Blame: Este álbum é um caldeirão
Resenha - Efeito Halo - Blame
Por Rafael Popini
Postado em 14 de janeiro de 2015
Nota: 10 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Poucos corajosos resistem às pás de terra dos que declaram a morte do hard rock sepultado ao lado movimento grunge.
E o que dizer de alguns que persistem combinando a velha e complicada língua portuguesa com gêneros musicais do século passado? Numa parte da terra tupiniquim que nada lhes promete? Loucura?
Madness?! Isso é Blame!
Eis que adentra ao arcabouço musical catarinense o pilar que faltava, uma grande afirmação artística independente, um opus blamista que desafia o efêmero e o preguiçoso processo de gravação das atuais produções musicais (que mais cedo ou mais tarde correm atrás do próprio rabo).
Efeito Halo é o nome e o efeito é rápido e eficaz para ouvinte que anseia por distorções abrasivo-melódicas, bateria pulsante e vocal frêmito. E pasme, você consegue ouvir tudo com clareza, aparentemente algo tão básico, mas raro em produções independentes. Como um halo musical, o álbum alcança outros territórios musicais, revelando-se híbrido, mas sem perder coesão. A mensagem do álbum é clara: resista (é o desabafo existencial do artista), com sarcasmo e paixão.
Quem é vivo sempre aparece... E quando aparece... Começa com uma intro que marca um dos melhores momentos blamistas. É uma batida forte à porta, eles querem entrar e causar! A bateria esmurra e a guitarra solta um imponente riff, daqueles que viram marca registrada, aí você se dá conta que os caras não estão de brincadeira. "Modus Operandi", a estreante do álbum blamista, é uma poderosa canção, um hino dos inconformados, com um bom tom de ironia cáustica.
"Opinião" surge como um fôlego melódico, um respiro. A 2ª do trabalho da blamista inicia com um prelúdio à la RATM, mas que dá lugar para um verso muito bem conduzido, com guitarra acústica e melodia vocal. A adrenalina baixa e dá espaço para um bate papo refletivo. Passado a calmaria do olho do furacão, vem o gran finale, e é blamista, com drive no vocal, pratos estralando e mucha distorção.
Só pra começar, os blamistas sabem fazer intro’s e a nº 3, com seu tremulo e virada na bateria, é uma contagem regressiva para a explosiva: "diga com quem andas que direi quem és"! Bom, pelo visto estes caras andam de mão dadas com Army of Anyone, Audioslave, Foo Fighters, Incubus, Stone Temple Pilots, Velvet, entre outras más companhias. A música "Efeito Halo", xará do álbum, é uma das mais catchy e conta com um solo de guitarra no final que não vai te deixar na mão. Não há nada pra mudar nessa sonzeira e se você discorda: "o problema é seu".
Este álbum é um caldeirão. Blame soube colher o melhor de suas influências, com notável originalidade e versatilidade integrando o bom português ao peso das músicas, o que costuma ser o calcanhar de aquiles para muitas bandas. Não para os blamistas, posso afirmar que "o Caminho" vai te fazer feliz, pois além de mostrar a habilidade instrumental do trio, o peso vem e volta, graças a uma série de pequenos refinamentos, uma verdadeira montanha russa a 4ª música do álbum.
Quando os blamistas desejam criar uma atmosfera flutuante, suave e relaxante, eles obtêm êxito. Avisados os navegantes, o trio explode num refrão forte e agressivo, pois a mensagem precisa ser dita em alto e bom som. "Anelo", a nº 5, combina abordagens suaves e agressivas da banda, um fantástico contraste. Destaque para as linhas de baixo, vocais crus e efeitos, tudo sem exageros.
O momento é propício para uma música mais charmosa. "Estações" cumpre o papel de boa moça do álbum, intimista e emotiva. A 6ª nada mais é que uma declaração de amor em sintonia com seus violões, uma afiada cozinha instrumental e um solo de guitarra intenso, é o clímax! Puro lirismo rock blamista.
Parecem ter semelhanças, mas a nº 7 do álbum é bem diferente de "Estações". É mais calma, reta e sólida, livrou-se aqui de toda a distorção, apesar do tremendo solo de guitarra, resultando num trabalho acústico, agradável e acessível. Com a participação especial de Chico Martins, ícone da música catarinense, "Tormenta" tende mais para um clima fraternal e descontraído que você pode sentir a quilômetros de distância.
A derradeira já nasceu clássica. Um retrato crítico e bem humorado da era digital, do individualismo, do distanciamento das experiências que não sejam virtuais. "Offline" é um apelo à geração que nasceu com um mouse na mão, desconectar é preciso e fundamental para se tornar um ser humano. Potente e confiante, com excelente dinâmica e um puta solo, a última música fecha com chave de ouro o trabalho da Blame. Well, I gotta get off-line.
O seu som já pode ser desligado com segurança.
Nota clubista: Magnum opus. 10
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Gigantes do rock: 10 rockstars que beiram os 2 metros de altura
Twisted Sister faz primeiro show com Sebastian Bach nos vocais
O disco em que Ritchie Blackmore encontrou o Rainbow que queria fazer
As 5 bandas que Slash detonou, incluindo duas onde ele mesmo tocou
A música do Metallica que fez James Hetfield perceber que a banda havia virado profissional
O dia que James Hetfield quis saber mais sobre a guitarra do Nightwish
Bruce Dickinson alfineta Trump durante show do Iron Maiden no Canadá
A música do AC/DC que Angus Young considera melhor que "Satisfaction"
5 riffs do metal nacional que valem mais que disco gringo inteiro dos anos 1980
A banda que foi um fiasco abrindo para o Van Halen, mas Eddie achava genial
Brann Dailor explica título do novo álbum do Mastodon, "Marrow Deep"
A melhor cantora de metal de todos os tempos, segundo Emppu Vuorinen
Keith Richards relembra a crítica que fazia a John Lennon pelo jeito como ele tocava guitarra
Músicos do Judas Priest passaram uma semana em motel fuleiro para abrir shows do Led Zeppelin
O hit que transformou Phil Collins em saco de pancadas: "Eu não merecia isso"
O guitarrista de famosa banda de rock que é casado há dez anos com atriz Cameron Diaz
O melhor cantor do rock nacional dos anos 1980, segundo Sylvinho Blau Blau
Avenged Sevenfold: The Rev dizia que não passaria dos 30

Kinetic Orbital Strike despeja treze bombas punk/crust destruidoras
Ürütaü - Trabalho de estreia, qualidade de veteranos
A Magia Ancestral do Green Lung: O Impacto Monumental de "Woodland Rites"
Resenha - Skylab VI - Cadê Meu… Álbum?
Os 50 anos de "Journey To The Centre of The Earth", de Rick Wakeman
Guns N' Roses: o último grande álbum de rock feito a mão



