The Troops Of Doom: um emocionante resgate ao Death Metal dos anos 80
Resenha - Rise Of Heresy - Troops Of Doom
Por Alexandre Veronesi
Postado em 11 de outubro de 2020
Nota: 10 ![]()
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Tudo começou durante uma apresentação da banda Enterro no Rio de Janeiro, em 2019. Na ocasião, o grupo fazia o show de abertura para o lendário The Mist, quando o frontman Alex Kafer convida Jairo "Tormentor" Guedz, eterno ex-Sepultura e guitarrista do The Mist à época, para a execução da clássica "Bestial Devastation", faixa que dá nome ao primeiro registro da maior banda brasileira de Metal de todos os tempos. À partir desta despretensiosa jam, surgiu o embrião do THE TROOPS OF DOOM, criado com o intuito de resgatar aquele som cru e visceral do Death Metal que era praticado durante os anos 80. Para completar o time, a dupla convocou Marcelo Vasco, guitarrista do Patria e renomado designer gráfico - já havendo trabalhado com ícones como Slayer, Kreator, Testament, Vader e inúmeros outros - e Alexandre Oliveira, companheiro de Guedz no The Southern Blacklist e baterista do Tianastácia. Após alguns meses de expectativa, com 2 singles e linha completa de merchandising já lançados, o grupo finalmente soltou o seu primeiro EP, intitulado "The Rise Of Heresy", que se encontra disponível tanto em formato físico quanto digital.

O trabalho de estreia do quarteto é um tanto compacto, trazendo 6 canções - sendo 4 autorais e 2 versões do Sepultura - distribuídas em pouco mais de 22 minutos. "Whispering Dead Words" abre a bolacha com uma introdução épica e macabra, emulando o clima de filmes de horror antigos, que prenuncia a pancadaria sonora a seguir, onde se destacam as variadas linhas de bateria e guitarras inventivas - sempre respeitando a proposta do grupo - finalizando de forma brilhante com um denso dedilhado de violão.
Gustavo Anunciação Lenza | Roberto Luis Pertsew | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Luis Alberto Braga Rodrigues | Reginaldo Manuel Soares de Faria | Paulo Eduardo Farias | Thomas Wisiak | Rogerio Antonio dos Anjos | Miguel Angelo Leal | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
Desde o início é possível notar que a ideia original do projeto foi posta em prática com excelência, pois temos aqui uma sonoridade absolutamente rudimentar e nostálgica, desde a estrutura das músicas até a qualidade da gravação, o que remete diretamente aos primórdios do Metal da morte, de bandas como o próprio Sepultura em começo de carreira (esta em especial, por razões óbvias), Possessed, Death, Pestilence etc.
Na sequência, os dois singles, lançados respectivamente nos meses de Agosto e Setembro: "Between The Devil And The Deep Blue Sea", som rápido, direto e muito marcante, detentor de riffs poderosos e alternâncias de andamento certeiras; e "The Confessional", um pouco mais cadenciada que as demais e inteiramente old school, com os impecáveis vocais cavernosos de Kafer em evidência. "The Rise Of Heresy" encerra primorosamente a parcela inédita do EP: um petardo veloz, agressivo, diversificado, e que contém algumas boas referências ao Sepultura em sua letra. Por fim, temos os covers de "Bestial Devastation" e "Troops Of Doom", executadas de forma estupenda, com toda a sujeira e crueza que as canções pedem. Vale acrescentar que o ótimo trabalho de voz de Alex Kafer, durante toda a audição, em muito se assemelha a Max Cavalera em seus primórdios, o que evidentemente não é um acaso.
A masterização, que foi feita por Øystein Garnes Brun (guitarrista do Borknagar) no Crosound Studio, na Noruega, destaca-se pelo resgate às raízes do gênero na década de 80, porém é claro, dispondo de uma ótima e atualizada roupagem sonora. O belo conceito gráfico do trabalho, naturalmente, foi todo desenvolvido por Marcelo Vasco.
Estreando em tão alto nível, o THE TROOPS OF DOOM definitivamente justificou toda a expectativa que fora criada desde a sua formação, rapidamente se consolidando como um dos grandes nomes do Metal extremo nacional na atualidade. Com uma turnê europeia agendada para 2021, o supergrupo já está em fase de desenvolvimento de seu primeiro álbum completo, e a nós cabe apenas aguardar pelo disco e os iminentes shows ao redor do Brasil (isso se o Coronavírus permitir).
The Troops Of Doom - The Rise Of Heresy (EP, 2020)
Gravadora: Blood Blast
Data de lançamento: 09/10/2020
Tracklist:
01 - Whispering Dead Words
02 - Between The Devil And The Deep Blue Sea
03 - The Confessional
04 - The Rise Of Heresy
05 - Bestial Devastation (Sepultura)
06 - Troops Of Doom (Sepultura)
Formação:
Alex Kafer - vocal e baixo
Jairo "Tormentor" Guedz - guitarra
Marcelo Vasco - guitarra
Alexandre Oliveira - bateria
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