Caravan: O maior exemplo de um dos grandes movimentos musicais
Resenha - In the Land of Grey and Pink - Caravan
Por Tiago Meneses
Postado em 16 de março de 2016
Nota: 9 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Nenhum nome da cena musical desenvolvida na cidade britânica de Canterbury (ou Cantuária para nós) pode ser visto com tanta força como o Caravan, mesmo que muitas tenham sido as bandas e artistas a surgir e que deram inclusive o nome de um dos movimentos e variações do rock progressivo no início dos anos 70, homônimo ao da cidade em questão. Sem sombra que a Caravan mesmo com uma discografia até mesmo fraca se vista a grosso modo, gravaram através de "In the Land of Grey and Pink" o melhor disco da cena até hoje pra esse que vos escreve. Uma verdadeira estranheza musical Inglesa temperada com um pouco de capricho, exatamente o que a vertente pede, com muito rock progressivo, jazz e música psicodélica.
O disco tem seu início através de, "Golf Girl". Essa é uma música tipicamente britânica, letras divertidas e de uma batida comercial bem com a cara das canções feitas na era pós-psicodélica. Daquele tipo que coloca o ouvinte pra cima e o faz querer cantar junto. O destaque fica por conta de um órgão executado de maneira bastante criativa dando o tom através de uma bela cama melódica para a música.
"Winter Wine" tem uma linha vocal que é difícil não me fazer lembrar do MOODY BLUES. Também carrega uma encantadora melodia Folk enraizada nas praticadas por ROY HARPER. Mas apesar dessas duas referências, o som é bastante singular. RICHARD SINCLAIR fez nessa faixa uma espécie de premonição do que levaria em sua passagem pelo CAMEL no final dos anos 70. Carrega uma instrumental com seção rímica de guitarra simples, porém extremamente agradável. Confesso que se eu fosse criticar algo, seria os trabalhos de teclados que ficaraM meio relegados, mas mesmo assim, uma grande canção.
A terceira faixa do álbum é, "Love to Love You (And Tonight Pigs Will Fly)". Uma música que eu defino como extremamente enganadora em vários aspectos, e que pode ser vista como somente uma canção pop, fato que não é. Um fato que passa despercebido, é que é feita completamente em 7/8, uma característica progressiva inclusive, mas quase camuflada aqui. Outro fato, a letra cantada sobre um arranjo aparentemente doce e inocente, passa longe de ter esse resultado quando analisada mais a fundo, podendo-se notar inclusive toques bastante obscuros. Uma canção que soa simples, mas possui as suas peculiaridades.
"In The Land Of Grey And Pink" é uma canção simples e muito bem cadenciada pelo baixo, bateria e guitarra acústica, além claro, sem deixar de mencionar o belíssimo solo de piano que cai como uma luva no meio da canção. Não existe muito o que se destacar aqui, mas ao mesmo tempo não a nada pra ser questionado também. Tudo soa como tem que soar.
Mas o melhor do álbum está no final através de, "Nine Feet Underground". Um épico de quase 23 minutos dividido em 8 capítulos. A faixa é uma grande mistura de música sinfônica, progressiva e psicodélica, com inúmeras peças de solo se espalhando por toda a sua duração. O que torna esta canção uma obra tão significativa pra mim é o fato de que ela permaneça interessante em toda sua totalidade, independentemente da grande quantidade de tempo solando. Todos os instrumentos interagem o tempo todo para fornecer este resultado aventureiro que é abundante em criatividade e melodia. Umas das grandes suítes produzida na frutífera primeira metade da década de 70 para o rock progressivo.
Não há o que dizer em relação a cena Canterbury e o álbum "In The Land Of Grey And Pink" senão que trata-se do maior exemplo de um dos grandes movimentos musicais da época. Uma verdadeira joia e que serviu de espelho pra tantos outros petardos que vieram em seguida. Altamente recomendado.
BANDA:
Richard Sinclair - Baixo, guitarra acústica e vocais
David Sinclair - Orgão, piano, mellotron e harmonia vocal
Pye Hastings - Guitarra elétrica, guitarra acústica e vocais
Jimmy Hastings - Flauta, flautim e saxofone tenor
David Grinsted - Sino, instrumentos de sopro
Richard Coughlan - Bateria, percussão
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Derrick Green anuncia estar formando nova banda para o pós-Sepultura
Os motivos que fizeram Iggor Cavalera recusar reunião com o Sepultura, segundo Andreas Kisser
A canção que Page e Bonham respeitavam, mas achavam que nada tinha a ver com o Led Zeppelin
Glenn Hughes teria recusado gravar "Seventh Star" se soubesse ser um disco do Black Sabbath
A banda que parecia barulho sem sentido e influenciou Slipknot e System Of A Down
A opinião de Regis Tadeu sobre o clássico "Cabeça Dinossauro" dos Titãs
Elton John revela qual o maior cantor de rock que ele ouviu em sua vida
A banda em que ninguém recusaria entrar, mas Steven Tyler preferiu dizer não
Membros do Black Sabbath recuperam direitos sobre demos do Earth
O grande problema que invalida o documentário do Iron Maiden, segundo Regis Tadeu
15 bandas de rock e heavy metal que colocaram seus nomes em letras de músicas
Sepultura lança "The Cloud of Unknowing", último EP de sua carreira
A pergunta da filha com autismo que fez Russell Allen decidir compor uma música para ela
Megadeth inicia turnê sul-americana, que passará por São Paulo; confira setlist
A canção para a qual o Kiss torceu o nariz e que virou seu maior sucesso nos EUA

"Eagles Over Hellfest" é um bom esquenta para o vindouro novo disco do colosso britânico Saxon
Ju Kosso renasce em "Sofisalma" e transforma crise em manifesto rock sobre identidade
Moonspell atinge o ápice no maravilhoso "Opus Diabolicum - The Orchestral Live Show"
Carach Angren - Sangue, mar e condenação no Holandês Voador
Testament - A maestria bélica em "Para Bellum"
Pink Floyd: The Wall, análise e curiosidades sobre o filme


