Whitesnake: "Ready an' Willing" dissecada faixa a faixa

Resenha - Ready an' Willing - Whitesnake

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Por Ronaldo Celoto
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O imortal MAHATMA GANDHI um dia muito bem disse: "Se um único homem chega à plenitude através do amor, ele neutraliza o ódio de milhões".

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O amor sempre foi o tema preferido de DAVID COVERDALE. Mas, em se tratando de evolução, de concepção do amor climatizado pelo "blues" e pela essência do rock em toda a sua magnitude, e, pelas letras que denunciavam uma busca mais interna do que externa, poucos grupos conseguiram atingir a plenitude como o WHITESNAKE através da obra "Ready an’ Willing".

Talvez fosse necessário refazer a frase máxima de GANDHI e dizer: "Se um único grupo chega à plenitude através da música, ele serve de referência para milhões".

E é exatamente isso que eu resolvi fazer, ao conceber uma resenha sobre este fantástico e único álbum. Começa aqui a história desta epopeia magistral.

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I – O Amor Nos Fortalece Em Cada Uma de Nossas Perdas

Quem nunca sofreu por amor? Quem nunca desceu ao inferno feito um personagem de SHAKESPEARE, um Morfeu atônito em meio às ruínas do abandono, para tentar resgatar o orgulho através da dor? E, depois desta dor, quem nunca conheceu a autovalorização, a vontade de dizer ao mundo que "sim, eu cresci", a certeza de estar mais forte, mais precavido, e, muito mais protegido em relação às falsas promessas e às injúrias de outra pessoa?

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O amor é isto. O quinto elemento que compõe a existência humana. Mas também é a tragédia anunciada para quem acaba de perder um grande relacionamento. E, o mais importante: o amor renasce das cinzas sempre, pois em cada um de nós existe uma fortaleza que se chama amor próprio, um amor que nos transforma em Fênix mitológicas, para surgirmos em meio ao oceano da perda para reinarmos dentro de nossa convicção de que somos e seremos mais senhores de nós a partir de agora.

A Fênix, aliás, sempre foi e sempre será o ser mitológico para descrever DAVID COVERDALE. Ele renasce das cinzas a cada nova era musical, e, nunca se abala com consumismos e modismos. Ele é senhor absoluto de seu ser, mas é escravo de um amor maior: a música. A única mulher que DAVID COVERDALE amou e amará para todo o sempre.

Ela, com suas notas e alegorias, é senhora de seu coração, e, por ela, ele é capaz de se transformar em um escravo melancólico a vociferar de maneira soberba grandes frases de amor, dor, luxúria, sedução.

Se fosse um personagem humano, talvez fosse Apolo. Mas difícil seria para nós, considerarmos COVERDALE um ser humano como outro qualquer. E por este motivo é que me permito chama-lo de Fênix, rei absoluto da capacidade de ressurgir.

A canção que abre o disco fala justamente sobre isso. O amor que nos engana, que nos transforma em bobos apaixonados e dependentes, mas que, com o tempo, nos fortalece a ponto de olharmos para alguém que nos magoou e sentirmos pena, justamente por sabermos que aquela pessoa sempre será a mesma, sem evoluir, e, nós já estamos para além da estratosfera nesse quesito.

"I was born under a bad sign
Left out in the cold
I'm a lonely man who knows
Just what it means to lose control"

A primeira estrofe destila o homem nascido sob o signo da perda. A pessoa que nasceu com o pé esquerdo sobre a Terra. Ou, na visão de DAVID COVERDALE, o homem fadado a apaixonar-se e sofrer.

"But, I took all the heartache
And turned it into shame
Now I'm moving, moving on
And I ain't taking the blame"

E então este ser humano fadado às lamúrias do coração de repente se apaixona e se envergonha e começa a lutar por um espaço de orgulho e de renascimento dentro do seu coração. Ele não quer mais sofrer. Ele prefere assumir a culpa de seus erros, para que, de agora em diante, ele exerça a capacidade de olhar cada vez mais para o futuro, e, nunca mais para o passado. Sim, o herdeiro teatral das tragédias anônimas está a ganhar força. Do seu jeito particular, até poder gritar ao mundo todo que ele não mais será enganado, não mais será motivo de chacotas e de zombarias, não mais será um tolo em busca de um amor que não lhe quer.

