Caravan: O maior exemplo de um dos grandes movimentos musicais

Resenha - In the Land of Grey and Pink - Caravan

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Por Tiago Meneses
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Nota: 9

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Nenhum nome da cena musical desenvolvida na cidade britânica de Canterbury (ou Cantuária para nós) pode ser visto com tanta força como o Caravan, mesmo que muitas tenham sido as bandas e artistas a surgir e que deram inclusive o nome de um dos movimentos e variações do rock progressivo no início dos anos 70, homônimo ao da cidade em questão. Sem sombra que a Caravan mesmo com uma discografia até mesmo fraca se vista a grosso modo, gravaram através de “In the Land of Grey and Pink” o melhor disco da cena até hoje pra esse que vos escreve. Uma verdadeira estranheza musical Inglesa temperada com um pouco de capricho, exatamente o que a vertente pede, com muito rock progressivo, jazz e música psicodélica.

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O disco tem seu início através de, “Golf Girl”. Essa é uma música tipicamente britânica, letras divertidas e de uma batida comercial bem com a cara das canções feitas na era pós-psicodélica. Daquele tipo que coloca o ouvinte pra cima e o faz querer cantar junto. O destaque fica por conta de um órgão executado de maneira bastante criativa dando o tom através de uma bela cama melódica para a música.

“Winter Wine" tem uma linha vocal que é difícil não me fazer lembrar do MOODY BLUES. Também carrega uma encantadora melodia Folk enraizada nas praticadas por ROY HARPER. Mas apesar dessas duas referências, o som é bastante singular. RICHARD SINCLAIR fez nessa faixa uma espécie de premonição do que levaria em sua passagem pelo CAMEL no final dos anos 70. Carrega uma instrumental com seção rímica de guitarra simples, porém extremamente agradável. Confesso que se eu fosse criticar algo, seria os trabalhos de teclados que ficaraM meio relegados, mas mesmo assim, uma grande canção.

A terceira faixa do álbum é, “Love to Love You (And Tonight Pigs Will Fly)”. Uma música que eu defino como extremamente enganadora em vários aspectos, e que pode ser vista como somente uma canção pop, fato que não é. Um fato que passa despercebido, é que é feita completamente em 7/8, uma característica progressiva inclusive, mas quase camuflada aqui. Outro fato, a letra cantada sobre um arranjo aparentemente doce e inocente, passa longe de ter esse resultado quando analisada mais a fundo, podendo-se notar inclusive toques bastante obscuros. Uma canção que soa simples, mas possui as suas peculiaridades.

“In The Land Of Grey And Pink” é uma canção simples e muito bem cadenciada pelo baixo, bateria e guitarra acústica, além claro, sem deixar de mencionar o belíssimo solo de piano que cai como uma luva no meio da canção. Não existe muito o que se destacar aqui, mas ao mesmo tempo não a nada pra ser questionado também. Tudo soa como tem que soar.

Mas o melhor do álbum está no final através de, “Nine Feet Underground". Um épico de quase 23 minutos dividido em 8 capítulos. A faixa é uma grande mistura de música sinfônica, progressiva e psicodélica, com inúmeras peças de solo se espalhando por toda a sua duração. O que torna esta canção uma obra tão significativa pra mim é o fato de que ela permaneça interessante em toda sua totalidade, independentemente da grande quantidade de tempo solando. Todos os instrumentos interagem o tempo todo para fornecer este resultado aventureiro que é abundante em criatividade e melodia. Umas das grandes suítes produzida na frutífera primeira metade da década de 70 para o rock progressivo.

Não há o que dizer em relação a cena Canterbury e o álbum “In The Land Of Grey And Pink” senão que trata-se do maior exemplo de um dos grandes movimentos musicais da época. Uma verdadeira joia e que serviu de espelho pra tantos outros petardos que vieram em seguida. Altamente recomendado.

BANDA:

Richard Sinclair - Baixo, guitarra acústica e vocais
David Sinclair - Orgão, piano, mellotron e harmonia vocal
Pye Hastings - Guitarra elétrica, guitarra acústica e vocais
Jimmy Hastings - Flauta, flautim e saxofone tenor
David Grinsted - Sino, instrumentos de sopro
Richard Coughlan - Bateria, percussão

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