Bootlegs: como surgiram e porque duram até hoje

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Por Marcelo Raggi, Fonte: Wikipedia
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Bootlegs são gravações de áudio ou vídeo do trabalho de um artista ou banda musical, podendo ser realizadas diretamente de um concerto ou de uma transmissão via rádio/televisão. Estes últimos podem incluir entrevistas e materiais inéditos, que foram descartados por serem considerados inadequados para um produto comercial, bem como passagens de som, ensaios, etc.

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O termo bootleg tem sua origem na famosa obra da literatura inglesa As Viagens de Gulliver, escrita em 1726 por Jonathan Swift, onde no mundo "smuggling", os "smugglers" (contrabandistas) escondiam o contrabando dentro de baús, balsas e canos de botas ("boots"), para não serem presos. Com o passar do tempo, o "boot", passou a ser gradualmente usado como adjetivo para descrever artigos de origem dúbia (envolvidos em algum tipo de atividade criminal) e acabou por se tornar um termo conveniente para esses tipo de gravações emitidas por selos independentes, uma vez que são realizadas sem o consentimento do artista ou da gravadora dona dos direitos autorais. Inicialmente, os bootlegs eram feitos em vinil e/ou em fitas cassetes. Atualmente, os bootlegs são difundidos em CDs ou disponibilizados na Internet sob a forma de download digital gratuito.

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O grupo britânico The Beatles foi um dos grupos de rock com mais bootlegs da história da música. Um dos primeiros bootlegs dos Beatles vendido foi o Kum Back. Neste, o engenheiro de som Glyn Johns mixou diversas versões de músicas gravadas para o álbum Let It Be.


Nos Estados Unidos, o primeiro bootleg comercializado foi The Great White Wonder, do músico Bob Dylan, gravado em estúdio com os músicos do The Band. Ambos os bootlegs datam de 1969.


Em 1970 foi lançado o Live On Blueberry Hill do grupo de rock, Led Zeppelin, um dos primeiros bootlegs gravado ao vivo. Outros bootlegs famosos da época são The Greatest Group on Earth dos Rolling Stones e a versão bootleg do álbum Smile, dos Beach Boys.


Durante a década de 1970, a indústria do bootleg expandiu-se. As gravações ao vivo, ainda que fossem as mais comuns, possuíam qualidade ruim, já que eram feitas em meio ao barulho e gritos da multidão. Outros bootlegs eram feitos diretamente da cabine de som do artista, geralmente sem o consentimento da equipe que trabalhava nos concertos. As capas dos bootlegs também tinham qualidade ruim.


Com o tempo, não só as gravações como as capas foram sendo aperfeiçoadas. Surgiram grandes selos de bootlegs como a Swinging Pig e Yellow Dog, cujos álbuns além de terem qualidade boa apresentavam uma capa mais elaborada e trabalhada.

Conceitualmente, "bootlegging" (produzir, distribuir, ou vender bootlegs") não deve ser confundido com a pirataria. Pirataria é o ato de fazer e negociar cópias ilegais de material oficialmente disponível. Os materiais contidos nos bootlegs não foram ainda lançados comercialmente, não estando, portanto, disponíveis para compra, embora em alguns casos possa ser observada a ocorrência de um registro comercial simulando uma tiragem oficial (uma raridade).

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Porém, devido à disponibilidade dos CD-R, a maioria deles somente está disponível através de linhas "não-oficiais" das comunidades, em um esquema em que não há envolvimento financeiro, baseado na troca 2:1 (dois CD-R vazios para cada CD-R gravado).

Era comum nos anos 1970, 1980 e 1990 colecionadores dispenderem de vultosas quantias para obterem alguma gravação de seu artista favorito. Alguns bootlegs possuíam edições muito limitadas, o que o tornava mais concorrido e valioso. Fãs faziam trocas entre si para obter o máximo de gravações possíveis. Trocava-se cópias em fita cassette e VHS, que por serem mídias analógicas, quanto mais eram multiplicadas, maior era o desgaste de qualidade e, portanto, sempre era - e ainda é - importante indicar a que "geração" pertencia a gravação, como por exemplo: "2ª geração = cópia da cópia da fita mestre". Com a introdução das primeiras mídias digitais, como o DAT e o MiniDisc, as gravações das mídias mestres seriam exatamente as mesmas em suas duplicatas, já que a perda de qualidade era quase zero. O meio de envio geralmente era pelos correios. Hoje, com a Internet, é possível obter bootlegs sem despesas de envio e de mídias. O protocolo P2P (Peer To Peer) garantiu o fácil compartilhamento entre os usuários.

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