Hammerfall - Entrevista exclusiva com Oscar Dronjak.

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HammerFall com certeza é uma das maiores revelações do Heavy Metal europeu nessa década de 90. Mesmo com apenas dois discos lançados e poucos anos de carreira, a banda já arrebatou fãs por todo o mundo. A banda fez há pouco tempo apresentações no Brasil, muito apreciadas por todo o público e pela banda, inclusive um show acústico inédito na carreira da banda. O Whiplash! entrevistou o guitarrista e principal compositor do HammerFall, Oscar Dronjak. Entrevista concedida a Mário Del Nunzio.

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Whiplash! / Para começar, comente sobre os shows que vocês fizeram aqui no Brasil alguns dias atrás [N. do T.: Os shows aconteceram dias 31/03 e 01 e 01/04.].

Oscar Dronjak / Foi nossa primeira vez na América do Sul, e nós esperávamos bastante! Mas, no decorrer da nossa passagem, nossas mais altas expectativas foram alcançadas - e ultrapassadas! Foi uma experiência inacreditável e cinco shows que nós para sempre lembraremos. O final perfeito para nossa turnê mundial de 6 meses, a "Templar World Crusade".

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Whiplash! / Aqui no Brasil vocês fizeram o primeiro show acústico da banda. Considerando que as músicas da banda não foram feitas para serem tocadas dessa maneira, como vocês tiveram a idéia de fazer um show assim e o que acharam do resultado final da apresentação? Foi muito difícil arranjar as músicas para serem tocadas assim?

Dronjak / Definitivamente foi necessário algum trabalho, e não foi muito fácil pois, como você corretamente apontou , as músicas não foram feitas para serem tocadas dessa maneira. Mas funcionou muito bem, algumas músicas ficaram com um sentimento completamente diferente, especialmente "HammerFall" e "Heeeding The Call". Todos na banda ficaram realmente felizes com o modo com o qual o show se desenvolveu, e pareceu que a audiência ficou igualmente satisfeita!

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Whiplash! / Alguns dizem que o HammerFall só copia bandas de metal dos anos 80, e o sucesso da banda só foi alcançado devido a uma boa campanha de marketing. O que você acha disso? Você acha que uma boa campanha de marketing e estar assinado com a Nuclear Blast foram fatores importantes no sucesso que vocês atingiram, e talvez mais importantes que a própria música?

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Dronjak / Acho que três fatores foram realmente importantes na subida de nada para o que somos hoje. Primeiro, nós gravamos um bom disco. Sem isso, nada poderia ter acontecido. Segundo, Nuclear Blast, como você disse, fez bastante promoção para todos saberem da banda. Terceiro, estava no tempo certo para uma banda como a nossa aparecer. Eu acho que muitos fãs estavam cansados da música agressiva e basicamente rítmica que quase todas as bandas faziam. Nenhum selo assinava bandas que fossem remotamente melódicas. Conte o número de bandas que estão lançando disco de metal melódico agora! Mas a situação musical era, e ainda é, muito diferente na Europa, da América do Sul, que é diferente dos EUA, que é diferente do Japão. Todos os territórios são diferentes. Nós só fazemos música que amamos, a música que está em nossos corações. Nós não olhamos para outras bandas e tentamos copiar o que eles fazem, mas não há dúvidas que o que fazemos pode ser rotulado de "Heavy Metal dos anos 80". Nós amamos esse tipo de música e essa é a única razão para tocamo-la. Para os que não acreditam, é ruim que vocês não possam respeitar as pessoas por fazerem algo em que realmente acreditam, por seguirem seus sonhos. Vocês que estão perdendo, não a gente!

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Whiplash! / Nos seus primeiros dois discos e dois singles há covers de bandas dos anos 80 não muito conhecidas. Vocês pretendem continuar fazendo isso nos seus trabalhos futuros?

Dronjak / Por agora pretendemos colocar só músicas nossas nos discos, mas nunca se sabe.

