Omminous: Immensity não parece um álbum de estreia

Resenha - Immensity - Omminous

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net

Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
Enviar Correções  

9

De repente ouvi um solo e pensei que era o Satriani. Explico. Recebi antecipadamente o álbum da OMMINOUS, que foi lançado neste final de semana (18 de julho), e o coloquei pra tocar. Antes disso, estava ouvindo o álbum novo do guitarrista careca surfista prateado no Spotify. Por algum motivo, alguém me chamou pra algo urgente, sei lá, parei a audição e fui fazer outra coisa. Mais tarde, esbarrei nos controles de mídia numa hora meio imprópria (zoom call, can you hear me, sabe como é) e começou aquele solão de guitarra. Ato contínuo, corri pro Spotify para calar as cordas do Satriani. Não era o Satriani.

Vinil: quais são os dez discos mais valiosos do mundo?

Sepultura: Pavarotti gravou uma versão de "Roots Bloody Roots"?

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Há uma grande curiosidade quando uma banda termina e outra surge em seu lugar. Embora a COLDNESS oficialmente ainda exista e deva ser reformulada, a OMMINOUS surgiu do que a COLDNESS foi antes, uma das bandas mais batalhadoras e inovadoras em seu estilo, dona de, como eu já havia arrematado em matéria para a Roadie Crew, um Heavy Metal de Luxo. É com este legado e também com esta responsabilidade (e não podemos esquecer aqui das palavras do Tio Ben Parker - exatamente estas que vieram à sua mente agora) que Lenine Matos (voz), George Rolim (baixo) e Yago Sampaio (guitarra) deram a Omminous à luz. E, se faz completo sentido falar tanto da COLDNESS neste primeiro parágrafo (ou melhor, segundo), e é também impossível começar de outra forma, não faz, absolutamente sentido algum continuar falando nos parágrafos seguintes. A OMMINOUS surge como entidade própria, com sua própria luz, seu próprio estilo, nem melhor, nem pior. É uma espécie de New Order do metal, saída de uma Joy Division também pesada, no meio Heavy Metal alencarino. Outro adendo: à época da gravação do álbum, Diego Vidal segurava as baquetas. Hoje o posto é ocupado por João Felipe, filho de Pedro Neto, que também foi baterista da COLDNESS. Ou seja, pelo DNA, ficou tudo mesmo em casa.

Muitas vezes é difícil saber se estamos ouvindo um álbum de estreia ou o terceiro álbum de uma banda. O fato ocorre tanto pela memória irrascível da "joy division" que os originou, mas também pela maturidade do trabalho. Terceiros álbuns são sempre um marco. Explico: os primeiros sempre consigo a trazem a explosão da surpresa e os erros do frescor da banda, enquanto os segundos arcam com a responsabilidade de manter a dita surpresa e corrigir quaisquer erros que porventura crítica e público tenham apontado, ficando os terceiros livres disso tudo e apresentando a personalidade, seja boa ou seja má, já firmada (o que parece, definitivamente, ser o caso aqui). Assim, não há em "Immensity" nem a pretensão de se mostrar demais, nem a pressa que muitas vezes faz com que tudo pareça desajeitado. Estamos aqui, isso é o que fazemos e o fazemos bem. E vocês já sabem disso. Temos um novo nome, mas não somos surpresa pra ninguém. É assim.

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Passemos para as canções agora. "Behind All The Consent" é o single do álbum. Pra quem compartilha o estado do Ceará, não é a única já conhecida, uma vez que a banda tocava o álbum quase na íntegra nos shows que fez no mundo de antes. Depois de uma bela intro, começa empolgante e se mostra uma canção muito bem estruturada, com pontes que levam a refrão grudento e letra meio "Carry On". A estrutura bem dividida em estrofes, pontes e refrãos também não lhe é exclusividade. A maioria das seguintes opta pela mestra estratégia de composição.

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

A vibe continua em "Vile Maxim", com a banda se entregando de vez ao Power Metal e um trabalho impressionante da guitarra de Yago Sampaio. "Prisoner of a Present Time" é mais uma abordando temas filosóficos/psicológicos, com um personagem em conflito consigo mesmo, com seu interior, com seu exterior e, como a letra e o título nos levam a inferir, com o próprio tempo. Mais um excelente trabalho de guitarras e uma cozinha muito bem posicionada, com destaque sempre que necessário, mas não mais que isso. Lenine também explora muito bem todas as escalas que sua voz alcança aqui e adiante ao longo do álbum. O ponto alto do álbum, pelo menos até agora, é "Black Sun", uma canção um tanto mais longa (extensa para os padrões underground) e com referências à cabala.

