Jennifer Baten - Entrevista exclusiva.

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Jennifer Batten é, sem dúvida, uma das guitarristas mais famosas e consagradas do Mundo. Todo esse reconhecimento, entretanto, não veio em vão. A técnica avançada e o fato de ter substituído Eddie Van Halen na banda de Michael Jackson fizeram com que Jennifer entrasse para a história. Afinal, não é qualquer um que consegue assumir - com competência - o posto de um dos guitarristas mais influentes de todos os tempos em uma banda tão visada e famosa como a de Michael Jackson, não é mesmo?

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Jennifer, que atualmente está tocando na banda de Jeff Beck, abre o jogo em entrevista exclusiva ao Whiplash! contando detalhes de sua carreira solo, da convivência com Michael Jackson e falando mais sobre os novos trabalhos que vem fazendo.

Entrevista concedida a Thiago Corrêa

Traduções / Júlio César De Sá e Pedro Bonfim.

Whiplash! / Atualmente, você está tocando com Jeff Beck e fazendo vários shows. Como surgiu a oportunidade de tocar com Jeff Beck? E como você se sente ao trabalhar com esse verdadeira MITO da guitarra?

Jennifer Batten / Eu o procurei quando eu estava tocando em Londres com Michael Jackson e dei a ele o meu primeiro CD solo. Eu só queria encontrá-lo e dizer 'oi'. Dois meses depois ele me ligou para montarmos um projeto juntos. Cinco anos depois isso acabou acontecendo. É incrível e intimidante. Não quero tocar com mais ninguém!

Whiplash! / Grande parte de seus fãs conhecem-na tocando outros estilos diferentes do de Jeff Beck. Você teve ou está tendo dificuldades em pegar algumas músicas de Beck e adaptá-las ao seu modo de tocar?

Jennifer / O maior desafio é tocar as partes de guitarras sintetizadas porque o som de cada sintetizador reage de uma maneira diferente. E tem também certas partes de guitarras que para ele são bastante naturais, mas que para mim são uma dificuldade, como a maneira que ele faz bends junto com a alavanca.

Whiplash! / Você ficou famosa pela técnica avançada que tem, principalmente quando se fala da técnica de two hand tapping. Sua carreira sempre foi cercada de músicos extremamente técnicos, principalmente nas coletâneas nas quais você TOCOU, que tiveram participação de guitarristas como Yngwie Malmsteen, Nuno Bettencourt, Paul Gilbert, entre outros. Hoje, você toca com um grande e consagrado guitarrista, mas com uma técnica (sweep picking, alternada, tapping, etc.) não tão apurada quanto a dos guitarristas acima citados. Como você vê isso? É uma situação diferente para você, não? Você tem encontrado maneiras para colocar toda a sua técnica nas músicas tecnicamente mais simples de Jeff Beck?

Jennifer / Jeff é o melhor por causa do conteúdo emocional na sua maneira de tocar. Quando ele toca num disco, o que quer que saia é uma reação ao que ele está ouvindo no momento. Ele não se preocupa em impressionar as pessoas com tappings ou sweepings, apesar de ser bem capaz de fazer isso tudo. A emoção na sua música vai milhas a frente de qualquer técnica, assim como afeta as pessoas em um nível muito mais profundo. O nosso gosto musical é bem parecido. Eu sempre toquei suas músicas com as minhas bandas. Ele sempre foi o meu favorito. Seus álbuns são apenas uma pequena amostra do que ele pode fazer. Ouvindo-o toda noite por um ano percebi que o que foi gravado no CD é apenas uma fração do que existe. Ele nunca vai tocar algo da mesma maneira duas vezes. Ele é o máximo da criatividade. Quando eu solo, eu faço o que quero e ele gosta da diferença entre os nossos estilos. Mas o meu foco ultimamente tem sido em matéria de composições. A técnica de tapping, através da qual eu sou bastante conhecida, foi incluída na primeira faixa do CD. Aquilo foi uma coincidência. Eu apenas adicionei ao que já era uma música muito mais elaborada. No estúdio, a música foi toda retalhada e o tapping é uma das partes sobreviventes e se tornou um dos destaques.

