Skyclad: Álbum é uma verdadeira jóia metálica
Resenha - Wayward Sons of Mother Earth - Skyclad
Por Giales Pontes
Postado em 20 de dezembro de 2014
Nota: 9 ![]()
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Uma de minhas propostas quando resolvi escrever resenhas aqui para o whiplash.net, era a de oferecer uma análise sobre álbuns de certa forma renegados, e também de apresentar trabalhos pouco ou nada conhecidos pelo grande público roqueiro. Dia desses recebi ‘in box’ no Facebook a mensagem de um leitor me criticando por só falar de álbuns "ruins" de bandas consagradas ou então sobre álbuns "que ninguém conhece". Bem, em que pese o parecer um tanto quanto agressivo do referido leitor, ele conseguiu captar relativamente bem a proposta de minhas resenhas. Pelo menos em parte, pois o que ele chama de "ruim" eu chamo de ‘difícil’. É preciso muito critério e muitas audições antes de classificar um álbum como ruim. Mas...... vamos adiante.
Desta vez trago uma peça que certamente não aparece da lista dos álbuns mais lembrados pela maioria dos fãs de metal. The Wayward Sons Of Mother Earth‘’ (1991) é o primeiro registro ‘full length’ do Skyclad, um dos mais geniais e incompreendidos grupos do metal mundial. Assim como muitos não foram capazes de assimilar ou aceitar a proposta de minhas resenhas, podemos dizer que algo parecido acontece com a proposta musical desta fabulosa banda britânica.
A mistura de heavy metal tradicional, entremeada por elementos de diversos subgêneros dentro do próprio metal e temperado por doses generosas de folk music européia(britânica principalmente), ajudou o Skyclad a construir uma identidade sonora que se não agrada um grande número de fãs, traz consigo uma originalidade difícil de se encontrar por aí.
A faixa de abertura ‘The Sky Beneath My Feet’ já inicia com uma levada bastante inovadora para a época em que o álbum foi lançado. Uma mistura de riffs melódicos, batida insistente no bumbo da bateria e fundo orquestral. Os vocais soturnos e meio declamados de Martin Walkyier também mostravam-se diferentes de tudo o que se ouvia em termos de heavy metal naquele início de anos 90. Mais para a metade, a banda descamba para os riffs tipicamente metal, para depois de uma suíte quase que puramente orquestral, cair em uma levada mais intrincada durante o solo da guitarra. Aliás, os guitarristas Danny Porter e Steve Ramsey são um capítulo a parte nesse álbum. Os grandes responsáveis pela energia instrumental em toda a extensão deste play.
Os pedais duplos de Keith Baxter introduzem ‘Trance Dance (A Dreamtime Walkabout)’ de forma empolgante, seguidos pelos não menos empolgantes riffs quase thrash metal dos guitars. O "bassman" Graeme English, um dos únicos remanescentes da formação original que permanece na banda até hoje, já mostrava sua habilidade, com linhas simples mas muito eficientes, e que se destacam nesta música. Mudanças frenéticas de andamento também são elementos que marcam muito esta ‘Trance Dance’. Ainda temos um curto solo de guitarra com claras influências de Iron Maiden, e tudo isso devidamente coroado com os estupendos vocais agressivos de Martin.
‘A Minute's Piece’ é uma curta e sombria vinheta que antecede a maravilhosa peça ‘The Widdershins Jig’, que depois de iniciar com uma levada fantástica da cozinha, mais uma vez com destaque para o baixo de Graeme, mostra-nos o que viria a ser uma das marcas registradas do Skyclad: as intervenções e solos de violino. Neste álbum o violino é capitaneado por Mike Evans, que era apenas um músico convidado. É possível que na época de ‘The Wayward..’ a banda ainda não tivesse intenção de usar com tanta frequência o elemento dos violinos, e talvez seja por isso que aqui ele não apareça tanto quanto viria a aparecer nos álbuns posteriores. Tambem por esta razão, aqueles que conhecem o Skyclad pelos seus álbuns mais recentes, talvez estranhem um pouco este ‘debut’ dos ingleses.
Eu destacaria ainda ‘The Cradle Will Fall’, ‘Skyclad’ e ‘Terminus’, mas este ‘The Wayward Sons Of Mother Earth’ constitui-se um álbum muito linear, que consegue manter a qualidade do início ao fim. É lógico que sua produção sonora acaba por denunciar a idade do mesmo, afinal em 1991 as técnicas de gravação eram outras, os equipamentos eram outros, a filosofia era diferente, enfim. Mas o bom gosto e o talento dos músicos envolvidos somados a qualidade das composições, tornam esse álbum uma autêntica jóia metálica, e que merece ser garimpada por aqueles que ainda não a escutaram. Lhes garanto que valerá cada centavo saído de seu bolso.
Line-up:
Martin Walkyier (Vocais/Letras)
Graeme English (Baixo)
Danny Porter (Guitarras)
Steve Ramsey (Guitarras)
Keith Baxter (Bateria)
Track-list:
1 . The Sky Beneath My Feet
2 . Trance Dance (A Dreamtime Walkabout)
3 . A Minute’s Piece
4 . The Widdershins Jig
5 . Our Dying Island
6 . Pagan Man
7 . The Cradle Will Fall
8 . Skyclad
9 . Moongleam And Meadowsweet
10. Terminus
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