Elizabethan Walpurga: Unificando Heavy & Black Metal
Resenha - Walpurgisnacht - Elizabethan Walpurga
Por Vitor Sobreira
Postado em 20 de abril de 2018
Lançado no Halloween (ou se preferir Samhain) de 2016, o debute da banda pernambucana Elizabethan Walpurga, ‘Walpurgisnacht’ atrai a curiosidade daqueles que gostam de Metal feito com ousadia e elementos diferentes entre si, porém unificados pela mesma paixão de se tocar música pesada. No entanto, a banda que surgiu em 1994 sob o (não menos curioso) nome Ecumenical Damnantion, lançou as demos ‘…the Darkness… the Wrapping Tranquillity…’ em 1997 e ‘Desire’ em 2001 e hibernou durante vários anos, até que chegou 2016 e liberaram juntamente com a banda potiguar Lord Blasphemate um split de 11 faixas. Cinco das 9 músicas do referido debute, vieram das duas demos.
Imagine um som que tenha como base o Heavy Metal – melodioso e Tradicional – e o Black Metal… Provavelmente, o leitor deve ter pensado em Mercyful Fate, certo? Bom, talvez até tenha exercido alguma influência na banda, mas o lance do Black Metal não está focado apenas nas letras, mas como disse, na musicalidade também. Riffs com notas mais altas, constantes e melódicos, bateria bem captada e de batidas fortes e ritmadas, vocal predominantemente rasgado, que remete bastante ao Metal Negro dos anos 90, climatizações sombrias – cortesia também por parte da arte gráfica – e boa qualidade de áudio: são todos os atributos contidos em um pouco mais de 40 minutos de curiosa audição.
O fato de quem analisa e por conseqüência escreve sobre algum álbum, é que involuntariamente, no momento que sua memória for cutucada com algum detalhe que lhe remeta algo que já ouviu, esse fator dificilmente será esquecido. Lembra do cultuado Mercyful Fate que citei acima? Pois bem, digo que por vezes, aqui e acolá, durante a audição desse ‘Walpurgisnacht’, o nome da banda baiana Malefactor, juntamente com o da francesa Misanthrope, me vieram a mente… Ou mesmo, quem sabe, a inglesa Cradle of Filth (mais por causa do estilo de alguns títulos das composições). Bom, isso vai de acordo com cada um, mas acho que não deixa de ser uma observação interessante.
Observações a parte, felizmente as composições buscam sempre nos apresentar passagens diferenciadas entre si, sejam com sessões rítmicas rápidas, guitarras trabalhadas, precisas incursões de baixo e climas obscuros. Mas lembrem-se: é tudo bem equilibrado entre os dois estilos citados! A essa altura da partida, é impossível não se sentir aprisionado em temas como "Vampyre" e seus segundos iniciais totalmente no estilo Metal Tradicional – que são mantidos ao longo da faixa, porém incrementados com porções do Black -, "Clamitat Vox Sanguinis" que aparenta ter saído de algum porão sinistro do underground europeu dos 90 e a empolgante "Infernorium" – que se permite até algumas levadas "cavalgadas" e um desfecho diferenciado.
Com um título enorme, "The Serpent’s Eyes and the Horns of Crown" emana uma energia arcana impressionante, e abre caminho em meio a uma floresta para "The Elizabethan Dark Moon", que entre as características citadas acima, exibe a partir de 2′:33" uma curta passagem acústica, com arranjos de violão simples, mas bastante profundos. Outra com o título extenso é "The Canine Enchantment by the Phlebotomy (In the Jugular Streams)", que mantém a qualidade do disco elevada nos momentos finais, providenciados pelas derradeiras – e quase épicas, eu diria – "Transylvanian Cry" e a título "Walpurgisnacht", que exploram novamente as notas de violão por alguns instantes, além das nuances diversificadas.
No mais, chegamos ao final da audição com dúvidas acerca das melodiosas e constantes guitarras herdadas do Heavy Metal, que acabam esbarrando discretamente no repetitivo, pois sente-se uma espécie de desespero da banda para mostrar esse lado Tradicional. Mas não é algo que prejudicou em nada e fica apenas como o único ponto a ser observado pelos músicos, em um registro que demorou demais a ser lançado.
Não perca mais tempo, e prestigie também esta interessantíssima sonoridade do Elizabethan Walpurga!
Formação:
Leonardo Mal’lak Alcantara (vocal);
Breno Lira (guitarra e violão);
Erick Lira (guitarra);
Renato Matos (baixo e backing vocal);
Arthur Felipe Lira (bateria).
Outras resenhas de Walpurgisnacht - Elizabethan Walpurga
Coloque WHIPLASH.NET entre suas fontes favoritas do Google
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



As bandas de metal que Hetfield não compreende; "Como diabos conseguem lembrar das músicas?"
O melhor álbum de rock progressivo de cada ano dos anos 1970, segundo a Loudwire
A música do Led Zeppelin que melhor define Robert Plant, segundo Jimmy Page
Por que Lemmy Kilmister não gostava de "Ace of Spades", música mais famosa do Motörhead
O álbum dos anos setenta que Slash disse ter marcado "o fim do rock como nós conhecíamos"
Seis anos após último show com o Aerosmith, baterista Joey Kramer reaparece
Brasil de fora da tour de despedida do Rhapsody, mas Epica promete "celebração especial"
O melhor disco dos anos 80, segundo a Classic Rock
A melhor música já escrita em todos os tempos, segundo Bob Dylan e Billy Joel
Silenoz diz que ex-membros "pegaram carona" no nome do Dimmu Borgir
Os 10 melhores discos de heavy metal dos anos 2000, em lista da Louder
Bruce Dickinson lamenta ter perdido "metade da vida" dos filhos
O "absurdo" que atribuem ao Led Zeppelin, na opinião de Paul Stanley
Roberta Medina fala sobre cobrança por mais rock no Rock in Rio
Jorn Lande aparece cantando na CazéTV e narrador brinca: "É o Ovelha norueguês!"
O desafio que Cazuza fez Paulo Ricardo cumprir para provar que não tinha medo de sua AIDS
As atitudes do metaleiro que impedem estilo de crescer, segundo influencer Raphael Casotto
O guitarrista que foi chamado para os Stones por Mick Jagger mas rejeitado por Keith Richards


Headhunter DC - Death Metal como arma, identidade e resistência
Black Swan - Quando a experiência se transforma em poder de fogo
Hellacopters acerta (de novo) com seu rock n' roll visceral em "Cream Of The Crap! - Volume 3"
Yes - Seguindo firme e forte em "Aurora"
"Break The Silence" prova que o mainstream precisa do Beyond The Black
"MI'RAJ" - quando Edu Falaschi troca a velocidade pela emoção e encerra trilogia com maturidade
A Lapidação da alma: O triunfo conceitual do Big Big Train em "Woodcut"
HellLight - Reafirmando seu espaço entre os melhores da safra do gênero.
"Betrayed By Obedience", do Infected Cells, é death metal bruto, técnico e direto