Whiplash! / Além de estar tocando com Jeff Beck você tem algum outro projeto paralelo? Quais são seus planos para um futuro com ou sem Jeff Beck?

Jennifer / Por hora, estou me concentrando em tocar com o Jeff. Tudo o que componho é para ele. Eu não estou entusiasmada em fazer outro disco solo agora. Eu não consigo dividir bem o meu foco.

Whiplash! / Seu último projeto "solo" Jennifer Batten's Tribal Rage surpreendeu muita gente. Acredito que depois de "ABOVE, BELOW, AND BEYOND" as pessoas esperassem outra coisa, outro estilo. Porém, apesar das surpresas, o álbum recebeu ótimas críticas em todas as partes do mundo. Como você recebeu essas boas críticas? Você teve, em algum momento, medo do álbum, "Momentum", não ser muito bem aceito exatamente pelas mudanças "radicais" que teve em relação ao seu primeiro trabalho?

Jennifer / Eu não estava me preocupando em como ele seria recebido. Eu estava apenas excitada para fazer algo mais étnico, até porque nunca tinha ouvido nenhum outro guitarrista tomar esse rumo. Eu acho que o segundo disco soa muito mais como banda e é muito mais coerente.

Whiplash! / "Momentum" é um álbum que envolve coisas de jazz/fusion/funk, entre outros estilos, mas sempre com esse toque meio "Tribal", como o próprio nome já diz. Quando surgiu a idéia de lançar algo tão incomum e criativo?

Jennifer / Eu fiquei cansada de todos os típicos álbuns de guitarristas de rock e comecei a ouvir muita world music nos últimos anos. É tudo muito novo para os meus ouvidos, portanto me inspira. Eu adoro os CDs da Real World Label (de Peter Gabriel).

Whiplash! / Ouvindo o "Momentum" percebo que a presença de Glen Sobel e Ricky Wolking são essenciais para o clima criado e para as composições presentes no álbum. E eles não decepcionam. O trabalho deles foi excelente nesse álbum. Como você entrou em contato com os dois? Vocês tiveram dificuldades tocando juntos ou foi algo natural, que saiu rapidamente?

Jennifer / Achei-os através de comentários e fiz uma audição para um banda. Quando comecei o projeto, eles eram a escolha óbvia. Foi muito divertido! A todos era permitido criatividade máxima, era questão apenas de ficar muito tempo juntos e deixar as idéias aparecerem. Todos estávamos esperando pelos ensaios.

Whiplash! / Jazz/fusion, entre outros estilos que percebo no álbum, têm como fortes características o improviso e participação intensa de todos os músicos. A participação intensa dos músicos existe, mas te pergunto... há muito improviso nas músicas do álbum?

Jennifer / Há improviso em todas as músicas.

Whiplash! / Há alguma parte das músicas nas quais você improvisou que você acha que não soaram bem ou que você poderia ter feito melhor?

Jennifer / Eu ouço varias coisas que eu faria diferente se pudesse, mas chega uma hora que você tem que considerar tudo pronto. Eu queria terminar ele antes de sair com Michael Jackson para a turnê do "HIStory". Senão teria gasto pelo menos mais um ano com as gravações.

Whiplash! / Algum músico em especial te influenciou no processo de composição de "Momentum"? Quais músicos, você diria, que foram as suas principais influências no caso deste álbum?

Jennifer / Eu sempre mantenho o álbum "Blow by Blow" do Jeff Beck em mente quando estou pensando em um clima para um disco. "Weather Report" foi a maior influência para este álbum.

Whiplash! / Qual dos seus álbuns solos teve maior aceitação por parte da imprensa/fãs? Qual deu mais resultados, financeiramente falando? "ABOVE, BELOW, AND BEYOND" ou "Momentum"? Por que você pensa que isso aconteceu?

