Resenha - Laws Of Scourge - Sarcófago

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Por Ricardo Cunha
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Quem na cena da música extrema nunca ouviu falar de Sarcófago e sua brutalidade blasfema? Pois bem, para uma banda surgida no submundo musical do Brasil, o grupo realizou o feito de ganhar reconhecimento fora do país e de inspirar grandes nomes da arte extrema em nível mundial.

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A banda foi fundada em meados do ano de 1985 na cidade de Belo Horizonte/MG. Em seu álbum de estréia, a música era absolutamente rude e isto acabou por tornar-se o principal elemento de sua música poderosamente tosca. O grupo também é reconhecido por ser pioneiro no uso de blast beats que, por sua vez é sua característica mais latente.

The Laws Of Scourge, terceiro disco de estúdio, foi lançado originalmente em 1991 e hoje pode ser considerado um dos melhores álbuns de thrash metal feitos por uma banda cuja origem remota ao surgimento do brutal black metal. Aqui as músicas estão mais leves e mais compreensíveis do que aquilo que era esperado pelos "true bangers", mas ainda assim um disco extremamente pesado. A bem da verdade, é até possível perceber uma certa musicalidade nestas composições, o que não representa demérito para os músicos, mas enfatiza o nível de radicalismo dos fãs tradicionais, que fecharam os ouvidos para a densidade das nove faixas do álbum. Ao decidir fazer algo diferente a banda arriscou-se em perder muitos seguidores, mas ganhou outros novos. Tudo indica que, em "Laws...", as coisas estavam melhores financeiramente e, assim, foi possível investir um pouco mais no trabalho de estúdio. Aliás, o trabalho foi produzido pela banda com o suporte da gravadora Cogumelo, que costumava creditar-se nas capas dos álbuns por ela encomendados. Porém, o trabalho de gravação e de mixagem foi efetivamente feito pelo mestre Gauguin, que deve ter produzido todos os grandes álbuns dos anos de ouro do metal nacional. O fato é que a banda atingiu a um nível de maturidade que possibilitou realizar um trabalho digno de "banda grande" para a época. Portanto, se o ouvinte se concentrar, sem muito esforço poderá escutar bem todos os instrumentos, inclusive o baixo, que normalmente fica abafado em produções desse gênero.

Para mim, as composições que mais se destacam no disco são, por ordem de importância: 1) Crush, Kill, Destroy, 2) Midnight Queen e 3) Screeches From The Silence.

Sarcófago é, sem dúvida, uma banda importante para a música agressiva global, mas, para este que vos escreve, sua importância está mais relacionada ao fato de haver ajudado a consolidar a identidade da cena metálica nacional do que ao [fato] de ser uma banda musicalmente inovadora. Seja como for, isto não está em questão. Por fim, a formação que gravou o álbum era composta por Wagner Lamounier (vocals/guitars), Fabio Jhasko (guitars), Gerald Minelli (bass) e Lucio Oliver (drums).




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