Jorn: Uma interessante releitura de grandes clássicos
Resenha - Heavy Rock Radio - Jorn
Por Tiago Santos
Postado em 13 de maio de 2018
Nota: 8 ![]()
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Em 2016, Jorn Lande nos surpreende com mais um lançamento. Não necessariamente uma surpresa, aliás por dois motivos: a) dada sua periodicidade de lançamentos, que tem sido quase que anual, e b) tratar-se de mais um disco de cover. "Mais um" no sentido da quantidade e da prática em fazê-lo, mas longe de ter a conotação de "qualquer".

Ao longo de sua carreira, Lande lançou uma série de covers, seja reunida em um disco, seja espalhada ao longo de sua discografia. Assim, não há muita novidade neste lançamento, porém é digno de alguns comentários.
Heavy Rock Radio tem, desde já, um nome chamativo. Seu título apresenta-nos uma ambientação dos saudosos anos 1980, aliás, algo que Jorn não se desprende de maneira nenhuma. Seu estilo, que durante muitos anos fora vinculado ao de Coverdale, hoje mais diluído, através de interpretações que rendem maiores contornos de originalidade, continua a remeter, em dados momentos, ao seu de mentor.
Depois da bem-sucedida parceria entre Jorn Lande e Trond Holter (guitarra), que culminou no lançamento do excelente Dracula -Swing of Death, os dois voltam a se reunir para recriar versões de verdadeiros hinos de grandes nomes do Rock.

O disco abre com "I Know There's Something Going On", de Frida (ex-ABBA). Primeiro single lançado, a música rendeu também o primeiro videoclipe no Youtube para divulgação do disco (diversas outras canções também tiveram sua versão em vídeo). Uma interessante releitura desse clássico, que foi lançado em 1982. Talvez a versão mais próxima da original em todo o álbum, claro que sendo devidamente preenchida com riffs mais pesados de guitarra e os vocais mais rasgados possíveis.
Logo após, a segunda faixa a ganhar um video clipe: "Running Up That Hill", de Kate Bush. Em 1991, o Angra chamou a atenção ao lançar em seu primeiro disco, Angels Cry, uma versão de "Wuthering Heights" - anteriormente com uma versão mais heavy metal, presente na demo Reaching Horizons. Nessa canção, Jorn se afasta por completo do original, primeiramente por conta de leves alterações na letra, mas principalmente pelo alto poder vocal, somado ao peso empregado pela banda. O resultado foi uma versão insana, em que Jorn exala toda a fúria de seus drives, convertendo à força a canção numa roupagem agressiva. Assim se encerram as versões de canções originalmente interpretadas por mulheres, que, aliás, perdem por completo qualquer vestígio de doçura.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel | Em seguida, duas ótimas faixas: "Rev On The Red Line", do Foreigner, e "You're The Voice", de John Farnham; sem grandes destaques, porém marcando boa presença. Na sequência, a primeira ousadia do disco: "Live To Win", de Paul Stanley (Kiss). Para um disco que tem uma proposta saudosista, soa inusitada a escolha de uma canção lançada em 2006, mesmo se tratando de um artista bem conhecido no meio; mais óbvio seria considerar a escolha de uma música da banda principal. Apesar disso, o resultado final, que é o que importa, ficou ótimo. Trond Holter faz um belo trabalho nessa faixa.
Depois é a vez de "Don't Stop Believin'", do Journey. Uma das músicas mais "coverizadas" da história. Há alguma mudança na timbragem em relação ao original, mas o destaque mesmo fica por conta de Jorn que, mais uma vez, aplica toda sua potência vocal, principalmente no refrão e no encerramento. Holter aproveita para se soltar um pouco mais, o que o faz passar um pouquinho da conta no solo.

"Killer Queen", do Queen, apesar de excelente, soa um tanto quanto deslocada no contexto do disco; parecendo muito mais uma "sobra" de Swing of Death (2014), disco anterior lançado pela parceria Lande/Holter. Mesmo assim, o resultado ficou dos melhores. Aliás, essa não é a primeira vez que canta algo do Queen, há uma versão, igualmente ótima, de "Kisses From You" (lançada pelo Masterplan, como faixa bônus de Time to be King [2010). Lande se mostra como excelente intérprete de Freddie Mercury. Apesar de não terem nenhuma semelhança, seu drive se casa perfeitamente com o estilo do Queen, pelo menos a nível de releitura. Ainda que haja uma certa desconexão com a proposta do álbum, esta é a canção em que a banda trabalha de forma mais coesa; de maneira que alia a fidelidade com o original ao peso dos efeitos modernos.

As próximas faixas: "Hotel California", do Eagles; "Rainbow in the Dark", do Dio; "Stormbringer", do Deep Purple, e "Die Young", do Black Sabbath, com exceção da primeira, soam mais óbvias, uma espécie de tributo a dois de seus mestres (Dio e Coverdale).
No meio das anteriormente citadas, faltou "The Final Frontier", do Iron Maiden. Assim como "Live to Win", mais uma escolha "fora do eixo". Apesar de o Maiden ser uma banda clássica, a escolha de uma canção de 2010 é algo completamente surpreendente, visto que poderia ter optado por alguma outra do período clássico da banda, o que o manteria na zona de conforto. Escolha muito acertada. A versão original possui uma introdução de mais de quatro minutos. Para não "esfriar" o ouvinte, Jorn acertadamente faz um pastiche, com sons que remetem à introdução criada por Adrian Smith. Logo após, a banda entra com um instrumental que soa um pouco mais pesado, porém em andamento levemente mais lento que o original. Dispensável comentar a respeito do timbre de voz e da interpretação primorosa de Lande.

A versão japonesa ganhou uma faixa extra: "I Don't Know", de Ozzy Osbourne.
Muitos são os que criticam a postura de artistas que lançam material cover, associando a prática a um certo amadorismo, e no caso do Jorn Lande não é diferente. Porém, apesar de ser um disco sem grandes novidades, o resultado é um produto de excelente qualidade, passível de ser degustado durante longas audições e repetidas vezes. Sem sombra de dúvidas, Heavy Rock Radio é um dos grandes lançamentos contemporâneos; podendo ser conferido tanto pelos saudosistas, quanto pelos arqueólogos desse tempo.
01. I Know There's Something Going On
02. Running Up That Hill
03. Rev On The Red Line
04. You're The Voice
05. Live To Win
06. Don't Stop Believin'
07. Killer Queen
08. Hotel California
09. Rainbow In The Dark
10. The Final Frontier
11. Stormbringer
12. Die Young
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