Symphony X: "Underworld" é um álbum essencialmente heavy metal
Resenha - Underworld - Symphony X
Por The Rev
Postado em 05 de agosto de 2015
Morre Phil Campbell, guitarrista que integrou o Motörhead por mais de 30 anos
Conheci o Symphony X em 2003, 2004. Apesar de muitos considerarem-na uma banda de metal progressivo, sempre achei que a banda está mais atrelada ao heavy metal, com laivos de metal progressivo. Sim, na discografia da banda podemos encontrar álbuns mais pesados e outros mais experimentais, mas os riffs criativos e pesados de Michael Romeo (ao meu ver) dão a tônica ao grupo. E outra característica marcante do grupo são os álbuns com temas diversos, como é o caso da inspiração na mitologia egípcia em V – The New Mitology Suite (2000) e n’A Odisseia, de Homero em The Odyssey (2002).
Em Underworld, a banda não foge de nenhuma destas características: primeiramente, é um álbum essencialmente heavy metal. Um heavy metal bruto, pegado, que dá pouquíssimos momentos de respiro; e a inspiração, mais uma vez, vem da mitologia e da literatura. Desta vez, o mote utilizado pelo Symphony X na criação do tema para o álbum é o Inferno de Dante.
Há a descrição deste Inferno por todas as letras deste disco. A sinestesia corre solta, desenhando traços sombrios, sentimentos e cenários bastante compatíveis com a literatura d’O Inferno de Dante Alighieri, em A Divina Comédia. Na música "Without You" há uma referência à Mitologia Grega, sobretudo a história de amor de Orfeu e Eurídice. Orfeu foi até as profundezas do inferno atrás de sua amada, que havia morrido. E a perdeu novamente, quando enfim havia conseguido trazê-la de volta para a vida. Por fim, decide ficar no Inferno juntamente com ela, quando nota que não há outra possibilidade de ficar com a sua amada.
Em Underworld há muitas mais referências a serem consideradas, mas as principais inspirações ficam mesmo na Mitologia Grega e na descrição do Inferno de Dante. Por estar falando das profundezas do submundo, o disco do Symphony X pende a ser mais heavy, com alguns momentos de linhas melódicas. A banda continua bastante afiada: Michael Romeo e seus riffs poderosos; Russell Allen num excelente trabalho vocal, alternando heavy, hard e melódico com a categoria de sempre. São os músicos da banda que despontam, embora não possamos esquecer do competente Jason Rullo na bateria.
É um disco muito consistente, bem diferente dos discos do Angra e do Helloween deste ano. Há um conceito geral que amarra todo o disco, mas cada música tem uma singularidade, tornando-se singular no plural. Por conta disso, o disco é bem plural, e consegue agradar os fãs antigos e apreciadores de heavy metal. E prova que as bandas mais antigas de heavy metal/metal progressivo ainda podem oferecer aos apreciadores deste gênero musical excelentes discos, mostrando aos novos como é que se faz – e sem perder o frescor, nunca. Underworld é passagem direta para o Inferno, sem volta.
Boas músicas: "Nevermore", "Without You", "Run With The Devil", "To Hell and Back".
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