"Don't come running to me
I know I've done all I can
A hard loving woman like you
Just makes a hard loving man
So I can say it to you, babe
I'll be a fool for your loving no more
A fool for your loving no more
I'm so tired of trying
I always end up crying
A fool for your loving no more
I'll be a fool for your loving no more"

E a partir de agora, nada o impedirá de seguir adiante. Ele não esconderá mais os seus sentimentos. Ele não mais pedirá licença para amar. Mas ele saberá dizer adeus antes que seu coração possa se ferir.

"I'm tired of hiding my feelings
You left me lonely too long
I gave my heart, and you tore it apart
Oh, baby, you done me wrong
Don't come running to me
I know I've done all I can
A hard loving woman like you
Just makes a hard loving man
So I can say it to you, baby
I'll be a fool for your loving no more"

Ou seja, DAVID COVERDALE quer simplesmente dizer o que todos nós temos grande vontade de dizer, ou, já dissemos um dia: "Não me quer? Sem problemas. A fila anda".

Em termos musicais, impossível não destacar a presença de JON LORD, a voz colossalmente encaixada de DAVID COVERDALE (com o seu tradicional "yeah, yeah") já a partir dos primeiros riffs de guitarra de MICKY MOODY e BERNIE MARSDEN. A bateria de IAN PAICE muito bem ritmica, elevando-se em repiques antes do primeiro refrão, e, claro, o baixo de NEIL MURRAY que, nesta canção, aparece de maneira genial justamente no vazio entre as batidas de PAICE e os pratos. Afinal, estamos falando de músicos experientes, modestos para não exagerarem em virtuoses, mas perfeitamente bem encaixados na sonoridade pretendida pelo WHITESNAKE.

Não me permitiria encerrar esta música sem antes destacar algo muito particular, mas que, creio, é mágico. Estou me referindo ao segundo riff (se é que posso chamá-lo assim), que surge após o momento em que COVERDALE encerra o refrão dizendo, com uma voz caracteristicamente "Plântica" (referência minha a ROBERT PLANT): "A fool for your loving no more". Nesse instante, a bateria de PAICE entra para convidar a guitarra a criar esta particularidade sobrenatural, com duas notas apenas, uma crescente e uma decrescente, talvez para nos dizer que ela estava querendo traduzir em melodia o eco das duas palavras, mas não apenas uma, e, sim, por três vezes seguidas: "no more, no more, no more". Ouçam e percebam que após este "no more" de COVERDALE, entra a bateria de PAICE com os dois acordes de guitarra aos quais me refiro, repetindo-se por três vezes seguidas. Isso é um cataclisma absolutamente fantástico e ao mesmo tempo simples, mas que dá um charme tão maravilhoso, que não é por acaso que "Fool For Your Loving" é uma das melhores músicas da história destes rapazes. Então, vamos ouvi-la?

Após este êxtase musical, deixo com vocês duas diferentes capas para o single da canção, que saíram na época.

Em suma, "Fool For Your Loving", com letra de COVERDALE e melodias da dupla de guitarristas modestos, mas criativamente geniais MARSDEN/MOODY, é uma canção sobre o amor próprio. Este amor que nos faz acreditar em nós e enfrentar tempestades, sob o signo da vontade de encontrarmos as respostas que precisamos para a nossa felicidade. E muitas vezes, o eu, sendo só, é mais feliz do que sendo nós.

II – Nem Todas as Lolitas São Ingênuas – Algumas São Incendiariamente Provocantes

E lá vamos nós com a direta e sempre maravilhosa: "Sweet Talker", mais uma pérola com dois diferentes riffs iniciais, cada um deles podendo fazer vez para que a canção seja lembrada. O primeiro cavalga pelas linhas de "The Ocean" (LED ZEPPELIN) e depois se mistura aos bons "boogies" com que o rockabilly iniciava suas matanças sonoras em épocas de JERRY LEE LEWIS e seus seguidores.

