Babymetal: Banda amadurece e abraça novas influências

Resenha - Metal Resistance - Babymetal

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Por Victor de Andrade Lopes, Fonte: Sinfonia de Ideias
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Nota: 9

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

O estrondoso sucesso comercial e de crítica do álbum de estreia autointitulado das Babymetal, bem como o das subsequentes turnês, o que se soma ainda à aceitação que elas tiveram entre muitos headbangers e até entre grandes representantes do gênero cravaram o nome delas definitivamente na história do heavy metal.

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Mas as meninas, que provavelmente estão fazendo o dono da agência delas sorrir de orelha a orelha, ainda haveriam de passar por uma prova mais: a da continuação. Seria um segundo lançamento capaz de manter o nível do primeiro? Ou ele patinaria numa tentativa de reproduzir uma fórmula já usada anteriormente? Nem uma coisa nem outra. Metal Resistance não está no mesmo nível de Babymetal, ele simplesmente está acima. Ele tampouco tenta copiar seu antecessor. As fórmulas se mantiveram, mas o disco claramente abraça novas influências sem medo de ser feliz.

A abertura "Road of Resistance" já "chega chegando" com a participação de dois músicos experientes na arte de driblar o choro dos tr00 666 from hell: Herman Li e Sam Totman, os guitarristas do sexteto britânico de power metal extremo DragonForce, cuja música quase-caricata é alvo de críticas dos maidendependentes. A mistura de duas das bandas mais inusitadas da atualidade deu mais certo do que poderia ser previsto.

A sequência "Karate" parece um recado pros haters. Tem uma clara influência metalcore - e o álbum vai além, explorando a variante electronicore de forma brilhante em "From Dusk Til Dawn", com influências que nos remetem até aos momentos mais chatos do Coldplay, só que justamente sem a chatice.

"Awadama Fever" e "Yava!" recuperam o lado mais pop da banda, com riffs menos agressivos. A primeira parece até uma continuação de "Gimme Choko!!", do trabalho anterior. "Amore" poderia servir de abertura para um anime qualquer, não fosse a instrumentação fritada à la DragonForce.

A surpreendente "Meta Taro" parece saída de um disco qualquer do Korpiklaani, com seus riffs galopantes, atmosfera viking e a bem-vinda inclusão de um acordeão na instrumentação. E aí (depois da já comentada "From Dusk Til Dawn"), vem "GJ!", surpreendendo novamente com riffs metalcore/progressivos reminiscentes de Asking Alexandria, Circus Maximus e Leprous. O "mi-mi-mi-mi" proferido aos 26 segundos parece até uma indireta aos haters brasileiros.

"Sis. Anger" é uma das mais agressivas lançadas por elas, com riffs rápidos de thrash e blast beats bem nervosas intercaladas com passagens mais lentas e poderosas. Tudo isso logo antes de "No Rain, No Rainbow", aquela baladinha básica para desacelerar um pouco o ritmo. Este tipo de música, quando feita por artistas japoneses, ganha um charme em particular, que só quem escuta B'z, GLAY e L'arc~en~ciel entende.

Fechando o álbum com chave de ouro, as surpreendentes "Tales of the Destinies" e "The One". Progressivas e técnicas, a primeira mistura essas bandas novas da cena progressiva (Haken, Leprous, Withem, Prospekt, etc.); enquanto que a segunda parece saída do Images and Words, do quinteto estadunidense de metal progressivo Dream Theater. Um trabalho impecável na guitarra quase nos faz consultar o encarte à procura de John Petrucci na lista de convidados.

Por um lado, abandonar um pouco o lado pop tornou a música da banda mais acessível à comunidade do metal, mas ao mesmo tempo quase deu fim naquilo que as tornou tão distintas. Quase. Metal Resistance não tem mais aquele elemento de choque do disco de estreia delas, ainda que tenha suas surpresas. Ele é mais um álbum de evolução, para mostrar que as meninas eram bem mais do que uma jogada de marketing (embora ainda o sejam). Elas amadureceram e abraçaram novas influências, diversificando seu som.

Se o seu amigo hater não começar a gostar delas ouvindo este lançamento, não começará nunca mais. E digo mais: as Babymetal mostraram definitivamente que são um projeto "sério", capaz de se comportar como uma banda "de verdade", que evolui e busca a própria superação, apesar de todo o aspecto publicitário envolvido.

Abaixo, o vídeo de "Karate":

Track-list:
1. "Road of Resistance"
2. "Karate"
3. "Awadama Fever"
4. "Yava!"
5. "Amore"
6. "Meta Taro"
7. "From Dusk Till Dawn"
8. "GJ!"
9. "Sis. Anger"
10. "No Rain, No Rainbow"
11. "Tales of the Destinies"
12. "The One - English ver. -"


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Sobre Victor de Andrade Lopes

Victor de Andrade Lopes é jornalista (Mtb 77507/SP) formado pela PUC-SP com extensões em Introdução à História da Música e Arte Como Interpretação do Brasil, ambas pela FESPSP, e estudante de Sistemas para Internet na FATEC de Carapicuíba, onde mora. É também membro do Grupo de Usuários Wikimedia no Brasil e responsável pelo blog Sinfonia de Ideias. Apaixonado por livros, ciências, cultura pop, games, viagens, ufologia, e, é claro, música: rock, metal, pop, dance, folk, erudito e todos os derivados e misturas. Toca piano e teclado nas horas livres.

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