Heretic: Trazendo a riqueza da música árabe para o Brasil
Resenha - Leitourgia - Heretic
Por Bruno Rocha
Postado em 26 de abril de 2017
Nota: 9 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Assim que peguei neste álbum e olhei para a capa, notei que sonoridades exóticas e nada convencionais viriam pela frente. Uma bela arte que retrata uma reunião no interior de um grande templo, o nome da banda em uma fonte que emula caracteres árabes, o título do disco grafado no alfabeto grego e um escaravelho, que na cultura egípcia representa o deus Sol, que renasce de si mesmo a cada dia. Ao colocar o disco para rodar, constatei minhas suposições.
A banda HERETIC, oriunda de Goiânia, pratica um Heavy Metal de difícil definição. Completamente instrumental, possui elementos de Progressivo, Black e Death, com forte influência da música regional árabe, indiana, grega e egípcia. Eis aí o atrativo da banda. Folk Metal? Sim, pense assim, já que temos Heavy Metal e música folclórica dividindo o mesmo espaço, apesar de que o termo nos remete logo para as representantes europeias do gênero. Mas estamos no Oriente, e esta terra nos oferece percussões, instrumentos de timbres místicos e escalas regionais, que os brasileiros souberam intercalar com um Heavy Metal agressivo e técnico. Os goianos tem a capacidade de nos tirar do Cerrado do Centro-Oeste e levar-nos para aquelas distantes terras, mais especificamente Índia e Oriente Médio. A temperatura não muda muito nesta viagem, mas a cultura... Esta sim, é bem distinta.
Formada por Guilherme Aguiar (guitarras), Laysson Mesquita (baixo) e Diogo Sertão (bateria), o grupo gravou e lançou em 2015 o álbum "Leitourgia", um registro de 47 minutos que transporta o ouvinte para as dimensões do Oriente Médio, lugar de surpreendentes e cativantes sonoridades, aqui exploradas com muita competência e conhecimento de causa. Ao longo da audição atestamos uma grande variedade de abordagens, indo de ritmos agressivos do Metal à músicas puramente atmosféricas e viajantes. Ora, a faixa 1, "Rajasthan Ritual", é um Prog cadenciado encimado sobre percussões e acompanhado de sintetizadores que criam a tal atmosfera. Já na faixa 2, "I Am Shankar", temos predominantemente um Death Metal em escalas orientais; até que na sua metade a música indiana pede espaço e domina o ambiente com cítaras e percussões. Temos aqui uma homenagem ao músico indiano Ravi Shankar, conhecido por popularizar a música indiana no Ocidente e pelas suas colaborações com THE BEATLES e outros conhecidos nomes da história do Rock.
A banda contou com a participação do músico Lucão Sonoro nas faixas "I Am Shankar", "Sonoro" e "The Hedonist", tocando tablas, um instrumento indiano de percussão, além de caxixi e djembê, instrumentos africanos, guitarra e sintetizadores. Destaques também vão para "Ghost Of Ganeesha", "Lamashtu" e "Sensual Sickness", além do cover para "Solitude", do BLACK SABBATH, que foi, logicamente, rearranjado e adaptado para a proposta sonora do HERETIC.
É de se admirar sobremaneira a coragem em executar Metal instrumental e étnico, trazendo as cores da música oriental, no interior do Brasil. Infelizmente, quando pensamos em Oriente Médio hoje em dia, lembramo-nos somente de guerras, violência e terrorismo. Ponto para o HERETIC, em sua exímia competência, pelo fato de nos fazer reconhecer o verdadeiro valor cultural, e histórico até, daquelas sofridas regiões. A música oriental é rica, colorida e diversificada. Ao ser somada com a capacidade metamórfica e a técnica do Heavy Metal, temos um combo do mais alto quilate de música. O único ponto em que faço uma ressalva é na parte interna do encarte, onde a ficha técnica e os agradecimentos foram impressos em fonte árabe e em cor branca, em cima de um fundo cinza. Ficou complicado para ler. Todavia, dá para ficar um tempão olhando a arte, de autoria de João Brito, e apreciando todos os detalhes.
Atualmente o HERETIC tem somente Guilherme Aguiar como membro oficial, e já possui em sua discografia quatro full-lengths e dois EP's. Com "Leitourgia", a banda goiana se estabeleceu de vez como pioneira do gênero no Brasil, está em plena atividade e ainda vai nos presentear com o melhor do Heavy Metal regado com as águas fecundas do Oriente. Ouça concentrado e sinta-se transportado para as dimensões esotéricas da Índia.
Leitourgia - Heretic (independente, 2015)
Tracklist:
01. Rajasthan Ritual
02. I Am Shankar
03. Lamashtu
04. Ghost Of Ganheesha
05. Unleash The Kraken
06. Sensual Sickness
07. Sonoro
08. Solaris
09. Solitude (Black Sabbath cover)
10. The Hedonist
Line-up:
Guilherme Aguiar - guitarras
Laysson Mesquita - baixo
Diogo Sertão - bateria
Lucão Sonoro - tablas, caxixi, djembê, guitarras, sintetizadores (adicional)
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Carcass ironiza estar abaixo de banda tributo em cartaz de festival
Dimmu Borgir confirmado no Liberation Festival em São Paulo
A banda que era a "versão brasileira do Iron Maiden", segundo Max Cavalera
A música do Led Zeppelin que Brian May considera insuperável na obra da banda
O Iron Maiden errou ou acertou em contratar Janick Gers? Youtuber explica
Os melhores discos de 15 gigantes do thrash metal, segundo o Loudwire
Rush volta aos palcos e inicia a turnê "Fifty Something"; confira setlist
As 40 melhores power ballads da história segundo a Classic Rock
Cinco bandas europeias de Heavy Metal que merecem mais atenção no Brasil
Fabio Lione homenageia Andre Matos e alfineta: "ninho de cobra que conhecemos bem"
Copenhell vem aí com 76 bandas em 4 dias de shows; veja o line-up aqui
Andreas Kisser não compreende a maneira como Eloy Casagrande deixou o Sepultura
Regis Tadeu e a banda clássica de hard que faz show ruim: "Melhor capinar lote com colher"
Aimee Mann participa de show do Rush e canta "Time Stand Still"; confira vídeo
O hit que deu segurança financeira ao Judas Priest, segundo Ian Hill
Manowar: eles vivem o que pregam ou é tudo marketing? Marcus Castellani responde
O clássico que é "O hino" do Rock para Lars Ulrich, baterista do Metallica
A crítica de Raul Seixas ao rock brasileiro anos 80: "Pegam baixo e ficam dando uma nota só"


Tarja Turunen: Frisson Noir - o álbum que os fãs sempre quiseram ouvir
Immolation anuncia a rápida e iminente autodestruição da humanidade no ótimo "Descent"
Michael Jackson - "Thriller" é clássico. Mas é mesmo uma obra-prima?
"Out of This World" do Europe não é "hair metal". É AOR