É uma canção que tem todos os requintes clássicos, desde o teclado mágico de LORD e seus solos lisérgicos, os entrelaces das caixas da bateria e dos chimbaus, a harmonização das guitarras diversificando seus acordes e a voz de COVERDALE um pouco mais "zeppeliniana", mais "soul", mais falsete do que o normal, até porque ele nem precisava destes recursos naquela época. DAVID COVERDALE é um dos melhores vocalistas da história porque conquistou seu espaço em todos os quesitos, e, não pelos falsetes.

A letra não diz por menos. Se em uma bela tarde de verão WILLIE DIXON disse "I got my mojo rising up", o nosso querido COVERDALE convidava com os olhos uma Lolita com dotes afro-americanos a deixa-lo conhecer suas curvas e seus montes, e, afirmava que ela havia nascido para provocar, para seduzir e para impressionar os homens. Afinal, ele bem sabia que aquele seu ar de ternura inocente não passava de conversa fiada, pois ela gostava, sim, de provocar e de incendiar paixões pelos corredores por onde andava.

"You got long legs, a black girl sway,
The way you shake your booty
Gives your schoolgirl game away
You're just a sweet talker, bad daughter,
An' you've just begun
The bitch is in heat,
So you better run"

É aquele casamento perfeito entre rock e boggie-woogie, com letra suja sobre o amor que aquece, e, não o amor feito para durar eternamente. É o amor de uma mulher que provoca e quer ser provocada, mas não encontrou nenhum adversário à altura. Até, obviamente, DAVID COVERDALE surgir.

E o resto da história? Bom, seria algo similar ao Sol entrar no "cio" e correr em direção à incerteza provocativa da Lua.

E cá vamos nós com a imagem de um promo de vinil desta canção, lançado também na época, para deixar felizes os fãs.

A autoria da melodia cabe a BERNIE MARSDEN, e, há que se tirar o chapéu para ele, pois a primeira fase do WHITESNAKE, sem os excêntricos e geniais guitarristas que viriam depois, a meu ver, é muito superior à segunda, pois conseguiu captar a essência para a qual a banda se dispunha através de suas canções.

III – Eu Quero Alcançar o Sol e Sentir as Doces Chamas do Amor

É preciso amar sem ser testado. É preciso amar e receber amor, sem qualquer submissão gratuita. É preciso conhecer, através do amor, o Sol e o calor da eternidade nos braços de uma mulher, para enfim, poder partir feliz para a eternidade.

Esta é a metáfora que compõe a primeira estrofe da letra de "Ready an’ Willing", uma das canções mais emblemáticas do WHITESNAKE, justamente por parecer mais ter sido feita pelo ZZ TOP do que por eles. Ela tem um riff fantástico com a típica glicerinidade do rock sulista norte-americano, tornou-se sucesso histórico da banda, e, até hoje, toca em todos os seus shows e é presença marcante em seus álbuns "ao vivo".

Adoro esta canção. Não está entre as minhas favoritas, mas ela tem um clima de provocação e desejo que traz a qualquer fã do WHITESNAKE a sensação de estar no palco, a sacudir as cadeiras e empunhar o microfone com vistas à provocar a plateia, pedindo que ela lhe ofereça algo mais do que um simples desejo (afinal, o amor está muito além de tudo isso), mas, ao mesmo tempo, se o desejo vier, que ele venha para além do bem e do mal, que faça sacudir alma, que permita sangrar, arder, chocar, revisitar duas almas em um coito absoluto de prazer e paixão, e, sem tempo para terminar. E, se for preciso dançar com o diabo para ganhar de presente o corpo de um doce anjo em forma de mulher, ele, DAVID COVERDALE, assim o fará.

"I want more, more, more, more,
I want some more of that
Sweet satisfaction to soothe my soul
I want you to rock me, all night long
Rope an' ride me baby, do me wrong
Roll me over, make me bleed
I'd dance with the devil
To get what I need"

Afinal de contas, o que vale nesta vida é estar pronto e disposto (ready and willing) para todos os desafios. Pois quem tem medo de viver, perde mais tempo na vida se escondendo do que correndo os deliciosos riscos do amor, do prazer, da arte de se aventurar para todo e qualquer canto sem precisar pedir permissão à sociedade por sentir-se feliz e vivo.

E alguém duvida que DAVID COVERDALE, não estaria totalmente e literalmente pronto para sentir essa "sweet satisfaction" que ele tanto reclama nesta canção? Afinal, sua alma é incansável. E nós fãs, sabemos disso.

