Alex Martinho - Entrevista exclusiva com o guitarrista

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Entrevista com Alex Martinho, guitarrista brasileiro, que lançou seu primeiro CD em Novembro de 1994 e agora, depois de tocar mais de um ano na banda de Celso Blues Boy, procura gravadora para seu segundo CD solo. Entrevista concedida a Thiago Corrêa.

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Whiplash! / Qual é o custo para se produzir um CD hoje? De quanto você precisa mais ou menos e quais as principais dificuldades que tem encontrado nessa BUSCA por uma gravadora?

Martinho / São relativamente altos os custos para se produzir um CD - pelo menos para um músico. A hora de gravação em um estúdio de boa qualidade não sai por menos de R$ 35, e um trabalho instrumental como o meu, que envolve arranjos mais elaborados, com diversos "overdubs" de guitarra, e outros efeitos, não demoraria menos de 80 hs entre gravação e mixagem. Isso daria um total de por volta de R$ 2.800, no mínimo. A próxima etapa, a masterização, ficaria em torno de no mínimo R$ 500,00, e a prensagem de 1.000 cópias, sem encartes muito elaborados e coloridos, por volta de R$ 2.000. Isso, sem contar as despesas com a produção da parte gráfica, entre outras que podem ser necessárias, como o pagamento dos músicos, transporte, alimentação, etc.. No final, acho que o orçamento seria de, no mínimo, R$ 6.000,00. Já para uma gravadora, como uma empresa, esse custo já pode ser bem mais em conta, através de descontos por quantidade, entre outras negociações que a mesma tem a facilidade de fazer. Além disso, em muitos casos o retorno do investimento e os lucros são enormes e vêm rápido - por exemplo, se apenas fossem vendidos esses 1.000 CDs, e a gravadora ficasse com R$ 10 da venda de cada um, o lucro seria de R$ 4.000, no mínimo, levando-se em conta os valores acima. Para o músico independente, que teria problemas principalmente com a divulgação e a distribuição, o retorno seria bem mais demorado. No caso do meu 1o. CD, as 1.000 cópias que foram prensadas foram vendidas ao longo de 1 ano - e desde então, mesmo com a procura enorme por parte de várias pessoas que me abordam em shows, por telefone ou por e-mail, eu não consegui uma gravadora que me apoia-se para uma reprensagem, e a futura produção de meu 2º CD, que já está completamente pré-produzido. Eu parti do zero, e tive de investir a grana da venda dos CDs, pouco a pouco, em minha própria carreira. Hoje já consegui algum reconhecimento da mídia e público especializados, mas o problema é que as gravadoras que procurei (e foram muitas!) parecem não "enxergar" muito o potencial que esse tipo de som teria, preferindo apostar em estilos mais "digeríveis", como dance, pagode e música baiana. Mas ainda tenho esperança que essa situação aos poucos se reverta, e estou batalhando para contribuir nessa virada. De todo modo, se não conseguir apoio ainda esse ano, vou tentar fazer independentemente mesmo.

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Whiplash! / O cenário da guitarra no Brasil vem se expandindo, mas mesmo assim ainda não é dado o devido valor a artistas como você, Frank Solari e Zuzo Moussawer, certo?

Martinho / Certo, e muito porquê falta mais apoio e divulgação para o grande público do trabalho nosso e de tantos outros músicos excelentes que batalham no "underground". Músicos como Joe Satriani e Steve Vai lotam arenas e vendem milhões de discos, tanto nos EUA, como na Europa, Japão e mesmo na América Latina - eu mesmo estive no Metropolitan (maior casa de espetáculos do RJ) lotado nos shows de ambos. Será que para o artista nacional de qualidade, desde que tão divulgado e apoiado como eles, a história seria diferente? Tive meu 1º trabalho elogiado por praticamente toda a imprensa especializada nacional, como a Rock Brigade, a Cover Guitarra, a Backstage, a On&Off e a Dynamite, e também pela Guitar Player americana. Será que não há uma infinidade de pessoas que leram essas matérias que teriam a curiosidade de ouvir meu trabalho, aqui e no exterior? Falta realmente conscientização das gravadoras, para tamanho mercado inexplorado.

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Whiplash! / Com quantos anos você começou a tocar guitarra? Alguém, em especial, o levou a estudar música?

