Resenha - Plague Years - Circle Of Darkness
Por Lucas Santos
Postado em 15 de novembro de 2020
Nota: 9 ![]()
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A banda de Crossover de Detroit, Plague Years, pede passagem. Não há confusão ou mistério. Eles não fazem questão de esconder o real motivo de estarem aqui, e o fazem muito bem. Alinhando todos as suas influências, que vão da época do thrash da Bay Area até o novo movimento de crossover que começou quando o Municipal Waste lançou o álbum The Art Of Partying (2007), o quarteto entra na casa com os dois pés na porta e ainda senta no sofá do dono. Circle Of Darkness é impetuoso do início ao fim.
Talvez Circle Of Darkness tenha chegado em um tempo em que todos nós ainda estamos nos curando da perda trágica de Riley Gale do Power Trip. Com toda a incerteza do futuro da banda, ficamos orfãos de bons materiais de Crossover no ano, e mesmo voltando no tempo e girando um pouco de Enforced, High Command, Iron Reagan e outros clássicos do gênero, eu estava sentindo falta de algo impactante no ano de 2020. Bem, no caso, não mais.
Com um nome de banda bem tendencioso (ainda lembram da praga que assombra o nosso ano?!), Plague Years entrega no seu primeiro álbum um material devastador que deve ser tocado no volume máximo até que as paredes caiam. A faixa de abertura, Play the Victim, tem uma introdução épica que soa como se pudesse fazer parte de uma trilha sonora de terror. Em seguida, o caos está instalado. O que temos daqui pra frente é uma abundância de riffs aniquiladores, bateria agressiva, som de baixo estalando e vocais estridentes. Desde a capa apresentada até o fim dos 42 minutos a banda deixa claro as suas influências abordagem musical.
Witness Hell mantém uma raiz forte do thrash, os vocais se tornam quase um rosnado conforme ficam mais intensos. A produção também utiliza muitos truques interessantes, acrescentando pequenos detalhes que fazem certos elementos da qualidade vocal se destacarem nos reverbs e delays. A faixa título prova que o álbum não se prende apenas na velocidade, ela é mais cadenciada e prova a fortíssima influência do Slayer nas composições da banda.
Incantation começa com um ritmo de guitarra muteada na mão, sendo tocado sob a batida de bateria tribal. A música leva um momento para respirar enquanto introduz o próximo riff, explodindo em outra batida rápida. Essa faixa, assim como NRFTL, provam que, bem como o Power Trip, eles conseguem disseminar o caos e a frenesi ao mesmo tempo em que constroem faixas cativantes e refrãos memoráveis. Antes do término, ainda dá tempo de apreciar a melhor faixa do trabalho. Urge To Kill começa com uma guitarra acústica, passa por passagens de puro thrash metal, quebra no meio em uma parte mais cadenciada e tem um dos solos mais sinistros de todo o ano. Ou seja, tudo o que de melhor o Plague Years mostrou ao longo do álbum está presente nesta faixa.
Algo que deve ser mencionado brevemente é a produção. Ela não é perfeita, para alguns ouvidos mais atentos pode soar um pouco confusa: a tonalidade das guitarras as vezes não são tão limpas, mas isso é questão de gosto. Eu gostei muito e, pra mim, não incomodou em nada.
Se Beyond The Wall Of Desolation foi o álbum de crossover/thrash do ano passado, será difícil algum outro bater Circle Of Darkness. Abra um moshpit na sua sala, convide alguns familiares que moram com você e extravase batendo forte a cabeça ao som de uma das maiores surpresas no ano, para mim. Plague Years é mais um nome que surge nesse cenário, porém com status de veterano. É difícil ter um debut álbum desse calibre (comentei sobre isso no The Rock Pod com o Metal Junkbox) e a banda de Detroit o fez com maestria. Aumente o som!
Gravadora: Entertainment One
Data de lançamento: 18/09/2020
Gênero: Crossover/Thrash
País: Estados Unidos
FONTE: The Rock Life
https://therocklife.rocks/2020/10/03/review-plague-years-circle-of-darkness/
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