Hellway Train: mais maduro e pesado, grupo de speed/heavy metal lança primeiro disco
Resenha - Borderline - Hellway Train
Por Mário Pescada
Postado em 20 de maio de 2024
Nota: 8 ![]()
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Desde o ótimo EP "Lockdown Reborn" (2021) que venho seguindo de perto o HELLWAY TRAIN no aguardo do seu disco de estreia, que enfim saiu: batizado de "Borderline" (2024), o debut foi lançado em abril desse ano, depois de oito meses de produção.

O grupo mineiro de speed/heavy metal vinha lançando, como de costume, singles para movimentar suas redes sociais e manter o nome ativo, estratégia bem-vinda, afinal, há uma infinidade de lançamentos hoje em dia graças ao formato digital e a concorrência pela atenção do público é alta. E pelos ótimos singles "Born To Rock Hard" e "Bounded To Devour", lançados ano passado, a expectativa de que viria algo bom era alta e, felizmente, se realizou.
"Borderline" (2024) apresenta uma banda mais madura, não só pela passagem do tempo, mas também pelas experiências adquiridas em estúdio e na estrada. Além de novos elementos, como o uso de sintetizadores, o visual está bem mais heavy metal do que o que vinha sendo adotado antes - vide o do vocalista Marc Hellway.
Mudanças, mas mantendo as profundas raízes de JUDAS PRIEST, ACCEPT e da NWOBHM. O que senti mais de diferente mesmo em relação ao lançamento anterior foram as partes de guitarra do criativo Vinícius Thram, que também divide as composições com Marc. Aqui ele aparece "mais solto", com mais destaques para sua guitarra (um pouco estridente em alguns momentos, é verdade), como na instrumental "Outbreak" (jurava que em algum momento fossem entrar os vocais) e "Ghost (Over The Night)", que alterna partes lentas e outras mais rápidas.
Abordando temas que tratam da loucura/sanidade, mais a estética do BDSM (conjunto de práticas sexuais com submissão e dominação), o HELLWAY TRAIN novamente contou com a produção de André Cabelo (vocal/guitarra do CHAKAL e produtor de um monte de boas bandas mineiras) durante boa parte do ano passado e que também aparece creditado pelos teclados/sintetizadores. Os amigos John Laporte (GYPSY TEARS), Pedro Nicolau (THE HARPIA), Liniker Moura (TERCEIRA GUERRA, POSTURA) aparecem como backing vocais.
O que mais gosto no grupo é quando eles recriam aquela aura do heavy metal oitentista, aí não tem erro, os caras sabem mesmo criar faixas matadoras, como "Hell On Earth" e "Bounded To Devour" que têm uma clássica pegada heavy metal estilo JUDAS PRIEST. Saindo da zona de conforto, digamos assim, "Born To Rock Hard" vai funcionar muito bem ao vivo graças ao seu refrão grudento (escutou uma vez, já era, vai ficar ecoando na sua cabeça) e "Cold Town" é talvez a faixa mais diferente do que a banda vinha lançando até então, graças ao seu andamento mais truncado.
Lançado em todas as plataformas de streaming, o disco também saiu em CD pela Classic Metal Records em uma versão bem caprichada que traz ainda como bônus a faixa "Solidão", cover do AZUL LIMÃO, lançada originalmente no EP "Ordem & Progresso" (1987).
Formação:
Marc Hellway: vocais
Vinícius Thram: guitarra
Chris Maia: baixo
Jon Alberth: bateria
Faixas:
01 Boiler Room (intro)
02 Hell On Earth
03 Born To Rock Hard
04 Bounded To Devour
05 Outbreak (instrumental)
06 Ghost (Over The Night)
07 When Love Becomes A Lie (instrumental)
08 Cold Town
09 Gateways To Arkham Asylum
10 Solidão (AZUL LIMÃO cover)
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