Com grande propriedade, a banda reuniu-se e escreveu esta canção com a participação de todos os músicos do disco, sem exceção. É como se cada um deles percebesse a grandeza do que estavam por criar ali. Como eu bem disse, ela parece um southern-rock raro e fabuloso, que, de repente, foi trazido por uma nave espacial de presente para o ZZ TOP, mas por algum motivo uma das portas da nave estava aberta e ela caiu no colo de DAVID COVERDALE. E isso é mais uma mostra do quão versátil o WHITESNAKE podia ser em meados dos anos 80. Eles eram capazes de tudo em se tratando de rock, blues e boogie-woogie fundidos em um único e raro pacote musical.

Vamos acompanhar e cantar juntos esta magnífica música.

Abaixo, uma edição do single lançado na época, no formato sete polegadas, para os fãs mais apaixonados. Mas, esse já é meu, tudo bem? (risos)

Ah... este final, com os versos de "sweet satisfaction", são algo sensualmente sublimes. Não há como não se encantar com esse "feeling" intrínceso do mais puro hard/blues, que mostra uma banda totalmente sincronizada. Bendito dia em que IAN PAICE resolveu juntar-se à banda. E bendito dia em que JON LORD ainda não tinha saído. Essa talvez seja a mais emblemática formação destes britânicos, sem dúvida nenhuma.

"Sweet satisfaction, ready an' willing
Sweet satisfaction, wanna find me
Sweet satisfaction, baby baby baby
Sweet satisfaction, every day
Sweet satisfaction"

Amar algumas vezes é isso. É ir além do desejo, sem abrir mão dele. Mas, com um pouco mais de satisfação do que um simples encaixe de corpos e bocas.

Antes de seguirmos com a próxima canção, que tal uma foto da formação clássica?

Pronto. Continuemos a seguir com mais uma canção desta obra-prima.

IV – Existe Algum Fardo Mais Delicioso do Que Amar e Ser Amado?

Sabe aqueles dias em que você abre a janela e vê o Sol abrir seus braços em direção a você? Sabe aquela sensação que você sentiu idêntica a esta quando ouviu a fantástica "We Wish You Well" do álbum "Lovehunter"? Pois, é esta mesma sensação que você sente quando ouve aos primeiros acordes de "Carry Your Load", uma música com todos os requintes clássicos do "blues alegre", que navega entre as pontes de "Come Together In The Morning" ou "Heartbreaker" (FREE), "The Seeker" (THE WHO) e "Carry That Weight" (BEATLES), sem comparações sonoras, mas sim, comparações com a alma e a atmosfera de cada uma delas. Entenderam?

Talvez seja a letra que mais se aproxima do DAVID COVERDALE que conhecemos. Aquele que busca sabedoria na vida, que não tem medo de viver, que se arrisca a sentir prazer e amor na mesma estrofe, e, que algumas vezes é PETER PAN, outras vezes é SHAKESPEARE.

Musicalmente, ela é perfeita. Tem um final eletrixante de variações e repiques de bateria de IAN PAICE, tem um trabalho de voz suave e deliciosamente absurdo de COVERDALE, um baixo sobressaindo-se nos "buracos" propositais da bateria, e, duas guitarras modestas a acompanhar para não deixar a canção tornar-se algo como "On With The Action" (UFO), onde a guitarra de MICHAEL SCHENKER domina toda a cena, mas sim, para permitir que a mensagem soe melhor do que a melodia: a de que o amor pode até ser visto como um fardo, mas, ninguém deve temer carrega-lo, e, sim, abrir o coração e os olhos em direção aos seus sentimentos.

Vamos um pouco à letra, para entender isso.

"I take what I want,
And I got my eye on you
It's late in the evening
What are you gonna do
I got the place,
If you got the time,
I got the motion, baby,
If you got the mind
So wise man tell me
What it means to give and take,
It's double trouble,
But, it can ease a little heartache
So you can carry your load
Down the long, winding road
Carry your load, down the long, winding road
All I'm asking, all I wanna do is just
Put a little love in your heart,
Put a little love in your heart
I know what I want,
And it's close to the bone
Sooner or later, baby,
I'll be taking you home"

E então? Que tal se cada um de nós resolvesse carregar um pouco mais o fardo do amor em nossas vidas? Creio que seríamos muito mais felizes. Talvez DAVID COVERDALE, na sua simplicidade, encontrou um momento muito especial, e, construiu, com isso, uma fantástica canção. E detalhe: ele a compôs sozinho, letra e melodia.

