Landfall: Resenha do álbum de estreia da banda brasileira de hard rock
Resenha - Turning Point - Landfall
Por Luis Rios
Fonte: The Rock Life
Postado em 16 de novembro de 2020
Nota: 9 ![]()
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Não sei se vocês são como eu, que tenho um gosto mais eclético dentro da seara do Rock and Roll. Há momentos em que estou mais propenso a ouvir um "Hardão", em outros, um "Progressivo" e, às vezes, um som mais extremo. Quando fiz a primeira audição desse debut album do Landfall, estava num momento mais voltado a ouvir algo mais melódico. Caiu como uma luva! The Turning Point é aquele álbum que traz a essência do "Melodic Rock" e pitadas muito bem caprichadas de "Hard Rock". A banda curitibana assinou com a Frontiers Music SRL e gravou um álbum extremamente bem elaborado. Lembrando Dokken, White Lion, John Lynn Turner, Gotthard, Pride of Lions, Khymera e outras do gênero, como as mais atuais Lionville e Perfect Plan!
Gravadora: Frontiers Records
Data de lançamento: 4/09/2020
Gênero: Hard Rock
País: Brasil
Apresentando uma pegada bem original, o Landfall nos brinda com músicas estilosas, melodias cativantes, letras positivas e, principalmente, um guitarrista com uma timbragem própria e solos equilibrados e emocionantes, o que me chamou muita atenção. Marcelo Gelbcke, traz riffs simplesmente deliciosos e contendo uma classe que, ao ouvir, te passa a sensação de prazer e alegria que só uma ótima banda de AOR/Melodic pode proporcionar. O vocalista Gui Oliver, que já teve passagem pela banda Auras, mostra um entrosamento claro e preciso com as melodias de guitarra e teclado e canta com afinação, mostrando agudos não tão potentes, mas muito bem encaixados com os tons mais altos e médios dos arranjos.
Uma linda e agradável voz. O baixista Thiago Forbeci foi o último a se juntar aos outros e conseguiu formar o pilar de sustentação do som do Landfall, juntamente com as batidas e ótimas conduções de Felipe Souzza. Este último é amigo de infância do guitarrista Marcelo. Desde seus 15 anos de idade, o guitarrista e baterista tocam juntos e, agora com a nova banda, mostram todos os seus atributos em um trabalho que realmente agrada do início ao fim. A audição transcorre fazendo você ter vontade de escutar a próxima canção sem querer trocar o disco ou pular a faixa antes de acabar. O Landfall, que inicialmente se chamou Wild Child e gravou três álbuns, mudou o nome para W.I.L.D. e, finalmente, para o nome atual. A banda trocou de vocalista e, com isso, deu
um salto para um direcionamento que os levou a iniciar as composições para o que veio a se tornar o debut The Turning Point.
A temática e o próprio título do disco significam muito para a banda. Segundo Felipe, essa nova fase é uma mudança enorme nas carreiras dos quatro integrantes e as letras versam sobre a vida e a a agitação da cidade grande como uma selva urbana, mas sem perder a positividade. A banda gravou também alguns vídeo clips e lançou dois singles antes do lançamento oficial de The Turning Point, que foi no dia 04 de setembro de 2020. A produção é bem caprichada e, ouvindo o álbum com atenção, percebe-se um trabalho de altíssimo nível. Algo que me deixa muito feliz e crente de que mais e mais novas bandas brasileiras podem surgir no cenário internacional, assinando bons contratos com selos maiores e sendo artistas vistos com bons olhos pela comunidade do Rock. Outro exemplo positivo é a banda Electric Mob, também de Curitiba, e que é contratada do mesmo selo.
Rush Hour, que foi o primeiro single, abre o disco. Riff acelerado, música energética, com baixo e batera mantendo a cadência lá em cima, e ótimo solo de guitarra. Vocal limpo arriscando um tom mais alto. Começa muito bem. No Way Out traz outro riff acelerado, mas a canção tem uma quebra de andamento seguida de acelerações com uma linha de baixo excelente e backing vocals muito legais. Subiu o nível. Jane’s Carousel dá mais uma acelerada com um riff energético e quebra de cadência novamente com a guitarra trazendo uma variação de timbre. Efeitos de teclado muito elegantes e um refrão em que sobressai a voz de Gui. Complexa e marcante a canção. Across The Street é um daqueles hardões melódicos e empolgantes. A guitarra dá o tom novamente, a batera traz viradas e o refrão empolga também. Impressiona a variação melódica e como o baixo e a bateria dão a base nas quebras de andamento para que a guitarra de Marcelo crie a vontade. Que refrão emocionante. Um musicaço!!!
Don’t Come Easy entra com um lindo piano e um baixo marcando com uma linha intrincada. Belo vocal, pequenos solos e efeitos de guitarra de uma classe incrível, e a música cresce num riff lindo com o piano presente dando corpo a melodia. Que balada! Taxi Driver é rock and roll da melhor safra, com melodia e mais agressividade no vocal. Mudanças rápidas de andamento mostram o domínio da banda e a capacidade técnica individual dos caras. O riff dessa canção me lembrou as timbragens do Eduardo Ardanuy e os primórdios do Dr. Sin. Música estupenda! Nível ainda subindo… Distant Love é de destruir aqueles corações que gostam de um bom e velho melódico e AOR. Que melodia, que teclado ao fundo marcando. O vocal é lindíssimo de verdade, e dá vontade de ficar ouvindo várias vezes essa obra prima. O "riff" de guitarra que é apresentado no meio da canção e a entrada do refrão em seguida é digna de um Journey ou Boston. O solo é indescritível! A música é de chorar!!
Em Roundabout, Gui grita logo no início: "Here we go!". E vão seguindo e desfilando suas melodias e o disco não diminui! Não perde potência! Não desaponta! O baixo galopa na melodia e as harmonias de guitarra arrebentam. Música complexa tocada num tom mais alto, cadência média e com Felipe arrasando nas viradas. Road Of Dreams foi o segundo single do álbum, e que single! Um Hard Rock cadenciado, com uma intro espetacular e com o piano dando um toque clássico. Outra excelente linha de baixo surge lindamente. Surpreende ao longo do disco o trabalho consistente de Thiago nas quatro cordas. O solo de guitarra é curto e daqueles que você torce para não acabar. Os backings muito bem trabalhados também. Você acha que tá pouco? Já pode encerrar o álbum? Ainda não… Aí vem Hope Hill. Um som bem cadenciado, porém vibrante, positivo e com uma levada melodiosa. Um piano lindo e uma guitarra levemente funkeada. Aleluia, há esperança na música brasileira, mais precisamente no Rock brasileiro. Sempre houve! Não morrerá jamais… É uma canção tipica de arena! A galera vai acompanhar o refrão com palmas e cantar junto, enquanto Gui solta a voz ao longo da música!
Sound Of The City fecha e é das minhas prediletas do disco. "Se eu fechar meus olhos, o som da cidade continua a me manter vivo". Ele canta isso com fé – de verdade. Num "rockaço" lindo. E eu encerro essas linhas dizendo a você que é proibido não ouvir agora essa maravilha brasileira de Curitiba. E os solos, as levadas melódicas e a verdade desses quatro caras continuam a ecoar na minha mente e minh’alma.
Fonte: The Rock Life
https://therocklife.rocks/2020/09/29/review-landfall-the-turning-point/
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