Roger Waters: álbum entrega o que os fãs (e detratores) esperavam
Resenha - Is this the Life we Really Want? - Roger Waters
Por Tiago Meneses
Postado em 03 de junho de 2017
Nota: 10 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Quase vinte e cinco anos após o lançamento de Amused the Death, ROGER WATERS está de volta com um disco de inéditas, onde mesmo eu tendo DAVID GILMOUR como meu Floyd preferido, provavelmente de hoje em diante vou ver esse como o melhor trabalho solo de algum membro da mega banda. Talvez até arrisco-me dizer que é melhor que tudo que o PINK FLOYD fez depois do The Wall, pois apesar de eu gostar também desses discos, existem momentos que não me prendem e não vejo problema em pular a faixa, ao contrário que aqui simplesmente as coisas fluem belissimamente e todo o disco merece uma atenção igualitária e crescem a cada audição.
Além do trabalho musical, não se deve deixar de mencionar o trabalho do produtor NIGEL GODRICH que trouxe camadas sonoras bastante carregadas e orientadas por teclados. Em termos de ser acessível, Is this the Life we Really Want? com certeza lidera esse quesito na discografia do músico. Uma destilação em muitos aspectos das mensagens anti-fascistas, anti-imperialistas e anti-ganância que ele transmitiu desde o PINK FLOYD. Liricamente é bastante sutil, embora o momento em que vivemos, sutiliza não tem sido a palavra chave pra nada e com certeza existam alguns recados para entender o contexto mais profundo de cada música. Mas uma coisa é bem clara, o disco trata-se (também) de um "foda-se" explícito para Donald Trump e qualquer pessoa que se aproveite do sofrimento humano.
O início do álbum com uma curta faixa, "When We Were Young", é através de uns batimentos cardíacos e o tic tac de um relógio e que faz com que seja impossível de não lembrar de Dark Side of the Moon. Em "Déja vù", ROGER WATERS avalia de maneira emotiva sob um violão e atmosfera criada por cordas, na abertura das três primeiras estrofes o que ele faria se tivesse sido Deus e logo em seguida após uma mudança de tom na música o questionamento é se ele tivesse sido um drone. Essa faixa tem reminiscências encontradas principalmente nas baladas do seu último disco com o PINK FLOYD, The Final Cut. "The Last Refugee" é a terceira faixa e certamente um dos momentos mais belos do álbum, tanto musicalmente quanto liricamente. Novamente é possível imaginá-la em algum clássico do PINK FLOYD, mais precisamente em The Wall, pelo seu ar melódico, sombrio, conversas de rádio e excelentes riffs de sintetizadores e piano que deslizam por toda a faixa.
Impossível também é ouvir o início de "Picture That" e não trazer em mente, "Sheep". Além disso, é possível notar até mesmo pedaços de "Shine on You Crazy Diamond Parts VI-XI". Apesar de novamente ser uma música com ar sombrio, dessa vez possui uma levada menos atmosférica e se cadencia de maneira mais pulsante com excelente cozinha e linhas psicodélicas de sintetizadores. "Broken Bones" começa com um violão acústico muito bem acentuado e vocal suave e ao mesmo tempo bastante forte, em seguida vai ganhando acompanhamento de leves toques de cordas. Mas há momentos em que tanto a parte vocal quanto a instrumental crescem, essa segunda em lindos e emocionantes arranjos orquestrais e linhas de guitarra.
A faixa título, "Is this the Life we Really Want?", começa com uma breve fala de Donald Trump lamentando a cobertura de sua eleição, pra somente depois ganhar seu corpo musical. ROGER WATERS canta ao seu melhor estilo de soar "sombrio" em uma levada musical simples, mas muito bem arranjada principalmente pelos teclados. "Bird In a Gale", possui um vocal uivante e desesperado acoplado a adição de teclados maravilhosos. Aqui também facilmente nota-se reminiscências em "Sheep".
"The Most Beautiful Girl" é linda e pode ser vista até certo ponto, com um olhar oblíquo acerca do bombardeio na Síria. Como acontece em boa parte do álbum, o piano figura fortemente. O uso sutil de cordas equilibra-se bem com o vocal, e a música inclui uma grande entrega de ROGER WATERS, onde a sua parte final mostra uma mistura bem equilibrada de tristeza e anseio. "Smell the Roses"é uma verdadeira cornucópia de músicas do PINK FLOYD, possui uma melodia que incorporam elementos de "Have a Cigar", batida encontradas em Echoes, batimentos que lembram aos de Dogs, elementos pulsantes e batimentos de relógio como em Speak to Me/Breathe, latidos e um final que vem a mente "Shine on You Crazy Diamond".