Whiplash! / Vocês gravaram músicas para os tributos ao Helloween, Dio e Accept. Que músicas? Quando os discos serão lançados? Ouvi dizer que o tributo ao Helloween foi cancelado, está certo isso?

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Dronjak / As músicas são "Head Over Heels" do Accept, "I Want Out" do Helloween e "Man On The Silver Mountain", do Dio, quer dizer, na verdade do Rainbow. Nós gravamos tudo nos estúdios de Kai Hansen em Hamburgo, Alemanha, e nós tivemos um convidado especial em cada música, para fazê-las mais especiais. Para o tributo ao Accept, nós convidamos Udo Dirkschneider para cantar conosco. Ele o fez, e esse foi provavelmente o maior momento na minha carreira até agora! Esse tributo será lançado em junho ou julho. Nosso tour manager, AC, tocava bateria no Running Wild, alguns anos atrás, e ele é também um grande fã do Cozy Powell, então está tocando a música do Rainbow. O tributo sai esse ano, não sei exatamente quando. O tributo ao Helloween foi realmente cancelado, então decidimos lançar nossa versão de "I Want Out" como um single em agosto. É um dueto com Kai Hansen e Joacim Cans dividindo os vocais, e eu acho que ficou realmente muito bom!

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Whiplash! / Ainda falando de covers, nos shows aqui no Brasil vocês tocaram covers de "Breaking The Law" do Judas Priest e "Sleep" do Savatage. Vocês têm algum plano de gravá-las e lançá-las?

Dronjak / Não, "Breaking The Law" é só algo que fazemos nos fins de nossos shows para dar à audiência alguma coisa extra. Por isso trocamos de instrumentos, para ter diversão. "Sleep" foi só para completar o set acústico, não faremos isso em um show do HammerFall regular.

Whiplash! / Jesper Strömblad não toca mais na banda, mas é co-autor da maioria das músicas do HammerFall. Isso continuará no futuro? Qual é a sua importância para o som do HammerFall?

Dronjak / Jesper era um membro do HammerFall quando gravamos "Glory To The Brave", e Joacim, Jesper e eu escrevemos o disco juntos. Nós estávamos todos realmente confortáveis trabalhando juntos e queríamos meio que prolongar a mágica para o "Legacy Of Kings", e por isso continuamos a escrever músicas juntos, mesmo ele não mais sendo um membro da banda. Naturalmente, sua participação foi consideravelmente menor para o segundo álbum, usualmente restrita a um toque aqui, outro ali e alguns arranjos. Como ainda não começamos a trabalhar no próximo álbum ainda, não sei quanto ele participará no futuro. Mas, enquanto todos estiverem confortáveis com a situação e envolvidos, não vejo porque não continuar.

Whiplash! / Sobre as letras, a maior parte das músicas dos dois discos da banda tratam de assuntos relativos a "steel", "sword", "metal", etc. Muitas pessoas comparam vocês a HammerFall por causa disso, o que você acha? Vocês pretendem continuar a fazer esse tipo de letra?

Dronjak / As palavras não são tudo, o significado sob elas é o que interessa! Dito isso, eu concordo que o espírito das letras é meio Manowar; sempre fazer o que você acredita em, seguir seu coração, etc. Mas eles estão longe de estarem sozinhos nessa categoria. Heavy Metal precisa de letras Heavy Metal, e nossas músicas normalmente contam uma história. Elas também tem uma mensagem. Só porque o cenário é um campo de batalha, não quer dizer que isso é tudo que tem uma música, seja Manowar, HammerFall, ou o que for.

Whiplash! / Como foi a turnê norte americana com o Death? Poucas bandas de Metal tem feito turnês nos EUA recentemente, inclusive bandas americanas, como o Virgin Steele? O que você acha da situação do Heavy Metal lá?

