Blondie: Tesão Setentista Quase Setentona
Resenha - Blondie 4(0)Ever - Blondie
Por Roberto Rillo Bíscaro
Postado em 23 de dezembro de 2014
Nota: 7 ![]()
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Poucos artistas são capazes de definir uma época em suas múltiplas facetas. BLONDIE consegue. Na segunda metade dos anos 70, o grupo norte-americano sintetizou punk, disco, pop e o crescente rap e a vocalista DEBBIE HARRY ainda ditou o catecismo visual-comportamental copiado/adaptado/adotado por tantas.
Tamanha importância resulta em fardo pesado e expectativa alta quando se lança um álbum, especialmente agora, quando DEBBIE HARRY tá quase 70tona. BLONDIE teria alguma relevância à altura de seu quadragésimo aniversário? Não estaria coroca pro universo tão jovem do pop-rock?
No começo de maio, o grupo lançou CD duplo, que tenta responder às perguntas anteriores. Blondie 4(0)Ever é dividido em 2 seções: Greatest Hits Deluxe Redux e Ghosts of Download e foi editado pela gravadora Nobel Id.
O primeiro disco traz regravações dalguns sucessos do grupo. A ideia deve ter sido aproveitar as condições superiores de produção de hoje pra aprimorar as faixas, porque os arranjos estão iguais e os vocais são imitados dos originais. DEBBIE HARRY jamais foi Amy; seu poder e carisma não estão em ter voz magnífica. A regravação também deve ter pretendido "melhorar" os vocais. Mas, refazer vocais imperfeitos por uma cantora perto dos 70 anos, que perdeu alguma capacidade pra agudos, como se nota em Heart of Glass? Certamente mais limada, a produção perde, porém, o charme de rudeza punk dos originais. E pra que reler Maria, de 99, deixando-a virtualmente idêntica? Greatest Hits Deluxe Redux funciona como curiosidade pra ouvir vez só e continuar escutando os originais.
Ghosts of Download é mais interessante: traz 15 canções novas e uma cover. BLONDIE deixou o rock de lado e orientou seu trabalho prum prisma mais pop dançável. O grupo teria cacife pra recrutar colaboradores de primeira linha, mas trabalhou com artistas latinos bem menos populares no hemisfério norte. O resultado é gostosa infusão de latinidad eletrônica como na brejeirice de I Screwed Up ou na discreta cumbia villera de Sugar on the Side. Euphoria abre com repique a la Olodum, antes de dar uma cumbiada. Take it Back é deliciosa cavalgada dance e Rave palpita de pulsação pulante. A Rose by Any Name me lembrou Good Boys, do álbum The Curse of Blondie (2003), mas um tiquinho desacelerada.
A regravação do clássico oitentista Relax, do FRANKIE GOES TO HOLLYWOOD sintetiza Blondie 4(0)Ever. A primeira parte da canção despe-a dos teclados dos britânicos pra fazer a melodia aparecer só no piano, mas aos poucos Debbie e seus companheiros aproximam a cover do vibrante original, claro que sem alcançar o esplendor orgásmico dos jorros eletrônicos de Holly Johnson e asseclas.
Mesmo que não alcancem as alturas do seu auge criativo e de popularidade, BLONDIE alegra ao demonstrar que esse pessoal já na terceira idade ainda busca novidade.
Disco 1
1. Heart of Glass
2. Dreaming
3. The Tide is High
4. Maria
5. Sunday Girl
6. Hanging on the Telephone
7. Rapture
8. One Way or Another
9. Call Me
10. Atomic
11. Rip Her To Shreds
Disco 2
1. Sugar On The Side (feat. Systema Solar)
2. Rave (feat. Miss Guy)
3. A Rose By Any Name (feat. Beth Ditto)
4. Winter
5. I Want To Drag You Around
6. I Screwed Up
7. Relax
8. Take Me In The Night
9. Make A Way
10. Mile High
11. Euphoria
12. Take It Back
13. Backroom
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