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Circa Survive: Para fãs de Rock Progressivo e experimental

Resenha - Violent Waves - Circa Survive

Por Ricardo Pagliaro Thomaz
Em 29/10/14

Nota: 8

Primeiramente preciso fazer uma confissão. Digo confissão porque considero um verdadeiro pecado. Enfim, a confissão é que não conhecia o grupo Circa Survive, grupo americano fundado em 2004 e que vem se estabelecendo como uma excelente alternativa de rock do circuito alternativo, também rotulado de circuito indie, se preferir. Clarifico desde já que não acompanho e nem sou lá um grande entusiasta do indie rock, pra dizer a verdade é um gênero que não me dá lá grandes tiques de entusiasmo. Meu estilo já pega bem mais para o Rock dos anos 70 e 80, aquele cheio de blues e feeling, o hard rock, Whitesnake, Purple, Led, Queen, esse tipo de coisa, também o rock progressivo, então eu não costumo acompanhar a cena indie pra ver o que saiu de novo.

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Porém, algumas coisas desse universo indie as vezes me encontram, sem querer querendo, e eu vou lá checar de curioso. Já tive contato com algumas coisas interessantes, outras nem tanto, outras bem chatas, agora, o que me chamou muito a atenção no Circa Survive primeiramente foi a ilustração da capa do quarto disco de estúdio da banda, Violent Waves, lançado em Agosto de 2012. Quase pensei que fosse alguma banda de progressivo pela arte gráfica. A minha felicidade foi constatar que a banda americana composta pelos músicos Anthony Green (vocais), Colin Frangicetto (guitarra), Brendan Ekstrom (guitarra), Nick Beard (baixo), Steve Clifford (bateria) também tinha um pé no gênero progressivo. "Ótimo!", pensei, e resolvi dar uma chance aos rapazes da Pensilvania, EUA que junto com este último álbum já conta com um histórico que se inicia desde 2004, já com outros três álbums lançados nesse tempo.

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De acordo com registros, este quarto trabalho da banda é o primeiro lançado sem um selo de gravadora, de forma totalmente independente, apesar de já estarem trabalhando com um outro selo independente chamado Sumerian Records, que estará lançando o novo trabalho do grupo americano que sairá agora em 2014, que se chamará Descensus, e olha que os caras já foram lançados por selos como a Atlantic Records, mesma gravadora do Led Zeppelin, do Cream, do Yes! Uau! Vamos então dar uma olhada no som desses caras.

De cara, notei algumas coisas que eu conheço do universo de onde vim... influências como Rush, Marillion com Hogarth e Radiohead para mim pareceram bastante óbvias de apontar no som deles. De acordo com o vocalista Anthony Green, as influências do grupo variam de coisas como Simon & Garfunkel e Björk. A voz e estilo vocal de Green realmente lembra bastante o último, mas também achei bastante próximo ao Geddy Lee, do Rush.

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O disco abre com algo bastante interessante de cara, a faixa "Birth of the Economic Hit Man", que me lembrou bastante Radiohead. As incursões experimentais são sentidas logo nesta faixa de abertura. A voz do vocalista me pareceu meio esquisita à princípio, até porque eu de Björk entendo pouco, mas a veia experimental é sentida até mesmo na duração da faixa, pouco mais de 7 minutos de duração. Música muito bacana, com passagens de ritmo interessantíssimas e instrumental impecável, letra muito bacana, enfim, grande abertura. Outro bom destaque do álbum para mim foi a faixa single "Suitcase", o que é bastante incomum, pois o single geralmente soa inferior ao resto de um disco, mas aqui a banda caprichou bastante, me senti com vontade de logo após ouvir, começar a dedilhar umas notas dele. Música muito bacana, simples, porém eficiente e com um clipe de divulgação bastante enigmático e interessante, quem tiver interesse, assista:

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Outro destaque muito bom é a faixa "The Lottery", que quem já ouviu qualquer coisa mais recente do Rush, vai identificar a inspiração logo de cara, não tem como não falar que é influência do trio canadense. Faixa excelente, instrumental impecável, grande destaque, com certeza. Outra faixa que me lembrou bastante Rush foi "Phantasmagoria" que, coincidentemente, é outro ótimo destaque do álbum, com passagens instrumentais muito bem elaboradas e um clima soturno ótimo, há uma porção central com uma mudança de andamento lá pelo 1:30 minutos que gruda na cabeça, e os coros ficaram excelentes, eu me peguei constantemente voltando a esse fragmento, realmente um ótimo trabalho. "Brother Song", outra que me chamou bastante a atenção parece bastante com o Marillion de Hogarth, e eu sendo um grande fã dessa era do Marillion gostei muito da elaboração melódica, do trabalho instrumental e do cuidado com os arranjos. "Bird Sounds", outra que eu me peguei escutando bastante, me lembrou muito o Rush dos anos 90, com "Blood from a Stone" me veio novamente Radiohead na cabeça e, fechando de forma ótima o álbum, "I'll Find a Way" me remeteu à banda Enchant, banda do chamado neo-progressivo dos anos 90.

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Pego de surpresa no meio do circuito alternativo de bandas, descubro um excelente trabalho que recomendo altamente a todos e digo que estarei com certeza explorando com mais detalhes os demais trabalhos do grupo americano. Conversando com quem já conhece o grupo a mais tempo, descobri que muitos dizem que o álbum Blue Sky Noise de 2010 é considerado por muitos como um excelente trabalho, portanto estarei conferindo logo em seguida. De qualquer forma, Violent Waves já me agradou bastante e me chamou muito a atenção pelas propostas musicais. Creio que os fãs de Rock Progressivo e experimental com certeza não se decepcionarão com este trabalho do Circa Survive.

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Violent Waves (2012)
(Circa Survive)

Tracklist:
01. Birth of the Economic Hit Man
02. Sharp Practice
03. Suitcase (feat. Rachel Minton of Zolof the Rock and Roll Destroyer)
04. The Lottery (feat. Geoff Rickly of Thursday)
05. My Only Friend
06. Phantasmagoria
07. Think of Me When They Sound
08. Brother Song
09. Bird Sounds
10. Blood from a Stone
11. I'll Find a Way

Discografia anterior:

- Blue Sky Noise (2010)
- On Letting Go (2007)
- Juturna (2005)

Site oficial:
http://www.circasurvive.com

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Sobre Ricardo Pagliaro Thomaz

Roqueiro e apreciador da boa música desde os 9 anos de idade, quando mamãe me dizia para "parar de miar que nem gato" quando tentava cantarolar "Sweet Child O'Mine" ou "Paradise City". Primeiro disco de rock que ganhei: RPM - Rádio Pirata ao Vivo, e por mais que isso possa soar galhofa hoje em dia, escolhi o disco justamente por causa da caveira da capa e sim, hoje me envergonho disso! Sou também grande apreciador do hardão dos anos 70 e de rock progressivo, com algumas incursões na música pop de qualidade. Também aprecio o bom metal, embora minhas raízes roqueiras sejam mais calcadas no blues. Considero Freddie Mercury o cantor supremo que habita o cosmos do universo e não acredito que há a mínima possibilidade de alguém superá-lo um dia, pelo menos até o dia em que o Planeta Terra derreter e virar uma massa cinzenta sem vida.

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