto é Seven Angels" ?

Débora / Pergunta difícil! (Risos) Isto é algo que tem que estar no sangue, vir dentro de você, e o Karim é grande fã de Iron. Não que seja uma cópia, e Iron Maiden é uma de nossas grandes influências. E isso acaba fluindo naturalmete. Em nossas composições tentamos seguir nosso caminho, mas não queremos nos separar de nossas influências, conseguindo assim encontrar nosso caminho.

Whiplash - Como o Steven Tyler (Aerosmith) falou em uma entrevista, sem dizer que é o caso de vocês: "Você sempre chupa algo de sua banda favorita antes de encontrar seu som".

Débora / E eu adoro ele! Tenho vários cd's do Aerosmith e procuro ensinar até para meus alunos.

Whiplash - Você investiu pouco no canto lírico. Você pretende trabalhar mais isso no futuro?

Débora / Não. Não que eu não goste. Mas o meu vocal é o que você ouviu no cd. Tenho aulas de canto toda semana, mas o que pretendo fazer é o que foi ouvido no cd. Ouço vocalistas líricas, mas o som que prefiro é este mesmo, muito no estilo da Elisa (Dark Moor), inclusive cantando em tons graves.

Whiplash - E algo que vocalistas que tem voz afinada têm certa dificuldade. Como o Michael Kiske no Helloween e na carreira solo, aonde ele dosa mais os tons agudos com graves.

Débora / É porque você sente que ele está mais natural, mais ele. No dia que saí do estúdio eu queria gravar tudo de novo. (Risos). Ainda temos muito a evoluir e aprender.

Whiplash - A nível de shows em 2003, já existem datas?

Débora / Sim. Devido ao acidente do Karim cancelamos algumas. Mas vamos recomeçar em breve, e temos um monte de shows acumulados pelo Brasil. Tem muito convite pintando, e isso me deixa muito feliz.

Whiplash - E a nível de exterior, tem acontecido algo?

Débora / Sim. Recebemos muitos emails do Japão, aonde estão comprando muito nosso cd. Recebemos respostas positivas dos EUA, Europa... tem sido muito bom.

Whiplash - E o que vocês já tem planejado para o próximo álbum, como músicas, letras?

Débora / Temos uma música pronta e outras a caminho. Ficamos um mês parados por causa do acidente do Karim. Mas em Junho estaremos retornando com toda força, desde o nome do cd, até a capa. Gosto muito de trabalhos em seqüência, com histórias que vêm relacionadas.

Whiplash - Você falou algo interessante e isso me faz perguntar: Vocês gostariam de fazer como o Rhapsody, que faz álbuns conceituais, trilogias?

Débora / Sim, com certeza, é algo que está em nossas mentes e corações. Vamos ver o que podemos fazer no futuro.

Whiplash - Vocês curtem algo de New Metal?

Débora / Sim. Ouvimos Linkin Park e achamos eles excelentes músicos. Ouvimos Limp Bizkit e Korn, e achamos excelente.

Whiplash - Nesse próximo lançamento vocês pretendem manter a temática cristã nas letras ou pensam em falar sobe outros assuntos?

Débora / Olha, acho que mesmo mudando o assunto, a temática cristã será o foco. Nós procuramos cantar o que vemos e ouvimos no dia a dia e na vida. Certamente a temática cristã estará presente, mas sempre procurando não torna-la algo careta e barato. É algo natural, que sai de nossas mentes.

Whiplash - Vocês tocam algumas covers? Poderiam citar algumas?

Débora / Claro! Tocamos "God Gave Rock and Roll to You" do Kiss, "Power" do Helloween, algo que eu amo cantar e também "I'm Alive", que estamos ensaiando, e "Black Diamond" do Stratovarius. Nós decidimos pelos covers no começo do ano. É algo que os fãs curtem é nós gostamos de poder dar isso a eles.

Whiplash - Muito obrigado pela entrevista. Este espaço é seu para falar diretamente aos fãs.

Débora / Primeiro agradecer a você e ao site por essa grande oportunidade de participar para essa entrevista. E agradecer aos fãs por visitarem nosso site, comprar nosso cd e camisetas, pois são vocês fãs que nos levam para a frente. Sem vocês não iríamos a lugar nenhum. Eu queria muito agradecer por cada assinatura em nosso "guestbook", por irem aos shows. Um abração e muito obrigada.


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