Aerosmith: resgatando pérolas no palco do Hard Rock Hotel
Resenha - Rockin' The Joint - Aerosmith
Por Ricardo Seelig
Postado em 09 de julho de 2019
O Aerosmith lançou seis discos ao vivo em seus quase cinquenta anos de carreira – a banda foi formada em Boston em 1970. São eles: "Live! Bootleg" (1978), "Classics Live!" (1986), "Classics Live! II" (1987), "A Little South of Sanity" (1998), "Rockin’ the Joint" (2005) e "Aerosmith Rocks Donington 2014" (2015). O assunto deste review é o disco de 2015, lançado no Brasil no mesmo ano pela Sony/BMG.
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Uma banda famosa por sua transformação em cima dos palcos, onde a verdadeira força desse gigante do hard rock norte-americano emerge com todos os seus poderes, o Aerosmith gravou "Rockin’ the Joint" no The Hard Rock Hotel, em Las Vegas, no dia 25 de outubro de 2005. Na época a banda promovia o disco de covers "Honkin’ on Bobo", lançado um ano antes. O legal deste registro ao vivo é que ele foge do tracklist óbvio, deixando de lado clássicos presentes em live albums anteriores, como é o caso de "Sweet Emotion" e "Dream On", e resgatando pequenas pérolas da longa discografia do quinteto. Assim, estão em "Rockin’ the Joint" composições como "No More No More" (do clássico "Toys in the Attic", que chegou às lojas em abril de 1975), a balada "Seasons of Wither" (do segundo álbum da banda, "Get Your Wings", de 1974) e "Draw the Line" (do álbum homônimo, lançado no final de 1977).
Tocando em um palco menor e mais intimista, o Aerosmith deixa de lado a megalomania e a grandiosidade dos shows realizados nas grandes arenas e em seu lugar entrega uma performance mais certeira e focada. O fato de o tracklist privilegiar canções da primeira fase da banda e deixar de lado os mega hits gravados nas décadas de 1980 e 1990 também traz um ar saudosista e revisionista para o show, como se a banda olhasse para a sua própria história buscando inspiração no que a levou até ali – um exercício que arrisco dizer que deu certo, uma vez que o disco seguinte do grupo seria o convincente "Music from Another Dimension!" (2012), que apresentou uma sonoridade mais básica e que é, até agora, o derradeiro registro do grupo.
O clima do show é tão leve que até uma canção como "I Don’t Want to Miss a Thing", que é um dos maiores sucessos da banda mas que está longe de ser uma das melhores baladas já gravadas pelo quinteto, ganhou uma releitura emocionante em cima do palco do Hard Rock Hotel.
Entre os destaques, além do resgate das canções dos primeiros anos, vale mencionar o clima de banda de bar de "Big Ten Inch Record" (também presente em "Toys in the Attic"), a versão para "Rattlesnake Shake", um dos cavalos de batalha da primeira fase do Fleetwood Mac (ouça a versão original em "Then Play On", terceiro disco da banda então liderada pelo vocalista e guitarrista Peter Green, de 1969) e o arregaço recorrente que é "Train Kept a Rollin’", aqui com uma citação à "The Star Spangled Banner", o hino dos Estados Unidos, no fechamento do show.
"Rockin’ the Joint" tem status de álbum menor na trajetória do Aerosmith, e realmente não dá para compará-lo com os dois volumes de "Classics Live!" e nem com o excepcional "A Little South of Sanity", mas a despretensão capturada em suas doze faixas traz à tona todo o espírito rock and roll que sempre marcou a carreira do Aerosmith. Isso já é motivo suficiente para ouvir este disco.
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