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Buddy Guy: Ouvir esse cara continua sendo um privilégio

Resenha - Born to Play Guitar - Buddy Guy

Por Ricardo Pagliaro Thomaz
Postado em 11 de março de 2018

Nota: 10

Pensar em falar sobre um álbum de Buddy Guy... pronto, só a ideia já me deixou sem fôlego. Esse é um dos caras do universo do blues que eu mais respeito e admiro. Em 2013 eu tive o prazer e a satisfação de viajar até São Paulo com meu irmão e uns amigos para um show da turnê dele, e foi uma experiência sensacional ver esse cara ao vivo e a cores. Nunca vou me esquecer. Enfim, em 2015 ele lançou seu novo álbum, Born to Play Guitar, e eu não faço ideia de como deixei passar. Ouvir Buddy Guy sempre foi um privilégio; continua sendo.

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Meu primeiro contato com o guitarrista, acredite, foi mais ou menos em 1998, quando eu vi no canal Multishow, uma apresentação dele com o G.E. Smith e a Saturday Night Live Band, gravação essa que se encontra em um álbum de 1996; naquela época eu estava tendo aulas de guitarra e aprendendo a tocar o blues, e assim acabei trombando com o cara. Aquela apresentação teve um efeito absurdamente hipnótico em mim. Eu fui sequestrado pelo blues que exalava da guitarra de Buddy, acompanhava atentamente, nota a nota; eu gravei a apresentação em VHS e assistia ela repetidamente, várias vezes ao dia, sem cansar.

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Foi assim que me tornei um grande fã de seu trabalho, indo atrás de outras gemas do guitarrista, como o clássico álbum Damn Right, I've Got the Blues de 1991, por exemplo. Desde esse dia eu o venho seguindo.

Born to Play Guitar, lançado em julho do ano passado, só constata o óbvio em seu título. Musicalmente, Buddy Guy ainda é o mesmo, e continua com seu blues maravilhoso e enérgico.

A primeira faixa do cd é o mais puro testamento, tanto musicalmente, quanto liricamente, do quanto Buddy é sensacional tocando o blues, porque esta faixa título é isso, a mais pura expressão do blues; assim é também com boas faixas como "Back Up Mama" e "Come Back Muddy", onde Buddy faz uma homenagem explícita a uma de suas grandes influências, o legendário Muddy Waters. Depois tem o dueto "Wear You Out", entre ele e o sensacional Billy Gibbons, um dos barbudões do ZZ Top, esse cara junto com o Buddy, meu Deus do céu! É pra ficar sem fôlego com tamanha carga de blues rock! Eu tenho escutado essa faixa desde que saiu o disco, e nunca me canso dela! Das participações, para mim, este é o melhor destaque, não só porque é Billy Gibbons, mas também porque é uma música com energia, feeling e sinceridade.

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"Whiskey, Beer and Wine" já soa deliciosa no próprio título! Brincadeiras a parte, pessoal, não misturem os drinks, e não usem eles para resolver os seus problemas; deixem isso para o Buddy e apenas dancem ao som da música, um blues ótimo e bastante ritmado, bebendo uma boa cerveja, aí sim!... ou whiskey... ou vinho, se for da sua escolha! Eu, sempre que vou nos festivais de blues da minha cidade, não dispenso uma loira gelada.

Tem também o excelente dueto de Buddy e a cantora Joss Stone em "(Baby) You Got What It Takes"; ou a ótima "Smarter Than I Was", um blues com produção moderna, mas com todas as características clássicas do gênero. "Thick Like Mississipi Mud" é a típica canção que iria ficar excelente em uma performance ao vivo; ritmada, agitada, animada. E finalmente, temos aqui "Flesh & Bone", a doce e bela homenagem de Buddy ao nosso saudoso B.B. King, que nos deixou em 2015; eu deixei uma homenagem minha ao mestre, com muito carinho e com toda admiração que eu sempre tive por este artista clássico e seminal da música. Belíssimo tributo.

Em outras palavras, caro leitor, não precisa nem pensar! Gosta de blues? Curte os clássicos? Pois então vá atrás deste ótimo disco do Buddy. Passou muito tempo desde que ele saiu. Eu fui protelando e acabei até me esquecendo de falar sobre ele, portanto, aqui está ele agora, com as minhas mais sinceras recomendações.

