Avenged Sevenfold: o fechamento de um ciclo com disco de 2007

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Por Marcio Machado
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Nota: 8

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Entre tiros, porradas e bombas o Avenged Sevenfold acabou por se tornar um dos destaques dentro da cena metal dos anos 2000. A banda começou ainda na onda do metalcore, lançou um disco que os colocou no circuito, ganharam visibilidade do mundo no segundo trabalho, o "Waking the Fallen", que trazia muita influência do estilo, evoluíram drasticamente no terceiro e até então sua obra prima, o disco "City of Evil" e fechando essa trinca de lançamento chegava em 2007 o então quarto trabalho, um disco homônimo que trazia a síntese do que havia sido feito até aqui, assim sendo temos algo pesado, com clima carregado, letras afiadas e uma banda em perfeita sintonia. Encerrava aqui um ciclo que fez a banda estar acima de estereótipos ou qualquer bobagem que falassem sobre esses caras.

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Como vinha sendo até aqui, as aberturas dos discos costumam ser músicas com uma explosão de energia e mostrando que a banda não brinca nos seus trabalhos, e assim começa "Critical Acclaim". A música é pesada, começa com um riff matador e mostra a constante evolução do vocalista Matt Shadows até aqui, que já havia apresentado um trabalho magnífico no disco anterior, mesmo passados alguns problemas com sua saúde vocal. O rapaz gasta seus drives e mostra que ainda sabe gritar e tem uma voz um tanto presente. Synyster Gates e Zacky Vengeance continuam um tanto afiados na dobra de guitarras e o baixo de Johnny Christ se mostra um tanto presente dando mais peso a faixa. Claro que não há como deixar de falar das linhas de bateria de The Rev e principalmente da sua peculiar voz que está presente nesta e em várias partes do disco. É um começo um tanto potente e mostra que a qualidade vai continuar aqui e temos outro discaço.

"Almost Easy" da seguimento as coisas, e que seguimento. Não deixa o tempo morrer, e as coisas continuam agitadas em outra música pesada, rápida e cheia de groove. De novo a voz de Shadows é um destaque e se uni de forma maravilhosa com o instrumental criado. O refrão da faixa é ótimo e pega muito fácil. E que solo animal temos aqui, tudo se encaixa perfeitamente e não a toa esta se tornou uma das maiores entre os fãs.

Agora indo mais pra uma veia de influências do hard rock, "Scream" traz um andamento cheio de quebras e um cuidado extremo de detalhes na bateria e como a melodia anda num crescendo maravilhoso durante todo o seu tempo. Vale ressaltar o destaque a ponte pós segundo refrão que cria uma harmonia de voz e instrumentos muito boa, uma melodia perfeita. Temos outro refrão grande e outro solo muito bem elaborado dividido entre as duas guitarras e assim mais uma bela faixa que abre caminho para a próxima que talvez seja a maior da banda.

"Afterlife" é talvez o maior hino do A7X, muito pelo seu significado que acabou por se tornar maior que o esperado. A letra escrita por The Rev fala de um alguém que se sente deslocado nesse mundo e que partiria dele ainda cedo, pois bem, o fato acabou por se concretizar já que o baterista acabou por falecer no ano de 2009 deixando esta como seu maior legado junto a banda. A faixa continua pesada, mas ao mesmo tempo com um ar melancólico devido a letra e seu andamento com clima carregado. Tem um dos melhores refrões já feitos por esses meninos, tudo parece nos levar ao sentido de paz, de alguém que finalmente encontra este sentimento. Há uma parte em que os vocais do próprio Rev dão as caras um pouco antes do solo e esta parte acabou por se tornar emblemática. Juntando seu significado com sua qualidade, temos uma música incrível aqui e de extrema satisfação de se ouvir.

Parecendo saída de um disco do Bon Jovi, "Gunslinger" é carregada das influências dos anos 80 em seu começo. Logo ela explode em um metalzão clássico e traz outro refrão grande, cheio de impacto. É uma das faixas que há de se colocar o destaque da voz de Shadows e como ele passeia naturalmente do vocal mais melódico e calmo até o mais agressivo. E há um reforço de uma voz feminina que surge muito bem dando charme a canção.

"Unbound (The Wild Ride)" é um pequeno flerte com a música country e a gospel numa faixa bem diferente dentre as demais aqui. Continuam lá as partes mais pesadas com cara do Avenged, mas esses elementos trazem destaques, principalmente mais próximo ao seu final, onde há primeiro um coro cantando que eleva tudo, e ainda há uma criança cantando um verso, muito bem diga-se de passagem.

"Brompton Cocktail" parece ter vinda do disco anterior e assim sendo ela é bem pesada também, traz vocais mais na pegada "City of Evil". É uma faixa mais simples, acaba por não trazer muita novidade dentro do apresentado até então, mas ainda é um bom momento aqui. Ainda segue assim a faixa seguinte, "Lost". Esta parece um remendo de algumas faixas do início do trabalho, não que isso a faça ruim, longe disso. É melhor que a anterior, tem bons momentos principalmente da bateria, mas ambas são a parte mais morna de tudo.

A faixa seguinte é mais um dos experimentos da banda e neste, ele se saiu muito bem. Se você tem alguma familiaridade com os filmes de Tim Burton vai se sentir em casa por aqui, não a toa, pois o próprio Danny Elfman, o cara responsável por várias trilhas dos filmes do diretor participou da orquestração música a pedido de The Rev que era um fã seu. "A Little Piece of Heaven" é um tanto inusitada, no mínimo, é longa com seus quase dez minutos e uma delicia de se ouvir. Ganhou um clip bastante macabro e ao mesmo tempo divertido que faz jus ao ouvido aqui. Há passagens mais feliz, outras que parecem um verdadeiro pesadelo, as trocas de vozes entre Shadows e Rev são ótimas e tudo se torna uma loucura enquanto correm os acordes. Se tornou o xodó dos fãs e vez ou outra ainda dá as caras nos shows como um presente.

Para fechar o disco, "Dear God" surge agora como uma bela balada, de novo ao estilo country. A letra é muito bonita e temos um belo acompanhamento da banda e Shadows canta carregado de sentimentos. Também ganhou um vídeo muito legal que mostra um pouco da rotina da banda na estrada e nos shows. É um encerramento muito bacana e mostra que a banda pode transitar por vários momentos dentro de uma mesma obra.

Aqui se fecha um ciclo para o Avenged Sevenfold, três lançamentos que jogaram a banda no estrelato e mostra ainda que o metal tem lenha para queimar e que a banda é sim de muita qualidade e além de algumas besteiras ditas. Acaba por ter uma importância maior pelo fato triste que viria à acontecer pouco tempo depois e nos ceifar mais um jovem talentoso na música , mas não sem antes deixar esse belo momento, pois este é a definição melhor para álbum.


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Sobre Marcio Machado

Estudante de história, apaixonado por cinema e o bom rock, fã de Korn, Dream Theater e Alice in Chains. Metido a escritor e crítico.

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