Não seria possível, após a criação de "Carry Your Load", que DAVID COVERDALE pudesse regressar ao campo inicial proposto no disco, que navega entre o amor próprio e a busca pelo amor contracenando paralelamente com o desejo e o êxtase máximos, sem antes migrar para a espiritualidade ainda mais profunda. E isso ele conseguiu atingir na próxima canção, que, pedindo licença aos fãs, é uma das dez melhores canções da história da música.

Convido vocês para ingressarem comigo no universo de "Blindman". Pois, vamos todos juntos a partir de agora.

V – Todos os Caminhos Levam ao Amor

Caminhar... cegamente em direção à morada infinita do próprio ser. Conhecer todas as estrelas do cosmo e não ser capaz de morar em nenhuma delas, pois nenhuma das moradas é tão perfeita quanto a morada da alma. Amar e desejar ser amado, se perder muitas vezes entre espinhos, sonhar com a plenitude das rosas, alcançá-las por algumas vezes, perder-se em meio à negação da fé, buscar entre arco-íris sem cores que pareciam não ter fim um coração que nos afague, uma amizade que estendesse suas mãos, e, de repente, reencontrar na fé o amor por si próprio e por algo maior. Assim nascia e morria suavemente a canção "Blindman".

"I was dreaming of the past,
Why do good times never last
Help me Jesus, show the way
I can't hold on another day
I was hungry, feeling low,
I just couldn't make out which way to go
Chasing rainbows that have no end,
The road is long without a friend"

Por quê? Alguém poderia me perguntar porquê essa busca incessante por algo e por alguém, se muitas vezes, o amor nos causa dor, e, deixamos até mesmo de encontrar felicidade em nosso ser. E eu responderia: Porque algumas vezes, nós sentimos todas as chamas do mundo vindo de diferentes lugares, mas, nós não conseguimos enxerga-las, pois estamos perdidos em diferentes caminhos em busca de nós mesmos. Estamos cegos pelas dores e pelos dissabores, e, cegos por não queremos mais acreditar em nada. E de repente, quando nos damos conta de que o amor é a maior de todas as forças, nós percebemos que na simplicidade encontramos a cura, e, a vontade de precisar de alguém para chamar de "meu".

"Just a young man looking homeward,
Watching the sun go down again
Across the water, the sun is shining,
But, will it ever, will it ever be the same
I need somebody, I need someone,
I need somebody to call my own
Like a blindman, I can feel the heat of the sun,
But, like a blindman
I don't know, I don't know,
I don't know where it's coming from
Be my friend, be my brother,
Be the piper, play the call
Across the seven seas of wonder
Be the guardian of my soul"

Ouvir "Blindman" é como abraçar o céu e debruçar-se em um jardim onde a fé, os mistérios da alma, a paz e o amor muitas vezes misturam-se à dúvida e à busca. Mas é tão sublime perceber os seus primeiros toques de violão, até a aconchegante e perfeita voz de DAVID COVERDALE denunciar a tristeza da sua alma e a busca pela sua identidade, que fica difícil não querer que esta música seja até mesmo tocada no dia de sua morte, no seu casamento, no seu fim de semana sozinho em uma casa de campo, ou, numa noite de luar ao lado de alguém, com um belo copo de vinho e uma lareira acesa em meio à poesia que os olhos constroem sem precisar dizer mais nada.