Jennifer / "Above, Below, And Beyond". Eu não ganhei muito em nenhum deles. Eu não tinha nenhuma grande gravadora comigo em ambos os casos então não tinha condições de fazer uma divulgação boa sobre o disco nem uma distribuição legal. O primeiro vendeu mais, mas não tenho indícios de qual foi melhor. Ambos são difíceis de encontrar.

Whiplash! / Em "ABOVE, BELOW, AND BEYOND" você toca em um estilo bem semelhante ao de Satriani, com alguns riffs "pesados" e mostrando mais de sua técnica do que em "Momentum". Como você analisaria "ABOVE, BELOW, AND BEYOND" para quem não conhece o álbum ainda?

Jennifer / Foi como uma pequena reação aos álbuns de guitarra da época e mais, eu queria mostras as pessoas que podia tocar e solar. Então comecei com "Fligh Of The Bumble Bee" a 200 BPM (N. do T.: Muito rápido mesmo /) ). O segundo já é mais coerente e melhor composto.

Whiplash! / Na verdade, com a versão de "Flight Of The Bumble Bee" você ficou muito famosa, pois a adaptou à sua técnica de two hands. Você teve muita dificuldade em adaptá-la e em executá-la?

Jennifer / Sim. Foi bem difícil fazer certo. Especialmente porque eu gravei três linhas de guitarra, uma por cima da outra. Eu passei por cinco digitações diferentes antes de escolher por uma.

Whiplash! / Além de "Flight Of The Bumble Bee", você tem em seu site oficial uma transcrição de uma sonata de Bach para a técnica de two hand tapping. Percebe-se logo que você tem uma ligação com a música clássica. Porém, em seus álbuns é difícil encontrar influências clássicas. Você não tem vontade de gravar um álbum em um estilo mais neo-clássico?

Jennifer / Não. Eu não sou tão interessada em música clássica. Eu realmente adorei Paganini por um tempo, mas não durou muito. Simplesmente não tem o poder da música com bateria.

Whiplash! / O que você pensa sobre esse estilo e sobre guitarristas que estão envolvidos no mesmo, como Yngwie Malmsteen, Jason Becker, etc?

Jennifer / Eu gostava bastante de ouvir nos anos 80. Especialmente Jason.

Whiplash! / Por favor, conte-nos com detalhes sobre a audição da qual você participou para entrar na banda de Michael Jackson. O que você tocou na audição? Como se sentiu?

Jennifer / Eles me colocaram para tocar para uma filmadora. Toquei umas levadas funkeadas, depois toquei um solo, fiz um solo gigante de tapping e depois o solo de "Beat It". Eu me senti bem sobre o teste, mas sabia que tinham uns outros 100 guitarristas que haviam feito a audição.

Whiplash! / Como foi seu primeiro contato com Michael Jackson? Como foi trabalhar com ele?

Jennifer / Estávamos ensaiando por um mês antes de o conhecermos. Ele entrou e ficou ouvindo a gente tocar e começou a dançar. Ele foi bastante gentil e cortês. Ele é um ótimo cara para trabalhar.

Whiplash! / O que de mais importante você aprendeu e trouxe como experiência, deste tempo em que tocou com Michael Jackson?

Jennifer / Presença de palco. E ritmo.

Whiplash! / Como foram os primeiros shows com Michael Jackson?

Jennifer / Muito bons e excitantes.

Whiplash! / Quais foram suas principais dificuldades nesse início na banda de Michael e como você as superou?

Jennifer / Aprender sobre equipamentos de midi pela primeira vez. Foi bastante frustrante. Eu superei as dificuldades com o tempo e com a ajuda dos roadies.

Whiplash! / Houve uma grande expectativa em relação à música "Beat It", que teve a participação de Eddie Van Halen nas gravações originais. Os comentários são de que você tocava o solo perfeitamente, nota por nota. Como foi para você ter essa responsabilidade de "substituir" um dos maiores e mais influentes guitarristas de toda a história?

Jennifer / Foi um desafio divertido. Eu gostava muito do solo e estava orgulhosa de tocá-lo. Eu tenho um enorme respeito por Eddie. Acho que foi um dos melhores solos daquela época.

