Loss: sonoridade calcada no Stoner mas com referências a outros subgêneros do som pesado
Resenha - Human Factor - Loss
Por Alexandre Veronesi
Postado em 09 de fevereiro de 2025
Fundada em 2020 na cidade de Belo Horizonte/MG, a banda LOSS vem obtendo boa notoriedade nos últimos tempos e fazendo um certo barulho dentro da cena local. Partindo de uma sonoridade majoritariamente calcada no Stoner Metal (executado à moda antiga, é bom dizer), mas com diversas referências a outros subgêneros do som pesado, o grupo conta com um time de músicos bastante gabaritados: Marcelo Loss, idealizador e ex-integrante do Concreto, responsável por vocal e baixo; Adriano Avelar, ex-Caxakustica, na guitarra; e Teddy Bronsk, membro fundador do lendário WitchHammer e ex-Concreto, comandando as baquetas.

2 anos após o lançamento do 'debut album' "Storm" - e 4 passados do EP "Let's Go" - o trio retorna com seu novo e mais ambicioso projeto, batizado de "Human Factor", que se encontra disponível ao público desde Agosto de 2024. Condensado em singelos 36 minutos, o repertório de 11 faixas começa com "Reboot", introdução composta por ruídos de máquina que cuidadosamente se fundem à cantos indígenas, uma citação ao tema 'homem X tecnologia' que permeia todo o material, abrindo caminho para a pujante "Segredos", a primeira de duas cantadas em nossa língua nativa - que particularmente me remeteu à sonoridade do Carro Bomba - logo cedendo lugar a "Hold Me", canção com boas variações de cadência e quebras no andamento, na qual baixo e bateria pontuam em momentos chave; já "Leaving" tem início com uma breve introdução tribal, e aqui mais uma vez há grande destaque para o baixo, além de um riff de guitarra que figura entre os melhores do play.
"Material Delight" bebe na fonte do Black Sabbath sem nenhum pudor, sendo uma canção arrastada e com muito peso, onde Marcelo Loss demonstra excelente performance vocal. A rápida balada 'Southern Rock' intitulada "Right Or Wrong", de pouco mais de 1 minuto, precede "The Storm" - com seu riff principal rápido e marcante, além do solo simples e altamente efetivo - e "Deus", uma porrada 'mid-tempo' em português, que definitivamente soa como algo que Zakk Wylde faria no Black Label Society.
Na sequência vem "Novena", uma vinheta que traz nova alusão à cultura indígena, com violões, batuques e sons da natureza, lembrando o que o Sepultura fez em "Kaiowas". "The Mirror" surge ainda no clima da faixa anterior, contendo um pouco mais de groove que as suas predecessoras, além de interessantes momentos da seção rítmica. Temos então a faixa-título, a derradeira "Human Factor", um verdadeiro petardo na linha Heavy Metal clássico, desde o seu riff inicial / central até a estrutura harmônica como um todo, com passagens velozes e (provavelmente) o refrão mais marcante do álbum.
A qualidade sônica do álbum se evidencia, e não à toa: a mixagem e a masterização ficaram a cargo de ninguém menos que Tue Madsen, profissional que já atuou com nomes do calibre de Rob Halford, Behemoth, Vader e Meshuggah. O disco contou também com as participações especiais do multi-instrumentista Johnny Herno em "Novena", e Alan Wallace (Eminence), que foi o autor da introdução "Reboot".
"Human Factor" foi lançado em CD pela Som do Darma, e se encontra disponível também em todas as plataformas de streaming.
Tracklist:
01 - Segredos
02 - Hold Me
03 - Leaving
04 - Material Delight
05 - Right Or Wrong
06 - The Storm
07 - Deus
08 - Novena
09 - The Mirror
10 - Reboot
11 - Human Factor
Formação:
Marcelo Loss - vocal e baixo
Adriano Avelar - guitarra
Teddy Bronsk - bateria
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