Martinho / Comecei em 1985, aos 13 anos, influenciado principalmente pelo Rock in Rio, que foi um grande marco no sentido de "popularizar" de vez o rock por aqui. Na época, meu irmão (Rodrigo Martinho, hoje baterista da banda de Alex) pediu de presente aos meus pais uma guitarra de presente, mas após poucas tentativas se desinteressou. Eu então me interessei em aprender e depois de algum tempo, o convenci a tocar bateria, pois assim nós poderíamos tocar junto...

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Whiplash! / Fale sobre suas principais influências musicais. Sejam guitarristas, baixistas, compositores clássicos, etc.

Martinho / Gosto muito, em termos de banda, do Rush, Van Halen, Dream Theater e Deep Purple - entre outras. Já em relação à guitarristas, Satriani, Vai, Vinnie Moore, Steve Morse e Eddie Van Halen - principalmente na era David Lee Roth.

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Whiplash! / Qual estilo você mais gosta de tocar?

Martinho / ROCK!!!!!! Mas também adoro tocar baladas mais "melódicas", como por exemplo "A Lenda", que é uma de minhas preferidas de meu CD.

Whiplash! / Como você descreveria a música que você toca para alguém que nunca ouviu?

Martinho / Música instrumental, com influências de rock, hard, blues e até uma pitada de clássico, nas quais procuro interpretar com o máximo de emoção as melodias e solos, usando o virtuosismo nos momentos certos.

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Whiplash! / Em 1993/1994 você lançou seu primeiro disco, cheio de melodias marcantes, técnica e feelin'. Conte nos mais sobre o mesmo... sobre as músicas que mais gosta, as que deram mais trabalho de composição, etc...

Martinho / Como eu já citei, eu comecei a tocar em 85, mas a grande oportunidade de minha vida, e que foi uma grande virada realmente foi quando eu pude ir, em 1991, estudar no GIT (Musicians Institute - Los Angeles/EUA). Até então eu tinha uma banda de "covers" de hard rock, e até por não ter conhecimento técnico nem teórico suficientes, não tinha o trabalho instrumental ainda. Fui para lá com o apoio principalmente do meu grande amigo e também guitarrista Marcelo "Marky Mark" Gomes, que hoje é engenheiro de som e co-produtor do Steve Vai. Ele já morava lá, me incentivou a ir, e fez o curso comigo, na mesma turma. Lá na escola é que eu comecei a trabalhar nas músicas instrumentais, formando uma banda com outros alunos. Nos apresentamos diversas vezes no palco da escola, e nessa época compus "Meu Caminho", "Na Noite Escura", "A Lenda" e "Perto dos Sonhos", do CD. Resolvi retornar ao final do curso, em 92, para tentar a sorte por aqui mesmo. Aí veio o contrato para esse 1º disco pelo selo da prefeitura da minha cidade (Niterói) - o Niterói Discos - que visa a apoiar os artistas da cidade, bancando todo o processo de produção e gravação de 1.000 CDs. Daí, com uma banda montada (Rodrigo Martinho na batera e Fabio Lessa no baixo), os CDs embaixo do braço, e muita disposição, parti para a luta...

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Whiplash! / Você mostra um versatilidade incrível em seu primeiro álbum, se saindo muito bem em vários estilos. De onde vem toda essa criatividade e inspiração?

Martinho / O principal fator para a formação de seu próprio estilo é ouvir atentamente os músicos que você gosta, tirar seus solos e melodias, e, com bom gosto principalmente, mas também muita ralação na parte técnica e de aprendizado de teoria, procurar colocar para fora, do seu próprio jeito, com a maior emoção possível, a música que vem de dentro de você, e que se formou a partir de suas influências. Eu procurei seguir isso, e aconselho a qualquer outro músico a fazer o mesmo.

Whiplash! / Seu primeiro álbum recebeu elogios e mais elogios de músicos do Brasil, Estados Unidos e outras partes do MUNDO. Como você se sentiu?

Martinho / É muito recompensador! Na verdade, esse reconhecimento da mídia e do público é que não me deixa desistir, apesar de todas as enormes dificuldades dessa vida de músico instrumental por aqui.

Whiplash! / Seus temas são bem MARCANTES. Como faz pra trabalhar tanto a melodia? Conte nós como é seu processo de composição.

