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Por Mateus Lopes
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Os americanos do AVENGED SEVENFOLD conseguiram, com seu ótimo álbum City of Evil, ganhar notoriedade e deslanchar de vez. A mudança no rumo da banda, que evoluiu do Metalcore dos álbuns Sounding the Seventh Trumpet e do Waking the Fallen para um som mais voltado para o Heavy Metal e para o Hard Rock, os fizeram ganhar o prêmio da MTV americana de artista revelação do ano (ganhando até mesmo da popstar RIHANNA). Então para o próximo álbum, eles realmente provaram que abririam mão dos gritos de Matt Shadows, mostrando um som de certa forma mais "maduro" se comparado aos álbuns anteriores. Matt Shadows em entrevista afirmou que eles não queriam fazer um Waking The Fallen Parte 2 ou um City Of Evil Parte 2, queriam fazer um álbum diferente, que os antigos fãs gostassem e que pudesse ainda conquistar milhares de novos fãs. Então o álbum Self-titled foi lançado em 30 de outubro de 2007, e vendeu 94.000 cópias em apenas uma semana de lançamento e estreou em nº4 da Billboard 200.

O play inicia com a música "Critical Acclaim", um protesto contra a hipocrisia daqueles tipicos sujeitos que falam mal dos EUA enquanto estão almoçando no McDonald's, tomando Coca-Cola e calçando um All-Star. Isso prova também o quão patriotas são os americanos. Depois da intro com um órgão, aparecem as guitarras de Synister Gates e Zack Vengeance, começando suavemente e depois explodindo cheias de fúria. Logo de cara dá pra perceber que a voz de Matt Shadows está diferente do último álbum, e certamente melhor. Outro destaque dessa música é o refrão, cantado pelo falecido baterista Jimmy "The Rev" Sullivan, que além de mandar muito bem nas baquetas também faz excelentes backing vocals. A música é uma das preferidas dos fãs, e está no setlist da banda até hoje, pois funciona muito bem ao vivo. Nos shows mais recentes da banda, já sem o baterista The Rev, eles usaram playback para fara que o refrão ainda fosse cantado pela voz do Jimmy, como forma de homenagem.

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A segunda faixa, "Almost Easy", composta pelo The Rev, e também é uma das mais conhecidas da banda. Aqui o vocal de Shadows também está bem agressivo, e isso dá um toque a mais na música. Também nessa faixa temos uma técnica criada por Jimmy, o "Double Ride", que envolve os os pedais duplos e os pratos de condução. Serviu bem para preencher a música.

Em seguida vem "Scream", que tem uma pegada mais Hard Rock. A letra parece falar de um estrupo(!), em que o cara é tomado pelos seus instintos animais e perde o controle, e apenas ele terá o prazer (me parece um bom motivo para querer gritar). Uma das melhores músicas do álbum, um bom trabalho do baixista Johnny Christ e mais uma vez destaque para o The Rev, preste atenção na bateria, parece "simples" mas é um dos seus melhores trabalhos.

Depois temos "Afterlife", talvez a faixa mais conhecida da banda. Depois da intro com violinos, Synister Gates e Zacky Vengeance nos mandam um belo riff com guitarras gêmeas, assim como eles fizeram muito no City of Evil. A faixa, que fala sobre a pós vida, tem um tom muito sombrio. Mas o ponto alto da música, sem dúvidas, é o seu belíssimo solo. Mesmo que você dê torça o nariz para a banda, não pode negar o talento dos caras da banda, e nesse caso o talento do guitarrista Synister Gates. Mesmo cheio de pose, ele é competente, e não é a toa que ele apareceu em uma lista entre os 50 guitarristas mais rápidos do mundo.

Com um começo meio country, "Gunslinger" da a sequência no álbum. Assim como em M.I.A. do City of Evil e Danger Line do mais recente Nightmare, a música fala sobre guerra, mas precisamente sobre quem vive ela, os soldados. Afinal, para o bem ou para o mal, são eles que sujam as mãos de sangue, são eles que veem os amigos morrerem, matam inocentes apenas para que os EUA possam roubar mais petróleo... enfim, Matt Shadows sabe bem disso, já que ele tem vários amigos de serviram no Iraque, e possivelmente essas músicas nasceram depois de saber o que seus companheiros andam passando por lá: medo, solidão...

Dando sequência, vem "Unbound (The Wild Ride)", a música mais fraquinha do álbum. O que mais chama atenção é o piano onipresente na música. Não é uma música, mas ela passa batida no álbum.

Logo depois, temos mais uma composição de The Rev, "Brompton Cocktail". Ela começa com um zumbido, depois acompanhado de percussão, até a entrada dos instrumentos. Ela também é acompanhada por violinos, que dão um toque legal a música. Mas outra coisa que chama bastante atenção é o conteúdo das letras escritas por The Rev, sempre sombrias e falando de alguma maneira sobre morte.

Em seguida vem "Lost", uma faixa que chama atenção pelo efeito usado principalmente no refrão. Aqui o autotune não é usado para disfarçar a falta de talento (como é usado pelos artistas pop mundo afora), mas sim para dar um toque especial a música. O resultado é bem interessante, alguns odeiam, mas muitos acham interessante. Vale também por mais um belo solo de Synister Gates.

Em seguida, a música mais diferente de toda a carreira do A7X. Sério, nunca vi nada igual a "A Little Piece of Heaven"! Usar instrumentos de orquestra não é mais novidade no rock, mas usá-los dessa maneira, certamente não é comum. Começando pela letra, uma espécie de "conto de fadas" hardcore, com direito a assassinato, necrofilia, canibalismo e um lindo casamento de mortos vivos. O videoclipe também é um espetáculo a parte. Se você nunca viu, vale a pena dar uma conferida. Considero essa a melhor música do álbum, pois eles nunca fizeram e provavelmente nunca vão fazer algo parecido com essa musica. Também uma das mais famosas da banda e uma das favoritas dos fãs.

Encerrando o álbum, temos "Dear God", uma balada com uma pegada country (Eles realmente curtem isso, M. Shadows até já fez colaborações com artistas country americanos). É uma boa música, já que baladas românticas são uma das especialidades da banda, talvez herança da grande influência dos GUNS N’ ROSES.

Terminando a audição, dá para notar que realmente eles tentaram se afastar dos seus álbuns anteriores, eles são uma banda que não possuem um certo "padrão" em suas músicas, como os gigantes IRON MAIDEN, AC/DC e SLAYER. Eles então seguiram experimentando, sempre fazendo músicas diferentes, e o resultado foi positivo. Não é ainda o álbum definitivo na carreira deles (nenhum foi, até agora), mas serviu sim para o propósito de ganhar novos fãs sem perderem os antigos.


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