"Why" engana. Inicialmente parece que vai ser uma canção mais direta, sem tanta firula, mas, embora mantenha a vibe mais rock and roll, surpreende com um longo solo de guitarra que toma propriedade da canção. E é injusto chamar aquilo de solo de guitarra, porque George Rolim e Diego Vidal estão muito bem e eloquentes em seus instrumentos. De forma alguma constituem um mero suporte.

A instrumental "Tunnel to the Underworld" cumpre exatamente a sua função, ligar as duas partes do álbum, mas bem que poderia se extender mais (os sons de teclado meio synth-pop são uma delícia e este que vos escreve é fã declarado do estilo).

A segunda parte do álbum começa como a anterior, power metal muito bem feito, com um pé no progressivo, vocais explorando o limite, parte instrumental muito bem executada e letras abordando temas filosóficos/psicológicos. E a indicação também vai para que a mídia física seja adquirida para que se tenha acesso às letras (uma evolução enorme), o que nem sempre é possível no Streaming. "Into Decay" e "Overcasting Skyes" são dois exemplos que reforçam esse dito. Não me escuso de ressaltar novamente, mesmo que inoportuno, uma vez que temos apenas um músico de estúdio e não alguém que assine pela banda, o trabalho do tecladista João Victor, músico de estúdio mais conhecido na cena gospel.

"Sideral Death" é outra excelente e antecede "Master of Disguise", uma em que mandam muito bem na letra. Talvez a música que você precise ouvir na hora certa. Estas duas tem participações especiais de Cesário Filho (solando sua guitarra malmsteenica em "Sideral Death") e Germano Monteiro, vocal da OBSKURE, com guturais em "Master of Disguise". Então, guitarras e baterias dão um descanso para a balada do álbum. Mas "Breakthrough" é mais que uma balada. É um momento emocional e solitário, apenas voz e teclados, numa ambientação delicada. Aqui, Lenine Matos não precisa explorar seus agudos e falsetes, bastando deixar do lado de fora do peito o coração. Sensacional e, até dá pra dizer, corajoso interlúdio em um álbum majoritariamente pesado.

Um disco tem que fechar de forma que se tenha vontade de ouvir de novo. E a suíte progressiva "Immensity" cumpre bem esse papel, além de também ter a responsabilidade de dar nome à obra inteira. Chamar de suíte não é absolutamente correto porque, embora seja uma longa canção para padrões radiofônicos, a canção nem é tão longa assim (menos de 7 minutos – cala a boca, Daniel Tavares, isso é coisa de quem quer mais), mas não há mesmo uma outra descrição melhor na cartilha.

Como veredito, pode-se dizer que a OMMINOUS inicia com "Immensity" sua carreira de forma extremamente bem fundamentada. Não é surpresa para quem já os viu no palco, embora produção e mixagem também tenham os seus méritos. É uma banda que nasce sem umbigo, adãoeevando-se a si mesma, mas não são inocentes.

A Omminous é:
Lenine Matos (vocal)
George Rolim (Baixo)
Yago Sampaio (Guitarra)
João Felipe (Bateria)

Track list
1 - Behind all the Consent
2 - Vile Maxim
3 - Prisioner of a present time
4 - Black Sun
5 - Why?
6 - Tunnel to the Underworld
7 - Into decay
8 - Overcasting Skies
9 - Sideral Death
10 - Master of Disguise
11 - Breakthrough
12 - Immensity

Mais informações:
https://www.facebook.com/omminousofficial/

FONTE: Headbangers Brasil
http://headbangersbr.com/omminous-album-de-estreia-ja-nasce-...




Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net


Vinil: quais são os dez discos mais valiosos do mundo?Vinil
Quais são os dez discos mais valiosos do mundo?

Sepultura: Pavarotti gravou uma versão de Roots Bloody Roots?Sepultura
Pavarotti gravou uma versão de "Roots Bloody Roots"?


Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

Mais matérias de Leonardo Daniel Tavares da Silva no Whiplash.Net.

Goo336x280 GooAdapHor Goo336x280 Cli336x280 GooInArt