Motley Crue: uma banda mais redonda, pesada e com uma baita consistência no álbum de 1994
Resenha - Motley Crüe - Motley Crüe
Por Marcio Machado
Postado em 16 de outubro de 2019
Nota: 8 ![]()
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Mudanças em uma banda quase sempre causam desconforto em fãs. A saída de um membro é sentida por aqueles que os acompanham e as coisas se agravam quando a sonoridade também passa pelo processo de mudança. Isso aconteceu à uma boa parcela de bandas nos anos 90, e o Motley Crüe não foi exceção à regra. Vince Neil deixava o posto de vocalista e em seu lugar chegava John Corabi, porém, o moço veio para agregar mais do que somente sua voz. Até mesmo a postura da banda havia mudado.
Corabi era guitarrista e também compositor, e o resultado da sua entrada foi o disco homônimo em 94, cuja toda aquela coisa espalhafatosa e exagerada de antes ficava de lado e tínhamos então uma banda mais redonda, pesada e com uma baita consistência em suas letras que abordavam temática política ou pessoais. De cara já adianto, é um baita disco e tecnicamente, disparado o melhor dos caras.
"Power to the Music" é a primeira e logo em seus acordes iniciais vemos que tudo será bem diferente. Peso e muito groove rolam aqui. Tudo soa diferente e a dobra da guitarra mostra a diferença que faz e quando Corabi abre a boca…aí sentimos totalmente como as coisas mudaram de uma vez. O andamento da canção é cadenciado, muito bem conduzido, os instrumentos estão num timbre mais agressivo, vide a bateria de Tommy Lee que tem uma caixa um tanto nervosa e um belo solo surge. Começo esmagador.
A seguinte é "Uncle Jack" que traz um trabalho muito bom de voz e uma levada mais cadenciada que a anterior. O refrão é muito bom, forte e com um ótimo trabalho da voz. O dueto de guitarra é mais uma vez um ponto à se destacar. Aqui de novo Mick Mars esbanja simpatia num solo muito bem construído. Mais uma grande faixa e das melhores aqui.
A próxima acabou se tornando um dos singles do disco, e não a toa. Seu começo é mega entrosado no instrumental e com belo trabalho vocal. "Hooligan’s Holiday" é bem arrastada e sua temática, assim como seu nome já indica, trata do grupo citado, o que mostra a diferença dos temas escolhidos pela banda. Notem como as guitarras soam extremamente sujas no solo. "Misunderstood" (outra música com esse nome) traz um pouco de calmaria e melodias brandas no andamento mais Heavy Metal que vinha se fazendo até então. A faixa é bem construída e bem bonitinha, aproximando mais a banda do Hard Rock, mas só por algum momento. Do nada a faixa vira e se torna de novo pesada com ritmo mais preciso.
A seguinte sim temos uma balada completa, e que balada. "Loveshine" é daquelas de ouvir enquanto se está na estrada com o som do carro no talo. Muito bem executada e bonita. "Poison Apples" traz a agitação de volta e aqui, a banda revisita um pouco de seu estilo mais espalhado, mas ainda mantendo o foco num rumo mais conciso. E de novo Corabi se mostra versátil fazendo um jogo vocal mais arranhado que o de costume para adequar ao estilo mais festivo. Um dos poucos momentos em que o baixo de Nikki Sixx ganha algum destaque.
"Hammered" é daquelas de trazer o Heavy Metal personificado com sua introdução arrastada e pesada. Temos um pré solo muito bom, e o refrão também é daqueles que pegam fácil, grande trabalho dos caras criarem uma música pesada e com um momento assim. "Til Death Do Us Part" começa com arzinho de Pantera, e logo se transforma numa das melhores faixas do trabalho. Com um andamento muito bom e um trabalho de voz impecável e boas linhas de bateria.
"Welcome To The Numb" é uma boa mistura das duas fases da banda. Existe resquícios da fase anterior aliado ao peso do momento atual e criam a canção que mais me cativou no disco. Belo andamento, ótimos trabalhos de guitarra, marcação da bateria correta e até o baixo ganha seu devido espaço. Grande solo também vemos por aqui. Faixa que se repetiu por boas vezes antes de se seguir.
A seguinte "Smoke The Sky" começa rápida e agressiva e segue assim. Empolga em seus primeiros acordes e é mesmo uma grande canção. Que guitarra carregada de energia e cheia de raiva. O bate cabeça aqui é fácil e parece que o peso não tem fim, vai aumentando conforme os minutos passam. Muito boa mesmo!
Sem tempo para respirar, "Droppin Like Flies" já chega emendando e traz de novo peso e groove muito bem alinhados. Que belo trampo de bateria encontramos aqui. A parada climática em sua metade é um grande charme, e nos remete ao diretamente ao estilo Grunge. Encerrando o disco, "Driftaway" faz o final soar mais calmo, bonitas melodias são jogadas aos nosso ouvidos, a bela voz de Corabi mais uma vez mostrando sua versatilidade se mostra muito bem colocada. Um final muito digno de todo o belo resultado que encontramos aqui.
Entendo certo repúdio de alguns fãs com este trabalho do Motley Crüe, pois definitivamente ele se distancia da sonoridade costumeira da banda e os opostos entre John e Vince são gritantes. E como o próprio Mars já afirmou ser este seu disco favorito, a afirmação não se faz por menos, pois é um grande trabalho e amostra de que a banda poderia construir coisas muito boas com esta formação. Reafirmo, um discaço!
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