Eddie Kramer contou o que o Kiss negou por anos sobre o disco ao vivo "Alive!"
Por Lucas Caldeira
Postado em 28 de setembro de 2026
Por muitos anos, o Kiss negou que "Alive!", o disco ao vivo lançado em 1975, tivesse recebido overdubs. O produtor Eddie Kramer contaria uma versão bem diferente. Segundo ele, "Alive!" foi o disco ao vivo do Kiss que mais exigiu correções em estúdio, a ponto de só a bateria de Peter Criss ter ficado sem overdubs adicionais.
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A banda tinha motivos pra querer um disco assim. Nenhum dos três álbuns de estúdio do Kiss tinha chegado ao Top 30, e o grupo não conseguia reproduzir em estúdio a energia dos shows. A gravadora, a Casablanca, também passava por dificuldades: no fim de 1974 tinha lançado um álbum duplo com trechos do "Tonight Show", de Johnny Carson, que fracassou nas vendas. O empresário Bill Aucoin colocou dinheiro do próprio bolso na turnê em que os shows seriam gravados.
Os shows que serviram de base foram gravados entre maio e julho, em Detroit, Cleveland, Davenport e Wildwood, em Nova Jersey. O material bruto trazia um problema. Kramer explicaria depois que o Kiss se movimentava demais no palco pra manter afinação e precisão, e Gene Simmons diria que, naquela época, ficava tão tomado no palco que cometia muitos erros no baixo. Kramer resumiu a solução assim: "Tivemos que criar esse disco a partir dos shows ao vivo, com overdubs de guitarra".
O trabalho aconteceu no Electric Lady Studios, em Nova York. Ace Frehley escreveria na autobiografia "No Regrets" que a banda passou a maior parte de três semanas ajustando e retocando as músicas, às vezes fazendo overdubs em músicas inteiras, e que ninguém escapou por completo: houve momentos em que Kramer não gostava do que ouvia nos vocais de Paul Stanley ou de Gene. Até a plateia recebeu tratamento. Segundo relatos, Kramer emendou os melhores aplausos e gritos de shows diferentes, e o Rolling Stone Album Guide chegou a comentar o som artificial do público.
A reconstrução de "Alive!" acontecia praticamente ao lado de outro disco ao vivo. No estúdio vizinho, Peter Frampton mixava "Frampton Comes Alive!". Em entrevista à revista Guitar Player, em 2005, Frampton contou que Paul e Ace apareciam com frequência pra pedir guitarras, amplificadores e baixos emprestados enquanto trabalhavam nos consertos do disco do Kiss. Kramer também se lembra de ter visto amplificadores de Frampton no estúdio A, ao lado dos Marshall que Ace e Paul usavam.
"Alive!" chegou ao nono lugar da Billboard 200, ficou 110 semanas nas paradas e ganhou disco de ouro em dezembro de 1975, o primeiro do Kiss. O álbum foi o primeiro da Casablanca a chegar ao Top 10, deu à gravadora o sucesso de que precisava naquele momento e ajudou a pavimentar o caminho pro boom do fim da década.
Um disco ao vivo costuma prometer o registro de uma noite específica. "Alive!" reuniu material de shows gravados em quatro cidades, cerca de três semanas de retoques em estúdio e aplausos emendados de plateias diferentes. Falando anos depois sobre os overdubs, Kramer disse: "Quem se importa se teve overdub? A energia ainda se sente."
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