Enchant: Neo-progressivo inspirado em bandas como Rush e Yes

Resenha - Great Divide - Enchant

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Por Ricardo Pagliaro Thomaz
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Nota: 10


Vamos falar de Rock Progressivo. Eu sempre vim acompanhando a cena do gênero nos últimos anos e sempre tem surgido coisas muito interessantes. Alguns anos atrás eu fiquei triste que uma das minhas bandas modernas favoritas, o Enchant não gravava mais discos. Aí desisti de esperar a volta do Enchant quando soube que o vocalista Ted Leonard havia sido escalado para o Spock's Beard. Fiquei muito feliz com isso, também sou um grande fã do Spock's Beard, o cara é ultra-talentoso, mas ao mesmo tempo bateu uma tristeza de ver o fim de uma banda como o Enchant. Felizmente eu estava enganado.

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Lançando seu oitavo álbum de estúdio após uma ausência de 10 anos, o Enchant em 2014 nos presenteia com o seu estilo inconfundível de neo-progressivo inspirado em bandas como Rush e Yes. E fico muito contente de dizer que é um dos melhores discos do grupo, que possui uma discografia impecável de álbums. O disco vem bastante imerso na veia de álbums como Juggling 9 Or Dropping 10 (2000) e Blink Of An Eye (2002), alguns dos melhores lançamentos da banda. E embora eu ainda goste muito da sonoridade do primeiro álbum da banda, A Blueprint Of The World (1993), achei a decisão mais acertada seguirem em frente onde pararam com sua sonoridade.

"Circles" abre o disco e eu achei a faixa mais bacana de todas, com arranjos muito bons e marcando um retorno triunfal de uma banda que deu saudade, provando que tem ainda muito a nos dizer. Arranjos e solos de teclado Korg muito legais acompanhados com os solos quebrados ritmicamente de Douglas Ott; a voz aqui de Ted não se alterou, apesar de que quando eu ouvi Brief Nocturnes and Dreamless Sleep (2013) do Spock's Beard ela por vezes me parecia ligeiramente alterada em textura, mas isso deve ser por causa do estilo mais melódico do Beard.

"Within an Inch" é uma típica composição da banda, unindo seu estilão Rush com toques jazzisticos bem sutis, pra matar a saudade mesmo de quem ouviu a banda em seu Live at Last (2004) de 2004 pela última vez. A veia jazzística do Enchant se manifesta de novo na faixa título, cheia de quebradeiras e com o som bem característico do grupo, quem já ouve a banda já está bastante acostumado com essas quebradeiras e também com a duração das faixas, que sempre atingem uma média de 6 a 9 minutos de duração.

"Transparent Man" é outro destaque do disco, e lembra bastante algo como "Sinking Sand", do álbum Tug of War (2003). Outra que acho que merece destaque aqui é "Deserve to Feel", algo bem na linha do Dream Theater dos anos 90, bastante interessante e com passagens matadoras. Quem já ouviu o álbum Falling Into Infinity (1997) do Dream Theater vai entender do que estou falando. Para fechar o disco, a última cantada, "Here and Now", que tem passagens vocais belíssimas casando perfeitamente com um trabalho instrumental matador e a fantástica instrumental "Prognosticator", que traz aquela beleza instrumental que o Dream Theater parece ter esquecido lá nos anos 90.

Um disco de retorno muito bom e que, sinceramente eu espero que seja o catalisador para que o Enchant lance mais coisas futuramente e não nos deixe esperando mais 10 anos por um novo lançamento. Vale muito a escutada neste álbum, e para quem ainda não conhece a banda, considero um ótimo disco para se encantar pelo grupo e ir atrás de seu material anterior.

The Great Divide (2014)
(Enchant)

Tracklist:
01. Circles
02. Within an Inch
03. The Great Divide
04. All Mixed Up
05. Transparent Man
06. Life in a Shadow
07. Deserve to Feel
08. Here and Now
09. Prognosticator

Selo: InsideOut Music

Enchant é:
Ted Leonard - voz
Douglas Ott - guitarra
Ed Platt - baixo
Bill Jenkins - teclados
Sean Flanegan - bateria

Discografia:
- The Great Divide (2014)
- Tug of War (2003)
- Blink of an Eye (2002)
- Juggling 9 Or Dropping 10 (2000)
- Break (1998)
- Time Lost (1997)
- Wounded (1996)
- A Blueprint of the World (1993)

Site oficial:
http://www.enchantband.com




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Sobre Ricardo Pagliaro Thomaz

Roqueiro e apreciador da boa música desde os 9 anos de idade, quando mamãe me dizia para "parar de miar que nem gato" quando tentava cantarolar "Sweet Child O'Mine" ou "Paradise City". Primeiro disco de rock que ganhei: RPM - Rádio Pirata ao Vivo, e por mais que isso possa soar galhofa hoje em dia, escolhi o disco justamente por causa da caveira da capa e sim, hoje me envergonho disso! Sou também grande apreciador do hardão dos anos 70 e de rock progressivo, com algumas incursões na música pop de qualidade. Também aprecio o bom metal, embora minhas raízes roqueiras sejam mais calcadas no blues. Considero Freddie Mercury o cantor supremo que habita o cosmos do universo e não acredito que há a mínima possibilidade de alguém superá-lo um dia, pelo menos até o dia em que o Planeta Terra derreter e virar uma massa cinzenta sem vida.

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