Wayfarer: da improvável fusão de black metal com western, surge um dos melhores discos do ano
Resenha - American Gothic - Wayfarer
Por Mário Pescada
Postado em 08 de dezembro de 2023
Nota: 9 ![]()
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Entramos em dezembro, mês que indica que o ano caminha mesmo para seu fim, mas, como tem sido uma constante para mim, ainda dá tempo de encontrar pelo caminho bons discos, desses que chegam a mexer com sua lista de "Melhores do Ano".
"American Gothic" (2023), o quinto disco dos norte-americanos do WAYFARER, é uma agradabilíssima surpresa com sua improvável, mas incrível fusão de black metal, gothic, folk e western, elementos que a primeira vista não teriam ligação nenhuma, mas que na mão do grupo, se transformaram em ouro.

O quarteto é radicado em Denver, capital do Colorado/EUA. A influência do western sobre a música do grupo é fruto dos diversos museus, parques, restaurantes e eventos anuais que celebram, com orgulho, as raízes locais. Além da música em si, a banda faz questão de manter também na sua imagem suas referências: seja pelas fotos de divulgação dos seus integrantes usando chapéus, pesados sobretudos e armas de fogo, passando pela arte dos seus discos, com o encarte simulando um antigo jornal até os vídeos clips, sempre há uma referência ao passado - o bonito vídeo para "To Enter My House Justified" é praticamente um curta do velho oeste americano.
Fazendo bom uso da vertente do atmospheric black metal, o grupo dosa trechos viajantes, vocais quase sussurrados, bases mais cadenciadas com o lado mais bruto do estilo, com muitos bumbos duplos, blast beats e vocais rasgados. O disco não é um conto western tradicional, abordando mocinhos, bandidos e donzelas indefesas: suas letras são bem mais profundas, abordando a passagem do tempo, a morte e conflitos. "Este disco serve como um funeral para o sonho americano. O que temos agora é um mundo cheio de perfuradores de petróleo e barões das ferrovias. Ladrões de gado e homens de companhia. Este é o novo gótico americano", diz o quarteto em uma chamada.
Sob os comandos do produtor e músico Arthur Rizk (participante em uma série de discos, como CAVALERA CONSPIRACY, SOULFLY, KREATOR, etc. e produtor de CRO-MAGS, CRYPTA, ENFORCED, GO AHEAD AND DIE, etc.), tem produção impecável, com todos os instrumentos, das guitarras ao uso de slide guitar/banjos, aos vocais ora rosnados, ora cantados, tudo bem equilibrado, em plena harmonia.
Todas as músicas carregam uma melancolia, algumas mais, como as belas "A High Plains Eulogy" e "False Constellation"; outras trazem mais peso, como "Black Plumes Over God's Country" e "The Cattle Thief". "The Thousand Tombs Of Western Promise" com slide guitar/banjo e "To Enter My House Justified" são perfeitas, trazendo peso e lentidão. "Reaper On The Oilfields" se assemelha a uma marcha fúnebre, onde vocais distorcidos dão um ar sinistro a faixa.
"American Gothic" (2023) foi lançado pela Profound Lore Records e Century Media Records. Um trabalho muito acima da média, e não é só minha opinião, não: a respeitável Decibel Magazine colocou o disco como o terceiro melhor lançamento do ano!
Sente-se, sirva-se de um bom whisky como se estivesse em um velho saloon, aumente o som e cavalgue pelo velho oeste norte-americano...
Formação:
Shane McCarthy: guitarra, vocais
Isaac Faulk: bateria, percussão, teclados
Jamie Hansen: baixo, vocais
Joe Strong-Truscelli: guitarra
Faixas:
01 The Thousand Tombs Of Western Promise
02 The Cattle Thief,
03 Reaper On The Oilfields
04 To Enter My House Justified
05 A High Plains Eulogy
06 1934 (instrumental)
07 Black Plumes Over God's Country
08 False Constellation
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