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Year Of The Cobra: quem precisa de guitarras?

Resenha - ... In The Shadows Below - Year Of The Cobra

Por Ricardo Cunha
Postado em 11 de dezembro de 2017

Desde a sua criação no início de 2015, a dupla de Seattle, YEAR OF THE COBRA, tem recebido muita atenção. Depois de haverem sido descobertos pelo site Pacific Northwest, no início de 2016, a dupla formada Amy Tung-Barrysmith e Johanes Barrysmith começou a acumular um sólido agrupamento de seguidores. As primeiras músicas que gravaram acabaram se tornando o EP de estréia, The Black Sun (2015).

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Um dos colegas de Lemmy Kilmister do Motörhead disse uma vez que "Lemmy não é um baixista, ele é um base-guitar". Diria aqui, que o mesmo se aplica à Amy Tung-Barrysmith. Não que o som da banda se pareça com Mötorhead, mas porque o baixo distorcido de Tung-Barrysmith oferece todo o riffage de que a banda necessita. E a dupla faz um ótimo trabalho, visto que um baixo, uma bateria e um vocal são toda a estrutura sonora do grupo.

O disco abre com "The Lion and the Unicorn", que é composta basicamente de um riff ruidoso e de uma percussão barulhenta, que se deixam acompanhar pela voz doce/sexy de Amy (que surge apenas nos 3 minutos finais da canção); "The Siege" segue com seus riffs maravilhosamente pegajosos para mais um momento hipnótico; "Vision of Three", lenta e pesada, dá abertura para a adição de uma guitarra; Em "Spider and the Fly", os vocais adocicados se diluem nos intervalos quebrados compondo um dos momentos mais interessantes da audição; "Persephone", que é outro destaque do disco, traz à mente a inevitável lembrança do bom e velho Motörhead, só que, de um modo muito original; "White Wizard" é uma das mais viajantes e remete a imagens que se deformam para formar novas imagens; "Temple Of Apollo" é uma espécie de punk poppy que poderia servir de tema para uma série qualquer da Netflix; "Eletric Warrior" é a mais longa e arrastada do álbum. Encerra a audição deixando a sensação de um clima árido cujo vocal faz o contraste perfeito entre a beleza de uma flor e a sequidão do solo seco de um deserto.

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Para concluir, digo que embora o som da banda esteja enraizado no Doom, eles conseguem reproduzir uma variedade enorme de influências, apesar das limitações auto-impostas. E o bom disto tudo é que conseguiram manter este que voz escreve interessado na audição ao longo das 8 faixas do disco. […] Produzido por Billy Anderson (The Melvins, High on Fire, Ratos de Porão, Neurosis, Cathedral, etc.), este álbum prova que não é preciso guitarras para se fazer música pesada decente!

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Sobre Ricardo Cunha

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