Martinho / Ouvir a música que vem de dentro - esse é o caminho! Mas, logicamente, você deve se organizar para não deixar passar despercebido uma grande idéia ou inspiração. Eu tenho um caderno pautado, e também um gravador cassete portátil, que estão sempre por perto. Boas idéias podem surgir nas horas mais inusitadas, e o que eu faço é gravar e/ou anotar TODAS as idéias musicais que forem surgindo. Muitas eu ouço posteriormente e descarto, algumas eu uso em uma música meses depois, outras uso de imediato. Mas, sempre, tenho uma boa penca de idéias que, se eu não guardasse, em boa parte se perderiam com o tempo - muitas vezes de um dia para o outro!

Whiplash! / No seu primeiro álbum, a coisa que mais me chamou a atenção foram os arpejos e ligados muito BEM colocados e LIMPOS, seguindo a harmonia da música. São técnicas às quais você se dedica mais ou já tem certa facilidade com as mesmas?

Martinho / Um pouco de cada - eu já me dediquei bastante, mas agora elas fluem de modo mais natural. Como com qualquer técnica, nada substitui a ralação, mas com certeza alguns guitarristas têm mais facilidades com umas que com outras.

Whiplash! / Alguma técnica te apresentou mais dificuldades e/ou obstáculos? Qual? Como superou essas dificuldades?

Martinho / Todas no início parecem "impossíveis" de se superar. No entanto, acredito que um estudo persistente e bem feito resolve qualquer problema nesse sentido, é só dar tempo ao tempo.

Whiplash! / O que você tem escutado? O que mais te chamou a atenção nos últimos tempos? Cite bandas/artistas do cenário brasileiro e estrangeiro também.

Martinho / Tenho ouvido alguns guitarristas mais "blues" atualmente, e um cara de quem gostei muito foi o Kenny Wayne Shepherd. Tenho ouvido bastante Steve Ray Vaughan também. Por aqui, gostei muito do último disco da banda V8 ("No Conventions"), que conta com os excelentes músicos Sydnei Carvalho (guitarra), Maurício Leite (batera) e Jotinha (baixo e vocais).

Whiplash! / O que você procurou melhorar de 94 para cá? O que podemos esperar das novas composições de Alex Martinho?

Martinho / Com certeza, o processo de composição também é um aprendizado. Hoje me preocupo ainda mais com a qualidade das melodias, e me considero bem mais maduro nesse aspecto que 94. Estou apostando muito nesse trabalho, que acredito terá ótimos resultados, e agradará bastante aos apreciadores do gênero.

Whiplash! / Por onde você andou de 94 pra cá? Em quais bandas tocou?

Martinho / Além de shows e workshops com a Alex Martinho Band, toquei com a banda de hard rock Anéis de Saturno de 95 até 98, e hoje toco na banda de Celso Blues Boy, como 2º guitarrista.

Whiplash! / Como foi a experiência de tocar com essas bandas?

Martinho / Tinhamos um trabalho próprio no Anéis, mas agora estamos para reformular a banda, e temos alguns shows marcados num "Tributo ao Led Zeppelin", que era uma de nossas maiores influências. Com o Celso, toco desde 98, e o mais legal é a oportunidade de viajar por todo o país, e tocar em lugares enormes, para milhares de pessoas, como no próprio Metropolitan e no Palace (SP). Embora eu seja o 2º guitarrista (o Celso é o principal), ele me dá a oportunidade de abrir os shows com 1 ou 2 instrumentais, o que pelo menos me ajuda a divulgar um pouco meu trabalho também. Alias, a banda que o acompanha no momento é a mesma minha: eu, Rodrigo e Fabio.

Whiplash! / Qual o equipamento que você usa atualmente?

Martinho / Principalmente uma Ibanez RG 570 com captadores Di Marzio - que é a mesma que gravei o 1º CD, e como amplificação um Line6 modelo AxSys212.

Whiplash! / Qual conselho você daria para quem está começando a tocar guitarra agora?

Martinho / Deixei várias dicas durante a entrevista, como o método de composição e de estudo, mas complemento deixando um incentivo: nada é impossível! Tenham paciência, se dediquem, e vocês chegam lá!

Whiplash! / Por último, deixo o espaço livre para você fazer qualquer declaração, divulgação, ou o qualquer outra coisa que quiser. O espaço é todo seu...

Martinho / Não deixem de visitar o meu site, onde há mais informações, como releases, fotos, músicas, e mesmo dicas e lições para guitarristas. O endereço é http://www.martinho.com. Valeu, e mantenham contato!

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