Born to Play Guitar (2015)
(Buddy Guy)

Tracklist:
01. Born to Play Guitar
02. Wear You Out (featuring Billy Gibbons)
03. Back Up Mama
04. Too Late (featuring Kim Wilson)
05. Whiskey, Beer & Wine
06. Kiss Me Quick (featuring Kim Wilson)
07. Crying Out of One Eye
08. (Baby) You Got What It Takes (featuring Joss Stone)
09. Turn Me Wild
10. Crazy World
11. Smarter Than I Was
12. Thick Like Mississippi Mud
13. Flesh & Bone (Dedicated to B.B. King) (featuring Van Morrison)
14. Come Back Muddy

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Selo: RCA Records

Banda:
Buddy Guy: voz, guitarra, violão
Doyle Bramhall II: violão 12 cordas, guitarra
Rob McNelley: guitarra, guitarra ressonante, guitarra slide
Kenny Greenberg: guitarra
Bob Britt: guitarra, guitarra ressonante
Billy Cox: baixo
Glenn Worf: baixo, contrabaixo
Michael Rhodes: baixo acústico, baixo elétrico
Tommy Macdonald: baixo
Reese Wynans: clavinete, Hammond B3, pianos, wurlitzer
Kevin McKendree: piano africano, Hammond B3, piano
Rob McKendree: clavinete
The McCrary Sisters: back vocal
Tom Hambridge: bateria, percussão, back Vocal

Com participação de:
Billy Gibbons - voz, guitarra (faixa 2)
Kim Wilson - gaita (faixas 4 e 6)
Joss Stone - voz (faixa 8)
Van Morrison - voz (faixa 13)

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Discografia anterior:
- Rhythm & Blues (2013)
- Living Proof (2010)
- Skin Deep (2008)
- He's My Blues Brother (2006) (com Phil Guy)
- Bring 'Em In (2005)
- Blues Singer (2003)
- Sweet Tea (2001)
- Heavy Love (1998)
- All Star Chicago Blues Session (1994) (com Phil Guy)
- Slippin' In (1994)
- Better Off with the Blues (1993) (com Junior Wells)
- Feels Like Rain (1993)
- Damn Right, I've Got the Blues (1991)
- Bad Luck Boy (1983) (com Phil Guy)
- The Red Hot Blues of Phil Guy (1982) (com Phil Guy)
- DJ Play My Blues (1982)
- Buddy & Phil (1981) (com Phil Guy)
- Going Back (1981) (com Junior Wells)
- Alone and Acoustic (1980) (com Junior Wells)
- Breaking Out (1980)
- Pleading the Blues (1979) (com Junior Wells)
- The Blues Giant (1979)
- Play the Blues (1972) (com Junior Wells)
- Hold That Plane! (1972)
- Southside Reunion (1971) (com Memphis Slim)
- Southside Blues Jam (1970) (com Junior Wells)
- Buddy and the Juniors (1970) (com Junior Wells e Junior Mance)
- Coming at You (1968) (com Junior Wells)
- A Man and the Blues (1968)
- I Left My Blues in San Francisco (1967)
- It’s My Life, Baby! (1966) (com Junior Wells)
- Chicago / The Blues / Today!, Vol. 1 (1966) (com Junior Wells)
- Hoodoo Man Blues (1965) (com Junior Wells)

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Site Oficial:
http://www.buddyguy.net

Para mais informações sobre música, filmes, HQs, livros, games e um monte de tralhas, acesse também meu blog.

http://acienciadaopiniao.blogspot.com.br


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Sobre Ricardo Pagliaro Thomaz

Roqueiro e apreciador da boa música desde os 9 anos de idade, quando mamãe me dizia para "parar de miar que nem gato" quando tentava cantarolar "Sweet Child O'Mine" ou "Paradise City". Primeiro disco de rock que ganhei: RPM - Rádio Pirata ao Vivo, e por mais que isso possa soar galhofa hoje em dia, escolhi o disco justamente por causa da caveira da capa e sim, hoje me envergonho disso! Sou também grande apreciador do hardão dos anos 70 e de rock progressivo, com algumas incursões na música pop de qualidade. Também aprecio o bom metal, embora minhas raízes roqueiras sejam mais calcadas no blues. Considero Freddie Mercury o cantor supremo que habita o cosmos do universo e não acredito que há a mínima possibilidade de alguém superá-lo um dia, pelo menos até o dia em que o Planeta Terra derreter e virar uma massa cinzenta sem vida.
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