In Flames: Não temos um retorno às raízes e nem nada parecido
Resenha - Battles - In Flames
Por Fabio Reis
Postado em 21 de dezembro de 2016
O In Flames surgiu no início dos anos 90 e foi um dos grandes pioneiros do Death Metal melódico, de lá pra cá muita coisa aconteceu e apesar do grupo ter emplacado diversos discos clássicos nesse segmento, à partir da virada do século a banda resolveu dar uma guinada em sua carreira e a musicalidade mais tradicional contida em álbuns como "Whoracle" (1997) e "Colony" (1999), foi substituída por uma sonoridade moderna que desagradou grande parte dos fãs mais antigos.
É interessante mencionar que o Death Metal melódico que os suecos do In Flames ajudaram a elaborar, influenciou diretamente no estilo conhecido como Metalcore - uma espécie de junção do Metal com o Hardcore - surgido nos Estados Unidos, porém, de influente o In Flames se tornou influenciado pelo novo gênero e toda a mudança no som original da banda vem justamente desse fato.
Com foco em conquistar o mercado norte americano, o grupo se adaptou, mudou da água pro vinho, trocou a sua base de fãs e lançou trabalhos bem experimentais. Muitas críticas foram feitas a tais registros e uma série de erros e acertos aconteceram desde então. "Battles", a nova empreitada, sucede o disco considerado como o auge de toda essa mudança, o aclamado por muitos e odiado por tantos outros "Siren Charms" (2014).
A diferença entre os dois é gritante, a veia Dark e até mesmo Industrial do trabalho anterior foi substituída por composições que mesmo mantendo uma linha bem comercial, soam muito mais pesadas e são detentoras de ótimos riffs, além de refrões de fácil assimilação. Pode-se dizer que a banda consegue finalmente equilibrar a fórmula adotada nos últimos anos com algumas referências a seus antigos discos e o resultado é bem satisfatório.
Obviamente não temos um retorno às raízes e nem nada parecido com isso, mas sim uma seleção de músicas que devem agradar aquele ouvinte que possua uma mente mais aberta e não espere que a banda simplesmente repita seus melhores momentos. Temos em "Battles", um In Flames que parece ter se encontrado novamente e a mudança que começou em 2002 com "Reroute To Remain", finalmente tem um desfecho, já que essa parece ser a sonoridade que o grupo tanto buscou.
Como destaque, temos as faixas "Drowned", com um clima denso e boas variações rítmicas, "The End" possui riffs muito bons e assim como em "The Thruth", evidencia os refrões grudentos, "Through My Eyes" é a mais veloz e talvez, a que mais se assemelhe ao velho In Flames. Ainda chamam a atenção "Underneath My Skin" e "Wallflower", ambas cadenciadas e detentoras de partes instrumentais muito interessantes.
Este é o primeiro registro desde 1997 que não conta com a presença do baterista Daniel Svensson e para substituí-lo, foi escolhido Joe Rickard (ex-Red e Starset). Com uma performance discreta, porém competente, o músico não compromete de maneira alguma o trabalho e demonstra ter sido uma escolha acertada. Outro que faz o básico é o baixista Peter Iwers, deixando as ressalvas positivas para a dupla de guitarristas formada por Björn Gelotte e Niclas Engelin. Ambos se mostram bem inspirados e só não superam a performance do vocalista Anders Fridén, que certamente é o ponto alto do álbum com excepcionais alternâncias entre timbres rasgados e limpos.
A produção de "Battles" ficou a cargo de Howard Benson (Halestorm, Sepultura, Motorhead e Apocalyptica), o disco foi gravado no West Valley Studios (Califórnia) e lançado via Nuclear Blast. A versão nacional do CD é um lançamento da Shinigami Records, que ainda traz duas bonus tracks, "Greatest Greed" e "Us Against The World".
Integrantes:
Anders Fridén (vocal)
Björn Gelotte (guitarra)
Niclas Engelin (guitarra)
Peter Iwers (baixo)
Joe Rickard (bateria)
Faixas:
1. Drained
2. The End
3. Like Sand
4. The Truth
5. In My Room
6. Before I Fall
7. Through My Eyes
8. Battles
9. Here Until Forever
10. Underneath My Skin
11. Wallflower
12. Save Me
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