Whiplash! / Você trabalhou também em um projeto, chamado DOC TAHRI, mas parece que o projeto não foi levado a frente. Poderia dar detalhes sobre sua participação neste projeto, o estilo tocado, entre outras coisas?

Jennifer / O líder do projeto é um grande amigo meu. Ele me deu uma fita com seis músicas e me deixou enlouquecer sobre ela! Ele aproveitou tudo o que eu fiz. Como ele era a própria gravadora, mais uma vez a divulgação não foi das melhores, mas ele pode ser achado à venda na Internet.

Whiplash! / Você tem alguns trabalhos no estilo TECHNO com Dave Rogers e a banda V6. Comente mais sobre esse seu trabalho e o porquê de ter se envolvido em um projeto nesse estilo, coisa que nenhum fã seu poderia imaginar que aconteceria.

Jennifer / Eu fui chamada para as gravações por um conhecido italiano. Acho que fui para Milão umas três ou quatro vezes por causa disso. Foram os maiores royalties que eu recebi por qualquer gravação e foi a que menos deu trabalho.

Whiplash! / Você lançou um livro chamado "JENNIFER'S TAPPING LESSON BOOK" acompanhado de um CD chamado "TWO HAND ROCK". Quando surgiu a idéia e a oportunidade de lançar esse livro?

Jennifer / Eu estava muito interessada em aprender a tocar com as duas mãos usando a técnica de tapping, e aprendi tudo com todas as pessoas. Resolvi então desenvolver o meu próprio método. Escrever um livro era o próximo passo, logicamente.

Whiplash! / Você não pensa em gravar uma vídeo aula para que seus fãs possam vê-la tocando e possam aprender um pouco com você também?

Jennifer / Não estou interessada nisso, pois não parece ser muito divertido.

Whiplash! / Qual conselho você acha essencial e daria para quem está começando a tocar guitarra agora?

Jennifer / Ouça de tudo que puder e troque informações com outras pessoas.

Whiplash! / Vamos a algumas questões de opinião... A impressão que tenho é de que cada vez mais as pessoas fogem de músicas instrumentais, complexas, ou coisas assim. O que você pensa sobre a atual cena da música instrumental no mundo?

Jennifer / É um dos tipos de música mais difíceis de vender. Eu tenho muita sorte de estar tocando com Jeff Beck, já que ele é uma raridade que tem sido tão original e tem uma base de fãs tão grande que consegue manter as pessoas interessadas por mais de trinta anos. Existem poucos lances e shows instrumentais de onde você pode tirar o seu sustento.

Whiplash! / Na sua opinião, qual seria o motivo para poucas mulheres estarem presentes no topo dos grandes guitarristas como você está?

Jennifer / Estou apenas chutando, mas acho que é o medo de invadir o clube dos homens. Ele é visto como um mundo machista.

Whiplash! / Você considera o movimento do rock instrumental, especialmente o "movimento shredder", como um movimento machista, com poucas portas abertas para as mulheres?

Jennifer / É difícil dizer se as portas estão fechadas ou se não tem muito interesse. É difícil para qualquer um fazer sucesso na indústria da música, independente de sexo ou material. Tenho certeza que existem diversas grandes guitarristas por aí, mas para chegar ao ponto de ser conhecida, é uma questão de vontade e sorte.

Whiplash! / Qual a sua opinião sobre Great Kat?

Jennifer / O que eu ouvi dela é bastante divertido.

Whiplash! / Michael Jackson foi acusado e processado várias vezes por assediar e abusar sexualmente de menores. Você, que conhece Michael, acredita nessas acusações? O que pensa disso?

Jennifer / Não. Eu não acredito. Eu acho que é mais provável que isso tudo tenha sido montado pela máfia.

Whiplash! / Qual a sua opinião sobre o racismo AINDA existente em relação a negros, judeus, homossexuais, etc.?

Jennifer / É bastante estúpido, especialmente na América do Norte por causa de toda a ideologia que a nação começou, com base na tolerância. Claro, depois que destruímos os nossos povos nativos.




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