Heretic: Trazendo a riqueza da música árabe para o Brasil
Resenha - Leitourgia - Heretic
Por Bruno Rocha
Postado em 26 de abril de 2017
Nota: 9 ![]()
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Assim que peguei neste álbum e olhei para a capa, notei que sonoridades exóticas e nada convencionais viriam pela frente. Uma bela arte que retrata uma reunião no interior de um grande templo, o nome da banda em uma fonte que emula caracteres árabes, o título do disco grafado no alfabeto grego e um escaravelho, que na cultura egípcia representa o deus Sol, que renasce de si mesmo a cada dia. Ao colocar o disco para rodar, constatei minhas suposições.
A banda HERETIC, oriunda de Goiânia, pratica um Heavy Metal de difícil definição. Completamente instrumental, possui elementos de Progressivo, Black e Death, com forte influência da música regional árabe, indiana, grega e egípcia. Eis aí o atrativo da banda. Folk Metal? Sim, pense assim, já que temos Heavy Metal e música folclórica dividindo o mesmo espaço, apesar de que o termo nos remete logo para as representantes europeias do gênero. Mas estamos no Oriente, e esta terra nos oferece percussões, instrumentos de timbres místicos e escalas regionais, que os brasileiros souberam intercalar com um Heavy Metal agressivo e técnico. Os goianos tem a capacidade de nos tirar do Cerrado do Centro-Oeste e levar-nos para aquelas distantes terras, mais especificamente Índia e Oriente Médio. A temperatura não muda muito nesta viagem, mas a cultura... Esta sim, é bem distinta.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
Formada por Guilherme Aguiar (guitarras), Laysson Mesquita (baixo) e Diogo Sertão (bateria), o grupo gravou e lançou em 2015 o álbum "Leitourgia", um registro de 47 minutos que transporta o ouvinte para as dimensões do Oriente Médio, lugar de surpreendentes e cativantes sonoridades, aqui exploradas com muita competência e conhecimento de causa. Ao longo da audição atestamos uma grande variedade de abordagens, indo de ritmos agressivos do Metal à músicas puramente atmosféricas e viajantes. Ora, a faixa 1, "Rajasthan Ritual", é um Prog cadenciado encimado sobre percussões e acompanhado de sintetizadores que criam a tal atmosfera. Já na faixa 2, "I Am Shankar", temos predominantemente um Death Metal em escalas orientais; até que na sua metade a música indiana pede espaço e domina o ambiente com cítaras e percussões. Temos aqui uma homenagem ao músico indiano Ravi Shankar, conhecido por popularizar a música indiana no Ocidente e pelas suas colaborações com THE BEATLES e outros conhecidos nomes da história do Rock.
A banda contou com a participação do músico Lucão Sonoro nas faixas "I Am Shankar", "Sonoro" e "The Hedonist", tocando tablas, um instrumento indiano de percussão, além de caxixi e djembê, instrumentos africanos, guitarra e sintetizadores. Destaques também vão para "Ghost Of Ganeesha", "Lamashtu" e "Sensual Sickness", além do cover para "Solitude", do BLACK SABBATH, que foi, logicamente, rearranjado e adaptado para a proposta sonora do HERETIC.
É de se admirar sobremaneira a coragem em executar Metal instrumental e étnico, trazendo as cores da música oriental, no interior do Brasil. Infelizmente, quando pensamos em Oriente Médio hoje em dia, lembramo-nos somente de guerras, violência e terrorismo. Ponto para o HERETIC, em sua exímia competência, pelo fato de nos fazer reconhecer o verdadeiro valor cultural, e histórico até, daquelas sofridas regiões. A música oriental é rica, colorida e diversificada. Ao ser somada com a capacidade metamórfica e a técnica do Heavy Metal, temos um combo do mais alto quilate de música. O único ponto em que faço uma ressalva é na parte interna do encarte, onde a ficha técnica e os agradecimentos foram impressos em fonte árabe e em cor branca, em cima de um fundo cinza. Ficou complicado para ler. Todavia, dá para ficar um tempão olhando a arte, de autoria de João Brito, e apreciando todos os detalhes.
Atualmente o HERETIC tem somente Guilherme Aguiar como membro oficial, e já possui em sua discografia quatro full-lengths e dois EP's. Com "Leitourgia", a banda goiana se estabeleceu de vez como pioneira do gênero no Brasil, está em plena atividade e ainda vai nos presentear com o melhor do Heavy Metal regado com as águas fecundas do Oriente. Ouça concentrado e sinta-se transportado para as dimensões esotéricas da Índia.
Leitourgia - Heretic (independente, 2015)
Tracklist:
01. Rajasthan Ritual
02. I Am Shankar
03. Lamashtu
04. Ghost Of Ganheesha
05. Unleash The Kraken
06. Sensual Sickness
07. Sonoro
08. Solaris
09. Solitude (Black Sabbath cover)
10. The Hedonist
Line-up:
Guilherme Aguiar - guitarras
Laysson Mesquita - baixo
Diogo Sertão - bateria
Lucão Sonoro - tablas, caxixi, djembê, guitarras, sintetizadores (adicional)
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