Omminous: Immensity não parece um álbum de estreia
Resenha - Immensity - Omminous
Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
Postado em 25 de julho de 2020
Nota: 9 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
De repente ouvi um solo e pensei que era o Satriani. Explico. Recebi antecipadamente o álbum da OMMINOUS, que foi lançado neste final de semana (18 de julho), e o coloquei pra tocar. Antes disso, estava ouvindo o álbum novo do guitarrista careca surfista prateado no Spotify. Por algum motivo, alguém me chamou pra algo urgente, sei lá, parei a audição e fui fazer outra coisa. Mais tarde, esbarrei nos controles de mídia numa hora meio imprópria (zoom call, can you hear me, sabe como é) e começou aquele solão de guitarra. Ato contínuo, corri pro Spotify para calar as cordas do Satriani. Não era o Satriani.

Há uma grande curiosidade quando uma banda termina e outra surge em seu lugar. Embora a COLDNESS oficialmente ainda exista e deva ser reformulada, a OMMINOUS surgiu do que a COLDNESS foi antes, uma das bandas mais batalhadoras e inovadoras em seu estilo, dona de, como eu já havia arrematado em matéria para a Roadie Crew, um Heavy Metal de Luxo. É com este legado e também com esta responsabilidade (e não podemos esquecer aqui das palavras do Tio Ben Parker - exatamente estas que vieram à sua mente agora) que Lenine Matos (voz), George Rolim (baixo) e Yago Sampaio (guitarra) deram a Omminous à luz. E, se faz completo sentido falar tanto da COLDNESS neste primeiro parágrafo (ou melhor, segundo), e é também impossível começar de outra forma, não faz, absolutamente sentido algum continuar falando nos parágrafos seguintes. A OMMINOUS surge como entidade própria, com sua própria luz, seu próprio estilo, nem melhor, nem pior. É uma espécie de New Order do metal, saída de uma Joy Division também pesada, no meio Heavy Metal alencarino. Outro adendo: à época da gravação do álbum, Diego Vidal segurava as baquetas. Hoje o posto é ocupado por João Felipe, filho de Pedro Neto, que também foi baterista da COLDNESS. Ou seja, pelo DNA, ficou tudo mesmo em casa.

Muitas vezes é difícil saber se estamos ouvindo um álbum de estreia ou o terceiro álbum de uma banda. O fato ocorre tanto pela memória irrascível da "joy division" que os originou, mas também pela maturidade do trabalho. Terceiros álbuns são sempre um marco. Explico: os primeiros sempre consigo a trazem a explosão da surpresa e os erros do frescor da banda, enquanto os segundos arcam com a responsabilidade de manter a dita surpresa e corrigir quaisquer erros que porventura crítica e público tenham apontado, ficando os terceiros livres disso tudo e apresentando a personalidade, seja boa ou seja má, já firmada (o que parece, definitivamente, ser o caso aqui). Assim, não há em "Immensity" nem a pretensão de se mostrar demais, nem a pressa que muitas vezes faz com que tudo pareça desajeitado. Estamos aqui, isso é o que fazemos e o fazemos bem. E vocês já sabem disso. Temos um novo nome, mas não somos surpresa pra ninguém. É assim.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel | Passemos para as canções agora. "Behind All The Consent" é o single do álbum. Pra quem compartilha o estado do Ceará, não é a única já conhecida, uma vez que a banda tocava o álbum quase na íntegra nos shows que fez no mundo de antes. Depois de uma bela intro, começa empolgante e se mostra uma canção muito bem estruturada, com pontes que levam a refrão grudento e letra meio "Carry On". A estrutura bem dividida em estrofes, pontes e refrãos também não lhe é exclusividade. A maioria das seguintes opta pela mestra estratégia de composição.

A vibe continua em "Vile Maxim", com a banda se entregando de vez ao Power Metal e um trabalho impressionante da guitarra de Yago Sampaio. "Prisoner of a Present Time" é mais uma abordando temas filosóficos/psicológicos, com um personagem em conflito consigo mesmo, com seu interior, com seu exterior e, como a letra e o título nos levam a inferir, com o próprio tempo. Mais um excelente trabalho de guitarras e uma cozinha muito bem posicionada, com destaque sempre que necessário, mas não mais que isso. Lenine também explora muito bem todas as escalas que sua voz alcança aqui e adiante ao longo do álbum. O ponto alto do álbum, pelo menos até agora, é "Black Sun", uma canção um tanto mais longa (extensa para os padrões underground) e com referências à cabala.