Dronjak / A turnê foi muito boa, nós mostramos aos americanos como heavy metal é de verdade, nos opondo à merda que passa por metal no país atualmente. Foi mais uma promoção para nós do que qualquer outra coisa. Colocar nosso nome lá, fazer as revistas se levantarem e nos perceberem, pois muitas pessoas lá só acreditam no que vêem em revistas, em vez de pensarem por elas mesmas. Claro, nós tínhamos fãs nos shows também, e espero que tenhamos convertido pelo menos alguns outros todas as noites. Julgando dessa perspectiva, foi um sucesso.

Whiplash! / Como você compararia seus dois álbuns, "Legacy Of Kings" e "Glory To The Brave"? Qual seu favorito e quais suas músicas favoritas?

Dronjak / A diferença não é muito grande, se refere primordialmente à produção dos supracitados. Você poderia dizer que "Legacy Of Kings" é o irmão maior de "Glory To The Brave". Estou bastante orgulhoso dos dois discos, pois nunca deixo algo de lado até que esteja 100% satisfeito. Todas as músicas são muito pessoais e é impossível escolher uma favorita. Seria como perguntar a uma mãe ou pai qual seu filho favorito. Gosto muito de "Let The Hammer Fall" pois é o mais próximo de uma música completa que já tenhamos chego até o presente momento, mas todas as músicas têm algo especial, por isso fica impossível deixá-las para trás. Por isso é tão difícil escolher as músicas que tocaremos ao vivo.

Whiplash! / Como o nome HammerFall foi escolhido? O nome tem algum significado especial para alguém na banda?

Dronjak / Quando comecei a banda, em 1993, queria um nome que fosse instantaneamente reconhecido como heavy metal. Queria um nome poderoso, original e que fosse fácil para lembrar. Daí veio HammerFall.

Whiplash! / No começo o HammerFall era um projeto com membros do In Flames e Dark Tranquility. Como a banda se tornou maior, pelo menos comercialmente, do que as duas bandas, e não tem mais nenhum membro das duas bandas?

Dronjak / Nunca estive em nenhuma das duas bandas, toquei numa banda chamada Crystal Age. Quando nós conseguimos um contrato com gravadora, o Crystal Age estava agonizando e o HammerFall não tinha mais membros do Dark Tranquility. Quando terminamos a gravação, Joacim e eu - os únicos no HammerFall sem outra banda - decidimos que queríamos ver até onde poderíamos chegar com o HammerFall. Para conseguir isso, precisávamos membros que tivessem essa banda como sua máxima prioridade. Os outros decidiram continuar com suas bandas, então tivemos que achar substitutos para eles. A partir daí meio que virou uma bola de neve.

Whiplash! / Os últimos membros a entrarem no HammerFall foram Magnus Rosén e Anders Johansson. O que aconteceu com Fredrik Larsson e Patrick Rahfling e como vocês encontraram os novos músicos?

Dronjak / Fredrik deixou a banda por questões ditas na questão anterior. Um amigo tanto de Magnus como de Joacim nos deu o telefone de Magnus, nós o encontramos em uma cafeteria e o vimos tocando na mesma noite, e foi isso. Nosso baterista Patrick deixou a banda. Ele foi substituído temporariamente por Anders Johansson [ex-Yngwie Malmsteen, Johansson Brothers, etc] e é realmente ótimos o termos na banda.

Whiplash! / Stefan Elmgren é o guitarrista solo. Considerando que a maioria das músicas da banda são escritas por Dronjak/Cans/Strömblad e Elmgren nunca escreveu nenhuma música para a banda, é um pouco estranho que ele faça todos os solos. Você não quer fazer solos? Você acha que Stefan os faz melhor que você faria?

Dronjak / Stefan é um guitarrista extremamente talentoso e sua habilidade para solos é excelente! Ele é muito melhor nisso do que eu sou, e por isso ele os faz. Eu só toco um solo no "Legacy Of Kings", o primeiro solo na faixa-título, e eu faço o solo de William Tsamis em "At The End Of The Rainbow" ao vivo, e o dueto em "Stronger Than All", além das coisas do "Glory To The Brave". Sou o K.K. Downing do HammerFall.

