David Lee Roth: 28 anos depois, CD soa datado, por isso é tão bom
Resenha - Skyscraper - David Lee Roth
Por Nacho Belgrande
Fonte: Playa Del Nacho
Postado em 24 de janeiro de 2016
O dia 21 de Janeiro marca o vigésimo-sétimo aniversário de lançamento de 'SKYSCRAPER' – o segundo disco solo de DAVID LEE ROTH depois de seu lamentável rompimento com o VAN HALEN. Eu digo isso só caso você ainda não esteja se sentindo velho o suficiente.
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Tamanha janela de tempo com tantas guinadas na carreira de Roth, merecem uma reapreciação do álbum que deu a ele seu maior sucesso, mas que ainda permanece à sombra de seu debut, 'Eat'em and Smile'. Então sente-se, pegue um saco de M&M [com todos os marrons retirados, claro] e dê uma ouvida…
Skyscraper era um disco mais polido, comercial e concebido por teclados do que o anterior. Ele deu a Roth um grande sucesso em 'Just Like Paradise', que hoje em dia soa bastante brega. O que levanta o álbum é a crescente influência de STEVE VAI no disco. Vai tinha tocado com FRANK ZAPPA antes de unir-se à Roth e ele co-produziu Skyscraper. Vai formou uma parceria autêntica com David, além de fornecer complementos histriônicos de guitarra às piadas de Roth. A faixa-título é uma música planejada e fabricada em cima de teclados, permeados por um solo insano de guitarra. A acústica Good Times é um som decente que aguenta bem a barra – é relaxada, faz pensar e cria um clima. Também chupa um riff acústico de Stairway To Heaven.
Hina era outra faixa interessante – talvez o ponto alto do disco para alguns – na qual Vai soa como tivesse usado um pedal/efeito de delay para harmonizar consigo próprio. Foi algo bem inovador para a época.
Chega de falar de músicas que resistiram ao tempo. Até onde você gosta do resto do disco realmente depende de sua tolerância a tecladeira do naipe 'sub-Ases Indomáveis' e guitarrada da mais preciosa variedade oitentista. Doideira, mas uma doideira das boas e por vezes necessárias. É difícil levar a sério uma música chamada Hot Dog And a Shake – apesar do solo de Vai nela carregar uma técnica de fazer cair o queixo.
O disco acaba de modo maduro: com uma mensagem de rotação invertida, que quando tocada de maneira correta diz 'Obedeça a seus pais e use um preservativo.'
David Lee Roth era e permanece sendo um showman com toda a contenção de um show de Keith Moon dirigindo um carro pra dentro de uma piscina em uma feira agropecuária. Roth teve alguns grandes momentos ao vivo em sua carreira solo – um em Donington e dois na Wembley Arena [em Novembro de 1988 e em Março de 1991]. No primeiro dos shows em Wembley, ele voou do teto para um ringue de boxe no meio da pista, onde ele recebeu os aplausos da platéia pelo que pareceu ter sido um tempo e cinco minutos sem cantar uma nota sequer, antes de ser carregado pelo público em uma prancha de surfe ao som do hit do Van Halen 'Panama'. Foi uma performance tipicamente modesta, sem maiores destaques. Ele também veio com as mesmas piadas 'de improviso' que ele tinha contado em Donington. Em uma tentativa de não ser ofuscado, o ás da guitarra Steve Vai trouxe uma guitarra em forma de coração com três braços para tocar o sucesso 'Yankee Rose. O baixista de Roth, BILLY SHEEHAN, saiu da banda antes da turnê de Skyscraper começar – ele supostamente teria ficado descontente com o resultado final do álbum, dizendo em entrevistas que as demos originais eram melhores. Dado que é a produção oitentista que torna o disco datado, seria fascinante ouvi-las.
Sheehan formaria o MR. BIG em 1988, com o outro esmerilhador, PAUL GILBERT, do RACER X e desfrutou de algum sucesso com o disco de estréia e então estourou com a balada cu d'água 'To Be With You', que chegou ao #1 nos EUA e #3 no Reino Unido – tirada do segundo álbum.
Vai deixou Roth para juntar-se ao WHITESNAKE em 1989.
Entretanto, nada disso é tão interessante como as novas que o serviço de música por streaming SPOTIFY traz, colocando em seu catálogo a versão em espanhol de Eat'em And Smile [chamada de 'Sonrisa Salvaje']. A existência desse disco sempre teve status de lenda desde o lançamento. Nunca antes tinha um artista gravado o exato mesmo álbum para lançamento simultâneo em dois idiomas diferentes. Exceto pelos muitos artistas que provavelmente ignorei para lançar esse dado que fizeram exatamente a mesma coisa, claro. Pode ser um pouco hiperbólico dizer que você não viveu até que tenha ouvido Sonrisa Salvaje, mas tente ouvir a versão em castelhano de Yankee Rose sem que um amplo sorriso brote no seu rosto. Não obstante, Sonrisa Salvaje é um álbum que – por ser num idioma que não o inglês – dá ao ouvinte a [completamente falsa] sensação de que ele é mais inteligente e devido à experiência. É como quando um estadunidense assiste a um filme estrangeiro com legendas [mesmo de for Battle Royale ou um filme francês de fim de noite na BBC2 que você só está assistindo pra ver se aparece alguma mulher pelada].
Olha aí. Um disco de David Lee Roth que te faz sentir mais culto e inteligente depois de ouvi-lo. Não é algo que você espere ler todo dia.
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