As últimas faixas são uma espécie de "três em um" em um apelo sincero de amor e respeito, que é uma metáfora da fragilidade da paz e da cooperação em um sentido mais amplo (muito mais evidente no segmento final, "Part Of Me Died"). Musicalmente, alguns toques simples e maravilhosos de piano e teclados que deixam com que o disco tenha um final edificante.
Is this the Life we Really Want? entrega exatamente o que os fãs de ROGER WATERS (e os detratores) esperavam, ou seja, um tratado mordaz sobre a condição humana atual com letras afiadas, composições musicais inchadas e muitos efeitos sonoros. Mostra um ROGER WATERS em excelente forma, cheio de vigor e uma determinação para tentar abrir os olhos das pessoas para o que está acontecendo no mundo de hoje. Sua exploração de temas de amor também é uma jogada positiva. O álbum merece toda sua atenção e, embora a política não seja para o gosto de algumas pessoas, deixe essa parte de lado e perceba apenas musicalmente WATERS abraçando com confiança seu mais novo projeto.
Faixas:
1.When we were Young - 1:38
2.Déjà Vu - 4:27
3.The Last Refugee - 4:12
4.Picture That - 6:47
5.Broken Bones - 4:57
6.Is this the Life we Really Want? - 5:55
7.Bird in a Gale - 5:31
8.The Most Beautiful Girl - 6:09
9.Smell the Roses - 5:15
10.Wait for Her - 4:56
11.Oceans Apart - 1:07
12.Part of Me Died - 3:12
Músicos:
Roger Waters - Vocais, guitarra acústica e baixo
Nigel Godrich - Teclados, guitarra, colagem de som e arranjos
Gus Seyffert - Guitarra, teclados e baixo.
Jonathon Wilson - Guitarra e teclados
Roger Manning - Teclados
Lee Padroni - Teclados
Joey Waronker - Bateria
Jessica Wolfe - Vocais
Holly Proctor - Vocais
Lucius - Vocais
Comente: Ouviu o disco? O que achou?
Outras resenhas de Is this the Life we Really Want? - Roger Waters
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Usina da capa de "Animals", do Pink Floyd, se tornará espaço para shows
O melhor disco do Judas Priest, de acordo com a Metal Hammer
Aos 76 anos, Carl Palmer admite ter medo de morrer na estrada
A reação de Jason Newsted ao ouvir uma música de "St. Anger" no rádio
Robert Plant defende músico por show desastroso realizado pelo Led Zeppelin
Digão explica o erro dos Raimundos: "Mamonas Assassinas foram mais inteligentes"
O álbum do Pink Floyd que fez Kate Bush pensar em desistir de escrever músicas
O grupo pop que Ian Gillan considera muito bom em fazer música comercial
Em parceria com a Casa da Moeda Real, Pink Floyd lança palhetas em cobre, prata e ouro
Tarja Turunen fará show em São Paulo em maio de 2027
A banda que pouca gente conhece que juntou membros do Angra e Biquini Cavadão
Cinco fantásticos álbuns ao vivo que não nasceram para ser álbuns ao vivo
Dragonforce anuncia seu novo disco de estúdio e lança o single "Hunger of the Beast"
Os 10 covers mais tocados pelo Metallica ao vivo, segundo a Noise Creep
O que significa a famigerada expressão "viúva dos Cavalera"?
O famoso álbum dos Rolling Stones que Jagger acha uma bobagem; "só tem duas músicas boas"
Como era a relação dos Beatles com o dinheiro, segundo Paul McCartney
O significado da oposição de "suor sagrado" e "sangue amargo" no hit "Tempo Perdido"

Regis Tadeu defende Roger Waters após polêmica envolvendo o Rush e manda recado aos fãs
"Nunca compusemos juntos" - Roger Waters explica sua parceria com David Gilmour no Pink Floyd
O grande problema do show de Roger Waters, segundo Ed Motta
Roger Waters detona Mick Jagger e diz que astro só pensa no físico e no próprio saldo bancário
A traição do Pink Floyd que Roger Waters engoliu a seco e teve que aceitar
Os 83 anos de Roger Waters: gênio criativo ou o destruidor do Pink Floyd?
Os três astros de Hollywood por quem Roger Waters não tinha o menor interesse
Metallica: And Justice For All é um álbum injustiçado?



