The Perennial Coventry: Continuando a viagem sonora aos anos 70
Resenha - All The Ways Lead - Perennial Coventry
Por João Renato Fontes
Postado em 10 de fevereiro de 2016
Se você (assim como eu) é um grande fã da música dos anos 70, eis aqui um lançamento com qual se deliciar! O the Perennial Coventry é um duo espanhol bem reconhecido na Europa pelo seu som "vintage" e sua paixão declarada pelo bom e velho Rock'N'Roll de bandas gigantes como Black Sabbath, Led Zeppelin e Deep Purple. Se ditas influências estavam já claras no primeiro disco do conjunto ("Old Spice", ver resenha no link abaixo), a coisa agora ficou muito mais séria e bem mais complexa.
Batizado como "All the Ways Lead" e mais uma vez auto-produzido e distribuido atravéz da plataforma digital BANDCAMP, o segundo petardo dessa curiosa formação abre com a imediata e Rainbowniana "The Racer", desfilando muita melodia, estruturas complexas e um refrão grudento. Posso dizer que essa música seria facilmente comparada a um Queen que decidiu fazer um cover do já sitado Rainbow. A produção clara e bem colocada, as guitarras sujas porém cheias de classe de Uri Fabregas e os teclados furiosos de D. Capetto começam essa viagem no tempo e nos levam diretamente a 1976.
Essa impressão continua na segunda música, a Power-Balada "Carried by the Devil". Para descrever essa canção eu pensaria no Pink Ployd mandando um som do Deep Purple. O vocal, sempre correto de D. Capetto, toca o emocionante aqui. Além de um bem executato solo de piano e a deliciosa linha de baixo de Uri Fabregas que permea toda a canção. É importante resaltar a qualidade das letras desse trabalho, e isso fica muito evidente nessa "Carried by the Devil", tal como na sinistramente violenta "Omni-Absent".
E falando em violência, o album segue com a estridente "Dopplegänger" e sua linha de baixo mais aguda, referindo-se ao trabalho de um John Paul Jones no seu querido Led Zeppelin, seguida da sinistra "3 They Are 3" que dá continuidade à mistura de influências, deixando clara a paixão dos caras pelo King Crimson e pelo Black Sabbath.
Também é digna de se conferir a instrumental "Eurydice's Grave". Um Jazz-Rock acelerado e algo dançante, repleto de dinâmicas, intervalos e variações.
O disco fecha com a enigmática "The Marble Rhino", e sim senhores, o Rinoceronte de Mármore (apesar de uma introdução Pinkfloydiana que parece desnecessária mas não é) é a chave de ouro ou, se preferirem, a cereja do bolo. É uma canção forte, direta, reta, como se o Steppenwolf mandasse ver a sua "Born to be Wild" em um dia de fúria. Posso dizer que o final dessa música é extranhamente sublime e vale a audição do disco!
Enfim, uma material heterogênio mas que em nenhum momento soa descolocado. E se comparado ao primeiro trabalho do grupo, seria como se o Black Sabbath tivesse saltado diretamente do "Paranoid" ao "Sabbath Bloody Sabbath" tamanha a evolução presente aqui!
Um álbum nota 9
The Perennial Coventry - "All the Ways Lead"
The Racer
Carried by the Devil
Dopplegänger
3 They Are 3
Omni-Absent
Through Uncertain Ways
Eurydice's Grave
The Marble Rhino
Formação:
*Uri Fabregas: Guitarras, Baixo, Sítara, Percussão Africana
*D. Capetto: Vozes, Teclado, Bateria, Kazoo, Percussão Latina
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