B-Movie: Obscuros góticos resistentes ao tempo

Resenha - Climate of Fear - B-Movie

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Por Roberto Rillo Bíscaro
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Dificilmente alguém mencionará a banda B-Movie, quando perguntado por expoentes oitentistas. Um dos primeiros artistas a cair nas graças empresariais de Stevo Pearce, da independente Some Bizarre Records, que incentivou gente como Soft Cell e The The, houve quem apostasse mais neles do que no Depeche Mode, para deslanchar.

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B-Movie nasceu das cinzas de uma banda punk, em 1978, na cidade de Mansfield. Steve Hovington (vocais/baixo), Paul Statham (guitarra), Rick Holliday (teclados) e Graham Boffey (bateria) nunca passaram da posição 61 na parada de sua nativa Inglaterra e em 1985 foram cada um pro seu lado. Programas e playlists de flashback oitentistas de alguns países, registram Nowhere Girl e Remembrance Day, mas aqui no Brasil passaram provavelmente invisíveis.

Em algum momento, os membros originais decidiram retomar o B-Movie e no Spotify, por exemplo, constam mais lançamentos neste milênio do que no anterior, inclusive com EP deste ano.

O álbum mais recente é Climate Of Fear (2016), que abre com o baixo lúgubre e a bateria tribal de Another False Dawn, evocando Joy Division instantaneamente. A despeito dos vocais límpidos e pouco fortes, quero ver que alma pós-punk não imaginará Ian Curtis chorando o refrão "it was another false dawn".

A maior parte da dezena de canções é para dançar voltado para alguma parede, hábito gótico nos 80's. Experientes, os caras não deixam o trabalho cair na mesmice, explorando diferentes facetas da darkwave. Corridors tem o fluxo gelado de guitarra e teclados à Flock of Seagulls, contrastado com a cozinha grave, quente, pulsante, que é, afinal, o que garante a dança. Forgotten Souls tem lindo piano melancólico e a guitarra vem mais encorpada, mais rock'n'roll.

As letras obviamente não são nada otimistas, mas jamais alcançam o desespero e/ou a beleza de um Robert Smith. Come Closer deve ser de cunho pessoal, mas levando-se me conta que se cantava a cisão do mundo da Guerra Fria, na época da juventude do B-Movie, a letra assume sobretons de lamento sociopolítico. Até porque, o planeta hoje está tão dividido, quanto então, tem gente que jura que até mais. A faixa-título comprova que para o B-Movie o medo de hoje é mais patente que a ameaça nuclear de mais de três décadas atrás. Agora há pedófilos à solta, há facas cravadas nas cosas.

O New Wave algo robotizado de San Francisco repagina o convite hippie de Scott McKenzie para que os visitantes usassem flores no cabelo, em ataque à gentrificação e corporativização, que tornou a cidade de uma carestia só.

Nos poucos momentos lentos é que se nota um dos pontos fracos de Climate Of Fear. Falta um pouco de peso à produção, sabe-se lá por escolha estética ou restrição orçamentária. A depechiana Ghost Land ressente-se disso, mas a faixa que mais sofre é Feeling Gothic. Declaração de princípios da banda/do álbum, falta drama, certo sentido de perigo e terror para que se realize totalmente.

Nem precisa pagar Spotify para conhecer o B-Movie, está no Bandcamp, em sua edição deluxe,, que traz quatro novas versões de Howhere Girl.




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Sobre Roberto Rillo Bíscaro

Roberto Rillo Bíscaro é professor universitário e edita o Blog do Albino Incoerente desde 2009.

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