Oficina G3: Reflexões do nosso ser em Histórias e Bicicletas
Resenha - Histórias e Bicicletas (Reflexões, Encontros e Esperança) - Oficina G3
Por Marcio Machado
Postado em 10 de março de 2020
Nota: 9 ![]()
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Após a ótima recepção de "Depois da Guerra", havia uma curiosidade sobre o que o Oficina G3 iria fazer dali em diante. A banda seguiria aquele rumo mais metal que tomaram no disco ou voltaria ao que fazia antes? Pois bem, a resposta veio com "Histórias e Bicicletas (Reflexões, Encontros e Esperança)"em 2013. O disco não era uma continuação do DDG, apesar de alguns traços estarem ali, mas também não era o mesmo de antes. O Oficina trazia algo novo, mas mantendo a identidade que tem e faz um trabalho um tanto intimista e carregado de palavras que impactam e trazem vários momentos que nos fazem refletir.
"Diz" é a primeira e traz bastante peso e groove na sua introdução, com ótimas linhas do baterista Alexandre Aposan e a guitarra de Juninho Afram um tanto afiada. Mauro Henrique retorna e traz sua voz com linhas maravilhosas e que refrão carregado temos aqui. O destaque fica por conta mesmo é das linhas de Aposan, as passagens que faz no pré solo são maravilhosas, além dos ganchos para os refrões, a velocidade com que o chimbal é atacado. Grande começo.
"Água Viva" é a seguinte e não é nada menos do que uma das melhores composições que o Oficina G3 já fez em sua carreira. A música dosa peso e harmonia de formas perfeitas, a letra é muito bem composta e o solo de Juninho é uma das coisas mais bonitas que se pode ouvir. Incrível o feeling empregado aqui e como tudo flui tão naturalmente e fecham nessa faixa maravilhosa. A ponte do vocal é outro grande destaque, Mauro acompanhado por um pequeno coro de Juninho e Jean brilha. Este último ainda cria uma bela linha de piano para encerrar tudo.
A carga de emoção ainda não acaba e "Encontro" traz mais um turbilhão dela. O refrão é simplesmente daqueles de se cantar à plenos pulmões e que gruda fácil. A levada instrumental é perfeita em harmonia e química da banda, que neste disco mostra um entrosamento para compor pouco visto antes vindo desses caras. Há ainda a participação de Roberto Diamanso que cria um interlúdio com uma poesia sua que toca e casa perfeitamente com a música. Das melhores aqui.
"Confiar" é uma balada e das boas. Mauro brilha com uma voz cristalina e se esbalda nessa levada mais calma. É mais uma ótima letra e a cada verso vai ganhando mais corpo e fecha numa música bastante forte, com sacadas de guitarra muito boas que lembram o disco "Humanos", e algumas passagens de violão um tanto bem encaixadas. "Não Sei" é a que mais traz semelhanças com o trabalho anterior. Faixa rápida e com andamento direto, com mais linhas de bateria muito bem executadas e outro refrão que pega de cara.
"Compartilhar" também começa com peso e bom groove, com um teclado em cara de trilha de ficção científica e um andamento cadenciado muito bom. A letra é das que mais nos fazem refletir sobre a questão daqueles que muito tem, enquanto outros não tem um nada, sobre compartilhamento e padecimento do igual. O solo é uma quase disputa entre guitarra e teclado, para depois Juninho brilhar mais uma vez inspiradíssimo, mostrando ser sim um dos melhores guitarristas do Brasil, ao lado de nomes consagrados como Edu Ardanuy e Kiko Loureiro.
"Descanso" é outra balada, mas essa traz uma carga muito forte sendo a mais bonita do disco todo. A música foi composta por Mauro e sua ex-esposa, Jakelyne Dantas e fala sobre um alguém cansado, sem forças mas que ainda tem sua fé em alta. Infelizmente, a canção é inspirada na condição de Jakelyne que na época tratava de um câncer e que veio à falecer após dois anos de luta, à quem a banda dedicou o disco todo.
A seguinte é o primeiro cover à surgir por aqui, "Aos Pés das Cruzes", do cantor Kleber Lucas e que ganha sua versão mais rock pelas mãos do Oficina e surge numa leitura muito bem escrita e cheia de ótimas melodias e com linhas de harmonias fantásticas, principalmente de Jean Carllos e seus teclados. "Sou Eu" traz o ritmo mais agitado de volta e com ótimas frases da guitarra em perfeita harmonia com a bateria e uma das melhores pontes do disco inteiro.
"Lágrimas" tem um começo bastante tranquilo embalado por piano e bateria e quando a guitarra de Juninho aparece, um groove de levada muito agradável aparece e assim se segue por versos muito bem executados, com ótima linha vocal e mais uma letra que transborda mensagens aqueles que de alguma forma se sentem sozinhos e perdidos nesse mundo. Encerrando temos "Save Me
From Myself", outro cover, agora do cantor Dennis Jernigan e se encaixou muito bem na sonoridade do Oficina.
Aqui temos mais um grande lançamento do Oficina G3. Para aqueles que esperavam uma extensão do DDG, infelizmente se decepcionaram. Se é melhor ou pior? Nem um nem outro, o disco tem sua vida própria e é mais um ótimo momento de música boa. A banda se encontrava num entrosamento perfeito, tratando da produção e composição de todos, nesse quesito indo além do disco anterior, para formar no fim o que é na verdade um texto de reflexão para cada um de nós, não se tratando de religiosidade no fim, mas do nosso ser e nossa vivência. Lindo!
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