Whiplash! / Por favor, comente sobre suas maiores influências como músico e compositor, e o que você tem escutado recentemente?

Dronjak / Minhas maiores influências vêm da cena alemã de Heavy Metal dos anos 80, mais notadamente bandas como Accept, Stormwitch e Helloween, mas também algumas não-alemãs como Judas Priest, Dio, Manowar, Iron Maiden e Warlord foram bastante importantes. Agora, acabei de ouvir o disco novo álbum do W.A.S.P., "Helldorado", e estava ouvindo um mais velho, "Inside The Electric Circus". Meu gosto musical é o mesmo que há 15 anos, as bandas antigas foram complementadas com outras novas, mas não substituídas. Algumas novas bandas que gosto são Alming High, do Japão, e Edguy, da Alemanha.

Whiplash! / O que você acha da atual cena sueca de Heavy Metal, considerando que desde os anos 80, a Suécia é um país de onde saem bandas muito importantes, e até mesmo criadoras de sub-estilos do Heavy Metal, como o metal neoclássico, com Yngwie Malmsteen, death metal melódico, com At The Gates, Therion, In Flames, Dark Traqnuility, etc, Doom Metal, com o Candlemass, e atualmente tem algumas bandas ótimas de heavy metal tradicional/ melódico/ progressivo, como Nocturnal Rites, Treasure Land, Mayadome, Memento Mori, Narnia, Destiny, etc?

Dronjak / Você esqueceu de duas das melhores bandas saídas do país, Europe e Heavy Load! É, o país tem tido muitas bandas de sucesso nesses anos, e eu gosto de muitas das supracitadas. Como sou muito fã de Yngwie Malmsteen, é muito bom ter Anders Johansson agora na banda!

Whiplash! / Nos singles de "Glory To The Brave" e "Heeding The Call" há ótimas músicas ao vivo. Há planos para um disco ao vivo da banda?

Dronjak / As músicas no "Heeding The Call" foram um presente para nossos fãs e um jeito de agradecer pelo suporte. Como era um single, duas músicas eram o suficiente, mas nós decidimos fazer mais. [N. do E.: O single tem 5 músicas, incluindo 3 ao vivo e um cover, de "Eternal Dark", do Picture]. Lançar um disco ao vivo depois de apenas dois discos acho que pareceria e seria como roubar nosso fãs, então não pensamos nisso. Talvez depois de mais alguns discos de estúdio, mas isso é um futuro distante. Se decidirmos gravar um disco ao vivo, com certeza consideraremos gravá-lo no Brasil!

Whiplash! / "At The End Of The Rainbow" foi escrita em parceria com Andy Mück (Stormwitch) e tem participação especial de William Tsamis (Ex-Warlord). Como foi trabalhar com eles, e vocês têm planos de novas participações especiais ou algo do tipo no futuro?

Dronjak / Como somos muito fãs de Stormwitch e Warlord, essa foi uma oportunidade de ouro que não poderíamos deixar passar! Foi verdadeiramente uma honra ter os dois participando de nosso álbum, de um jeito ou outro! Como disse antes, ainda não começamos realmente a trabalhar no nosso próximo álbum, então é impossível dizer o que acontecerá, mas, até agora, não nos vejo trabalhando com mais ninguém no departamento de composições. Mas, para convidados especiais, bem, nós apenas teremos que esperar e ver!

Whiplash! / Por favor, deixe uma mensagem para seus fãs brasileiros.

Dronjak / Bem, obrigado pela entrevista, Mário! Tocar no Brasil foi fantástico e gostaria de aproveitar essa oportunidade para agradecer a todos que foram aos shows, espero que vocês tenham se divertido! Com certeza nós nos divertimos! Sempre acreditem e nunca se esqueçam: A Metal Heart is Hard To Tear Apart! Vejo-os na próxima vez!

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