"Why" engana. Inicialmente parece que vai ser uma canção mais direta, sem tanta firula, mas, embora mantenha a vibe mais rock and roll, surpreende com um longo solo de guitarra que toma propriedade da canção. E é injusto chamar aquilo de solo de guitarra, porque George Rolim e Diego Vidal estão muito bem e eloquentes em seus instrumentos. De forma alguma constituem um mero suporte.
A instrumental "Tunnel to the Underworld" cumpre exatamente a sua função, ligar as duas partes do álbum, mas bem que poderia se extender mais (os sons de teclado meio synth-pop são uma delícia e este que vos escreve é fã declarado do estilo).
A segunda parte do álbum começa como a anterior, power metal muito bem feito, com um pé no progressivo, vocais explorando o limite, parte instrumental muito bem executada e letras abordando temas filosóficos/psicológicos. E a indicação também vai para que a mídia física seja adquirida para que se tenha acesso às letras (uma evolução enorme), o que nem sempre é possível no Streaming. "Into Decay" e "Overcasting Skyes" são dois exemplos que reforçam esse dito. Não me escuso de ressaltar novamente, mesmo que inoportuno, uma vez que temos apenas um músico de estúdio e não alguém que assine pela banda, o trabalho do tecladista João Victor, músico de estúdio mais conhecido na cena gospel.

"Sideral Death" é outra excelente e antecede "Master of Disguise", uma em que mandam muito bem na letra. Talvez a música que você precise ouvir na hora certa. Estas duas tem participações especiais de Cesário Filho (solando sua guitarra malmsteenica em "Sideral Death") e Germano Monteiro, vocal da OBSKURE, com guturais em "Master of Disguise". Então, guitarras e baterias dão um descanso para a balada do álbum. Mas "Breakthrough" é mais que uma balada. É um momento emocional e solitário, apenas voz e teclados, numa ambientação delicada. Aqui, Lenine Matos não precisa explorar seus agudos e falsetes, bastando deixar do lado de fora do peito o coração. Sensacional e, até dá pra dizer, corajoso interlúdio em um álbum majoritariamente pesado.
Um disco tem que fechar de forma que se tenha vontade de ouvir de novo. E a suíte progressiva "Immensity" cumpre bem esse papel, além de também ter a responsabilidade de dar nome à obra inteira. Chamar de suíte não é absolutamente correto porque, embora seja uma longa canção para padrões radiofônicos, a canção nem é tão longa assim (menos de 7 minutos – cala a boca, Daniel Tavares, isso é coisa de quem quer mais), mas não há mesmo uma outra descrição melhor na cartilha.
Como veredito, pode-se dizer que a OMMINOUS inicia com "Immensity" sua carreira de forma extremamente bem fundamentada. Não é surpresa para quem já os viu no palco, embora produção e mixagem também tenham os seus méritos. É uma banda que nasce sem umbigo, adãoeevando-se a si mesma, mas não são inocentes.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
A Omminous é:
Lenine Matos (vocal)
George Rolim (Baixo)
Yago Sampaio (Guitarra)
João Felipe (Bateria)
Track list
1 - Behind all the Consent
2 - Vile Maxim
3 - Prisioner of a present time
4 - Black Sun
5 - Why?
6 - Tunnel to the Underworld
7 - Into decay
8 - Overcasting Skies
9 - Sideral Death
10 - Master of Disguise
11 - Breakthrough
12 - Immensity
Mais informações:
https://www.facebook.com/omminousofficial/
FONTE: Headbangers Brasil
http://headbangersbr.com/omminous-album-de-estreia-ja-nasce-maduro/
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A curiosa lista de itens proibidos no show do Megadeth em São Paulo
O cover gravado pelo Metallica que superou meio bilhão de plays no Spotify
A condição de Ricardo Confessori pra aceitar convite de Luis Mariutti: "Se for assim, eu faria"
Amy Lee relembra a luta para retomar o controle do Evanescence; "Fui tratada como criança"
A banda de abertura que fez Ritchie Blackmore querer trocar: "Vocês são atração principal"
Bangers Open Air inicia venda de ingressos para 2027; confira possíveis atrações
Guns N' Roses supera a marca de 50 shows no Brasil
Dez músicas clássicas de rock que envelheceram muito mal pelo sexismo da letra
Bruce Dickinson confirma que novo álbum solo está pronto
Astro de Hollywood, ator Javier Bardem fala sobre seu amor pelo Iron Maiden
"Exageraram na maquiagem em nós": Chris Poland lembra fotos para álbum do Megadeth
A melhor música da história dos anos 1990, segundo David Gilmour
K.K. Downing já afirmou que o Iron Maiden era um clone do Judas Priest
Lzzy Hale contou à esposa de Tom Keifer que já quis casar com ele (e se arrependeu)
Guns N' Roses encerra turnê no Brasil com multidões, shows extensos e aposta em novos mercados
A opinião de Andre Matos sobre a Legião Urbana e Renato Russo
O álbum do Iron Maiden que Bruce Dickinson não curte: "Parece um saco de bosta"
Os 50 melhores álbuns ao vivo de todos os tempos, em lista da Classic Rock
Stryper celebra o natal e suas quatro décadas com "The Greatest Gift of All"
Kreator - triunfo e lealdade inabalável ao Metal
"Eagles Over Hellfest" é um bom esquenta para o vindouro novo disco do colosso britânico Saxon
Em 1977 o Pink Floyd convenceu-se de que poderia voltar a ousar
