Blondie: setentona no topo da forma
Resenha - Polinator - Blondie
Por Roberto Rillo Bíscaro
Postado em 13 de junho de 2017
Nota: 8 ![]()
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Há que celebrar a resiliência e longevidade de Debbie Harry e sua trupe. Quando a maioria das herdeiras diretas de Blondie está sepultada no alzaimer da memória coletiva cultural de massa, o grupo ainda tem forças para pegar a estrada e lançar álbuns. Depois da escorregadela do LP duplo de 2014 (link para a resenha ao final desta), os norte-americanos voltaram com Polinator, 11º trabalho de estúdio, lançado dia 5 de maio.
Louvável a sede de renovação de Ghosts Of Download, mas o álbum falhou em produzir faixa memorável. Polinator equilibra tradição sônica com pitadas de contemporaneidade na produção e canções escritas por queridinhos de agora, tipo Sia, cuja Best Day Ever não se encaixa na categoria memorável, mas interessa para constatar retroativamente como intérpretes como Siouxsie Sioux (por onde anda mesmo?) foram influenciadas por Debbie. No quesito lembráveis para sempre, ouça a guitarra funkeada de Fun e veja se não dá vontade de sair desfilando pela Quinta Avenida; pura ferveção Blondie. O queridinho de outrora Johnny Marr prova que ainda consegue estruturar melodias soberbas e refrães circulares e grudentos, cheque My Monster, um dos ápices do play.
A Nova York do Blondie é o berço da disco music, hip hop e do punk e o poder maior do grupo foi mastigar esses e outros elementos e cuspi-los como algo novo, sem blablablá chato-pedante-chiclete-bananeiro para tentar dar originalidade a um traço essencial ao bom pop. Blondie ia lá e fazia, f***-se.
Polinator obviamente não tem o poder de criar outra revolução estilística, mas o pop canibal urgente que caracterizou o auge do grupo está presente, inclusive se autorreferenciando como em Long Time, que lembrará os mais antigos do clássico disco Heart Of Glass. Já a abertura é rockão com Joan Jett e tudo. Em Gravity a voz pesadamente processada de Harry recebe petardos roqueiros da percussão e chuva de granizo fininho de electronica.
Nessa altura do campeonato é isso que se espera de Blondie: manter a tradição com laivos de (pós-)modernismos. Aos 71 anos, sejamos realistas, nem garantia há de próximo álbum, mas se Polinator for o derradeiro, é boa coda.
Tracklist
01. Doom or Destiny
02. Long Time
03. Already Naked
04. Fun
05. My Monster
06. Best Day Ever
07. Gravity
08. When I Gave Up On You
09. Love Level
10. Too Much
11. Fragments
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