Overdose: Um dos melhores álbuns de metal do Brasil nos anos 90
Resenha - Circus Of Death - Overdose
Por Ricardo Cunha
Postado em 01 de julho de 2019
Nota: 9 ![]()
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Overdose é uma das mais antigas bandas de metal do Brasil e foi formada em BH/MG em meados do ano de 1983 por Baza (antes, Bozó) e Cláudio David. Em 1985, com uma formação estabilizada e pronta para gravar, atraiu o interesse de uma gravadora nova, a Cogumelo. Como eles ainda não tinham material suficiente para um álbum completo, decidiram rachá-lo com outra banda, o Sepultura. O Split LP Seculo XX/Bestial Devastation ligou as histórias das duas bandas para sempre e representa um marco na história do metal nacional. Todavia, enquanto o Sepultura estourou mundialmente, o Overdose conquistou reconhecimento mais nacional do que global.
Em toda a sua carreira, os álbuns do Overdose que obtiveram maior sucesso internacional foram Circus Of Death, de 1992 (sobre o qual falaremos); Progress Of Decadence, de 1993 e Scars, de 1995 (este, já lançado por uma gravadora estrangeira - a mesma que lançou Outcast, do Kreator).
Circus Of Death é um dos melhores álbuns de metal feitos no Brasil em todos os tempos. Aqui a fúria do Thrash Metal se alia a um nível de consistência e crueza poucas vezes visto entre as bandas consideradas underground. A banda deixou de lado as suas tendências "powermetal" e incorporou o Thrash como sua nova roupagem. Infelizmente, de acordo com relatos, a mudança de estilos entre um álbum e outro impediu a banda de firmar sua identidade de uma forma mais pessoal junto aos fãs, e a mudança que se daria no álbum seguinte seria ainda mais radical. Embora a banda já flertasse com o Thrash Metal em álbuns anteriores, é neste disco que assumiram uma postura que conciliava a perspectiva mais agressiva com a mais melódica. É neste disco que atingiram a um ponto que para muitos, seria o ideal. Nesse sentido, instrumentalmente, o disco é muito sólido. Nele, há composições fortes onde peso, fúria e melodia foram calibrados numa medida quase que perfeita. Arrisco dizer que teria sido um clássico de nível global se houvesse sido produzido por um "Flemming Rasmussen" da vida. No entanto, o que realmente importa é que as músicas conseguem deixar uma impressão na mente. Embora haja pormenores, certamente é um disco marcante para qualquer apreciador da música agressiva. Os destaques vão para The Zombie Factory, Proft, The Healer e Children Of War, que figura como uma faixa-bônus.
A formação que gravou este disco era composta por Pedro Alberto "Bozó" Amorim (vocal), Claudio David (guitarra), Sérgio Cichovicz (guitarra), Fernando Pazzini (baixo) e André Marcio (bateria).
Agora revisitado, Circus Of Death, virá remasterizado e realçado pelo reaproveitamento da arte original que, não sei porque, cargas d´água, foi substituída pela arte que você ver ao lado e que nada tem a ver com o espírito da obra em questão. A nova edição também conterá um DVD-bônus com dois shows da tour de divulgação, que provavelmente ocorreram entre os anos de 92 e 93, em Belo Horizonte e Brasília, respectivamente. O relançamento está previsto para até o final do primeiro semestre desse ano (2019), segundo press-release.
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