Anthrax: O Aniversário de 28 anos de "Among the Living"

Resenha - Among The Living - Anthrax

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Por David Torres
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Lançado em 22 de março de 1987 pela gravadora Island Records, “Among the Living” é o terceiro álbum dos nova-iorquinos do Anthrax e é também um dos registros mais importantes que já produziram, sendo influência total para centenas de bandas de Thrash Metal no cenário mundial. Esse álbum possui diversas curiosidades bem interessantes. Dentre elas, ele é dedicado em memória do finado baixista do Metallica, Cliff Burton, que faleceu aos 24 anos, meses antes do álbum ter sido lançado.
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Produzido pela própria banda, em parceria com os produtores Eddie Kramer (que já realizou trabalhos para diversos artistas, como Kiss, Jimi Hendrix e Led Zeppelin) e Jon Zazula (Exciter, Metallica, Testament, Overkill e muitos outros) e apresentando uma curiosa arte de capa que figura o Reverendo Henry Kane, personagem do filme de terror “Poltergeist II: O Outro Lado” (1986), “Among the Living” completa o seu aniversário de 28 anos e é um álbum bem diferente de seus antecessores, os igualmente destruidores “Fistful of Metal” (1984) e “Spreading the Disease” (1986), possuindo composições mais sujas e direcionadas para o Thrash Metal, agregando também influências da cena Hardcore Punk que inspirou diversas bandas do gênero. Ainda temos elementos de Speed e Heavy Metal tradicional, mas as músicas rumam para uma direção nova dessa vez. Seja como for, não rumam para uma direção negativa, muito pelo contrário!

O álbum se inicia com a marcante e poderosa faixa-título, “Among the Living”, que possui um início crescente e progressivo que em alguns segundos culminam numa sucessão de “riffs” pegajosos e sujos, acompanhados por um destruidor trabalho de bateria de Charlie Benante, guitarras perfeitamente encaixadas de Scott Ian e Dan Spitz, baixo bem conduzido por Frank Bello e vocais irrepreensíveis do sempre carismático Joey Belladonna. Também é importante mencionar toda a energia e clima divertido criado pelo quinteto, bem como os “backing vocals” inseridos nos momentos certos, elemento que se tornou uma das marcas registradas em centenas de bandas de Thrash Metal, incluindo o próprio Anthrax.

Sem dar tempo para o ouvinte respirar, a segunda música a dar as caras é o eterno hino “Caught in a Mosh”. O título já diz tudo, certo? Um verdadeiro ode ao mosh e ao Thrash Metal em sua mais pura e insana essência. Impossível ficar parado a chuva implacável de “riffs” que permeia esse som, assim como também é muito improvável não cantar o viciante e grudento refrão assim que ele se inicia:

“Can't stand it for another day
I ain't gonna live my life this way
Cold sweat, my fists are clenching
Stomp, stomp, stomp, the idiot convention

Which one of these words don't you understand?
Talking to you, is like clapping with one hand

What is it? - caught in a mosh
What is it? - caught in a mosh
What is it? - caught in a mosh
What is it? - caught in a mosh!”

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Possuindo uma letra que é um verdadeiro tributo ao personagem dos quadrinhos Juís Dredd, “I Am the Law” é o primeiro “single” do álbum e mais um hino da carreira da banda, novamente trazendo uma levada totalmente empolgante. Ainda que seja uma faixa mais cadenciada e arrastada que a anterior, possui um trecho veloz próximo ao solo da música e mais uma vez possui um refrão energético e poderoso. É importante mencionar que o co-autor da música é ninguém mais, ninguém menos do que Danny Lilker (Blurring, Crucifist, Evil Wrath, Nuclear Assault, ex-Brutal Truth, ex-Holy Moses, ex-Stormtropers of Death e muitos outros), ex baixista da banda.

A ótima “Efilnikufesin (N.F.L.)” brinda os ouvintes com mais boas doses de “riffs” certeiros e precisos. O termo “Efilnikufesin” nada mais é do que “Nice Fucking Life” ao contrário e sua letra fala sobre a conturbada vida do ator John Belushi. Belushi ficou conhecido por seu estilo ousado e pelo seu humor atrevido. Ele faleceu aos 33 anos de idade em decorrência de uma overdose de cocaína e heroína em 5 de março de 1982.

Palhetadas sujas dão início a excelente “A Skeleton in the Closet”, uma faixa que mescla velocidade e cadência, simultaneamente. Os vocais de Belladonna novamente estão perfeitos, assim como toda a banda, que executa o seu trabalho com vigor.

Uma levada percussiva tocada por Charlie Benante inicia outro hino, “Indians”, o segundo “single” gravado para o álbum. Dona de um refrão completamente grudento, “riffs” e solos perfeitos, “backing vocals” alucinantes e vocais exímios, a composição é simplesmente uma das maiores da carreira dos nova-iorquinos. A música chegou a ganhar um videoclipe que foi exibido exaustivamente pelo MTV.

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Sem perder tempo, o quinteto entrega “One World”, mais um arrasa-quarteirão recheado de “riffs” implacáveis, um impressionante desempenho de bateria, além de mais um refrão memorável.

Logo após, temos “A.D.I./Horror of It All”, certamente a faixa mais técnica e complexa desse trabalho. Nela, temos uma bela introdução que se inicia com belos e complexos dedilhados, repletos de “feeling” e harmonia. Pouco depois, “riffs” pesados tomam conta dos alto-falantes e somos presenteados por mais um fantástico desempenho da dupla de guitarristas Ian/Spitz, uma “cozinha” de baixo e bateria em perfeita sincronia, trabalho conduzido respectivamente por Frank Bello e Charlie Benante, além de mais um refrão vigoroso e potente. Essa composição possui um ritmo cadenciado durante boa parte de seu tempo, ganhando mais velocidade e peso em seus minutos finais. A faixa figura na trilha sonora do clássico filme B “A Volta dos Mortos Vivos 2” (1988).

Finalizando essa obra-prima, “Imitation of Life” é a faixa mais suja, agressiva e veloz do álbum. Novamente co-escrita pelo ex-membro, Danny Lilker, essa faixa possui um baixo muito pulsante e uma bateria tocada mais uma vez de forma ensandecida, acompanhados por “riffs” ríspidos e vocais velozes e bem encaixados. Uma ótima forma de encerrar esse grande trabalho.

“Among the Living” é sem sombra de dúvidas um tremendo marco do Thrash Metal mundial. Muitos fãs e apreciadores ao redor do globo tem o álbum como o seu predileto e sua relevância para o estilo é simplesmente inquestionável, servindo de referência para diversos músicos e bandas até os dias de hoje.

01. Among the Living
02. Caught in a Mosh
03. I Am the Law
04. Efilnikufesin (N.F.L.)
05. A Skeleton in the Closet
06. Indians
07. One World
08. A.D.I./Horror of It All
09. Imitation of Life

Joey Belladonna (Vocal)
Scott Ian (Guitarra Rítimica e “Backing Vocals”)
Dan Spitz (Guitarra Solo)
Frank Bello (Baixo e “Backing Vocals”)
Charlie Benante (Bateria)

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Sobre David Torres

Moderador e criador nas páginas Mundo Metal e The Old Thrash Metal, tem como estilo predileto o bom e velho Thrash Metal e procura sempre conhecer mais e mais acerca do estilo, assim como do Rock/Metal como um todo e as suas mais variadas vertentes e subgêneros.

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