Danzig: Nem sempre homenagens agradam

Resenha - Skeletons - Danzig

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Por Mário Pescada
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Nota: 6

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Cinco anos depois do seu último disco, o bom Deth Red Sabaoth, o baixinho mais invocado do rock volta à cena com um disco de covers que começou a ser produzido em 2012 e só foi terminado três anos depois.

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O que era para ser um EP com no máximo 8 faixas acabou virando um disco completo com 10 músicas. Na verdade era para serem doze faixas, mas Some Velvet Morning de Nancy Sinatra e Lee Hazlewood's (1967) que até chegou a ser gravada com Cherie Currie (ex-THE RUNAWAYS), por questões de direitos autorais, acabou ficando de fora na última hora, além de um tema western do italiano Ennio Morricone.

O disco possui um repertório eclético, com bandas de garage rock, psicodélicas, metal, etc. Sobre o disco, Danzig declarou “É a fundação. Se você tirar ELVIS e BLACK SABBATH da minha vida, eu provavelmente não seria o Glenn Danzig que você conhece! Estou feliz que ambos os lados estão representados nesse disco”. Até a capa de Skeletons é uma homenagem, sendo descaradamente baseada no disco Pin Ups (1973) de DAVID BOWIE.

Skeletons tem despertado paixões e ódio. As maiores críticas nem são por causa das derrapadas em algumas performances, mas, sobretudo pela qualidade da gravação: acredito que a forma como foi feita tenha sido proposital (Danzig foi o produtor e engenheiro de mixagem, talvez quisesse soar como os discos de vinil e tapes da época), afinal de contas, com a tecnologia de hoje e tendo uma gravadora como a Nuclear Blast bancando o disco, ele poderia ter sido sim melhor produzido. Quem gosta de produção cristalina, é melhor pensar bem antes de apertar o play, porque algumas faixas chegam a soar como um ensaio numa garagem.

Vamos a um faixa a faixa:

01 Devils Angels: um punk rock no melhor estilo MISFITS do começo da carreira, sujo e direto. Não se trata de uma música inédita, essa mesma versão já havia sido disponibilizada na internet em 2012. Nota 8

02 Satan: baladinha bem cara dos anos 60, com os vocais de Danzig soando muito parecidos com o original, dá a entender que foi Paul Wibier a sua maior influência na forma de cantar. Nota 8

03 Let Yourself Go: lançada para compor a trilha sonora do filme Speedway (no Brasil o filme ganhou o nome de O Bacana do Volante...ok, pula essa). A gaita e saxofone do original fizeram falta no cover e o peso da bateria ficou muito acima dos outros instrumentos. Fiquem com a original cheia de swing do Rei do Rock. Nota 6

04 N.I.B.: essa é uma daquelas músicas que o cara tem que pensar muito bem antes de lançar, afinal é um clássico que todo mundo conhece, o que faz a expectativa e cobrança subirem. A guitarra mandou bem, mas a bateria entregou pelo ritmo bem arrastado e a interpretação vocal de Danzig não ficou legal, acabou soando forçada e cansativa, um resultado embaraçoso. Nota 3

05 Lord Of The Thighs: vocal ficou legal com instrumental bem mais pesado que o original. Nota 7

06 Action Woman: outra que ficou com cara de punk rock por causa da bateria marcada e os vocais gritados, simples, mas bem eficaz. Nota 7

07 Rough Boy: você já deve ter visto esse clip na MTv (aquele clip sobre uma nave metade Eliminator, o carro símbolo do ZZ TOP, e metade foguete que entra em um lava-jato espacial - mais anos 80 impossível). A guitarra “apitando” a música inteira enche o saco e o famoso solo de Billy Gibbons...não teve! Não fizeram! Imperdoável. Nota 2

08 With A Girl Like You: um punk rock bem sujo, ficou bem legal o refrão com vocais dobrados cantando “Ba ba ba ba”. Nota 7

09 Find Somebody: a música original é bem chatinha, mas a versão aqui superou com folga a original, talvez porque seja a com mais cara de Danzig de início de carreira, sobretudo na guitarra lembrando os primeiros discos gravados pelo grande guitarrista John Christ. Nota 8

10 Crying In The Rain: muita gente vai se lembrar dessa música pela versão que o A-HA gravou em 1990 e que fez muito sucesso, aqui a versão é com piano e uma suave percussão ao fundo, nada de mais. Nota 6

Ao final da audição, cheguei a duas conclusões: 1) Quando Danzig canta músicas que originalmente tem vocal lento, o final tende a ser trágico, porém, quando canta músicas com vocais mais rápidos com seu estilo próprio, os resultados quase sempre são satisfatórios; 2) Apesar dos seus 60 anos, o cara ainda manda bem no punk rock, passou da hora dele voltar com o MISFITS!

Faixas:
01 - Devils Angels - Davie Allan And The Arrows (1968)
02 - Satan - Paul Wibier (1969)
03 - Let Yourself Go - Elvis Presley (1968)
04 - N.I.B. - Black Sabbath (1970)
05 - Lord Of The Thighs - Aerosmith (1974)
06 - Action Woman - The Litter (1967)
07 - Rough Boy - ZZ Top (1986)
08 - With A Girl Like You - The Troggs (1966)
09 - Find Somebody - The Young Rascals (1967)
10 - Crying In The Rain - The Everly Brothers (1962)

Formação:
Glenn Danzig: vocais, piano, guitarras, baixo e bateria nas faixas 3, 6, 7, 8 e 10
Tommy Victor: guitarra base, guitarra solo, baixo (ex-PRONG, MINISTRY)
Johnny Kelly: bateria nas faixas 1, 2, 4, 5 e 9 (ex-TYPE O NEGATIVE, BLACK LABEL SOCIETY, KILL DEVIL HILL)

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Sobre Mário Pescada

Mineiro, leitor compulsivo, ouvinte de todas as vertentes do rock - do blues ao grindcore. Valoriza mais a honestidade e entrega em cima do palco do que a técnica. Guarda os flyers dos shows que vai como se fossem relíquias.

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