Os Mutantes: Início do afundamento progressivo da banda
Resenha - Mutantes E Seus Cometas No País Dos Baurets - Os Mutantes
Por Claudinei José de Oliveira
Postado em 28 de março de 2015
Morre Phil Campbell, guitarrista que integrou o Motörhead por mais de 30 anos
Nota: 4 ![]()
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Em 1972, Os Mutantes iniciavam o flerte com o rock progressivo e começavam a perder a mão na fórmula que os havia caracterizado positivamente até então.
Último disco d'Os Mutantes a contar com a participação dos irmãos Baptista junto a Rita Lee. Não chega a ter a coesão e a classe do anterior "Jardim Elétrico" pois, ao que parece, a liga entre os integrantes da banda (além dos três já citados, o baixista Liminha e o baterista Dinho), não mais funcionava.
A grande verdade é que, antes de originais, Os Mutantes sempre foram ótimos tradutores daquilo que melhor se produzia internacionalmente, em termos de rock, para o solo pátrio. "Vida De Cachorro", por exemplo, é quase que um plágio de "Blackbird" dos Beatles. "Cantor De Mambo" explora elementos latinos bem ao estilo do que Santana vinha fazendo e, dizem, era uma crítica ao prestígio que o músico Sérgio Mendes gozava na gringa. Se verdade, além de ressentida, é de muito mal gosto. "Dune Buggy" e "A Hora E A Vez Do Cabelo Nascer" são odes escancaradas ao uso do LSD que, diga-se de passagem, cobrou um alto preço de Arnaldo.
As duas grandes pérolas do álbum são, sem sombra de dúvidas, "Posso Perder Minha Mulher, Minha Mãe Desde Que Eu Tenha O Rock And Roll", paródia do clássico de Carl Perkins, Blue Suede Shoes, feita por Liminha e a linda "Balada Do Louco", composição de Rita e Arnaldo, bastante inspirada em "Hey Jude". A pegada hard de "Beijo Exagerado" também merece destaque, apesar da letra fraca.
Sobre o "cover" de "Rua Augusta", nada que chegue perto do entusiasmo de "Banho De Lua", do segundo disco e, para encerrar, há uma vinheta composta por Bororó, um dos inúmeros "malucos" que viviam "na veia" da banda, chamada "Todo Mundo Pastou" e dividida em duas partes, cada uma fechando um dos lados do vinil original, que tinha a missão de ser engraçada mas, francamente, só mesmo com muito ácido na cabeça...
A música que dá título ao álbum (Baurets foi um codinome cunhado pelo genial Tim Maia para se referir à maconha, na cidade de Bauru, interior de São Paulo - Baurets; Bauru, sacaram?) aponta o rumo que a banda passaria a seguir, ou seja, o rock progressivo, onde o senso de humor, o nonsense e a jovialidade, tão caros à banda até aqui, seriam substituídos por uma sisudez onde a realidade deturpada pelo uso do LSD ganharia tons religiosos. Rita, malandra que só, sacou a furada e pulou fora do barco, se fazendo do vítima, rumo a uma carreira solo de sucesso. Arnaldo, totalmente desnorteado, foi o próximo, cabendo a seu irmão, o guitarrista Sérgio, dar continuidade ao afundamento progressivo da banda.
Tracklist do CD:
1."Posso Perder Minha Mulher, Minha Mãe Desde Que Eu Tenha O Rock And Roll"
2."Vida De Cachorro"
3."Dune Buggy"
4."Cantor De Mambo"
5."Beijo Exagerado/Todo Mundo Pastou"
6."Balada Do Louco"
7."A Hora E A Vez Do Cabelo Nascer"
8."Rua Augusta"
9."Mutantes E Seus Cometas No País Dos Baurets"
10."Todo Mundo Pastou II"
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