Tudo é perfeito. A entrada de bateria, os solos, os teclados, a chamada "cozinha" musical atingiu o seu ápice neste instante. "Blindman" libertou o WHITESNAKE de toda e qualquer chamada de influência de grupos como LED ZEPPELIN, para elevá-lo à categoria de gigantes do Monte Olimpo do rock’n’roll. Elevou, também, DAVID COVERDALE a um patamar superior ao próprio ROBERT PLANT (e isso é muito difícil) naquele momento, e, elevou-o a um existencialismo muito diferente de todo e qualquer grupo que se encontrava naquela época, preso entre o declínio do hard rock, esmagado pelo punk nas rádios, e, o início da fusão tecnológica da new wave e os excessos de teclados e ritmos eletrônicos. Da mesma forma que a música se encontrava num processo de dúvida, todas as grandes bandas dos anos 70 respiravam por causa do seu pasado, mas tinham medo do futuro. E DAVID COVERDALE foi extremamente corajoso, gravando um disco de "blues" existencial, de busca pelo amor próprio, e, ao mesmo tempo, de reafirmação de que o rock sujo e cheio de letras de desejo e paixão não estava morto, e, não estaria jamais, se dependesse dele. Palmas para ele e os rapazes da banda.

Poucos percebem isso, mas "Ready an’ Willing", ao lado de "Heaven and Hell" (BLACK SABBATH) e "Animal Magnetism" (SCORPIONS), lançados na mesma época, foram os álbuns que permitiram que o rock setentista chegasse aos anos 80 sem deixar-se morrer. Com a diferença de que "Heaven and Hell" apostou no peso como inovação, e, "Animal Magnetism", apostou no "hard rock" mais direto e curto (exigências da nova era), porém, longe da musicalidade sobrenaturalmente perfeita e influente que os caracterizou nos anos 70, e, após "Blackout", reintegrou-os ao Coliseu dos deuses. Já DAVID COVERDALE apostou no seu coração, e, quis ser ainda mais "blues" o que havia sido nos discos anteriores, utilizando a sua paixão e símbolo de resistência a tudo de novo que surgia por aí. Sozinho, DAVID COVERDALE segurou nas costas praticamente todo o peso das outras bandas. Ele foi, digamos, mais "punk" do que todos os "punks" que já existiram, com a sua atitude de lutar contra as tendências. Anos mais tarde, ele faria isso com o monumental e maravilhoso: "Resstless Heart".

Sim, meus amigos e amigas, pois em 1980, o KISS, por exemplo, havia gravado "The Elder", um disco sinfônico. O RAINBOW entrava nos anos 80 buscando a identidade dos teclados mais populares e uma sonoridade "conformada" com a nova década. LED ZEPPELIN e DEEP PURPLE haviam acabado e seus vocalistas faziam discos extremamente irregulares. O "southern rock" praticamente tinha ficado em segundo plano, e, até o ZZ TOP apostava na linha mais "pop" a partir da década de 80, para poder sobreviver com os videoclipes de mulheres e carros. DAVID BOWIE há anos já havia abandonado as guitarras e a androginia, e, tentava influenciar toda a geração que nascia a partir dali. THIN LIZZY e UFO resistiam, em silêncio, mas também buscando teclados novos e ritmos mais abrangentes, para poder dizer que LYNOTT (um gênio em todos os sentidos) era mais do que um grande músico e exímio compositor de rock, e, que a saída de MICHAEL SCHENKER não tinha prejudicado a banda, mas na verdade, naquele instante, o UFO estava morto. Ainda assim, o álbum "Chinatown" (THIN LIZZY), lançado no final de 1980, não perdeu a identidade e é um bom disco, mas já mostrava sinais da queda física e criativa de seu mentor, devido aos problemas com entorpecentes. Não coloco o IRON MAIDEN e seu disco de estreia nesta lista, pois ele não é um grupo de rock setentista, dentro da mensagem que eu quero conceber aqui. E não quero estender o comentário para procurar nos alfarrábios da memória trezentos nomes de banda, afinal, estamos a focar nesta resenha o grande e magnífico: WHITESNAKE.

Voltando a "Blindman" depois de um pequeno adendo sobre a coragem de COVERDALE e a importância deste álbum agora resenhado para os anos 80, penso que a versão concretizada desta música é muito superior à original lançada no disco solo de 1977, intitulado simplesmente "Whitesnake". Perdoem-me os mais conservadores, mas eu prefiro a canção recriada e registrada no disco "Ready an’ Willing". E que solo de guitarra é este, Deus do céu.

Terminava aqui, a primeira odisséia do disco. E ainda tínhamos mais um lado inteiro para ouvir. E a solução de COVERDALE foi começar o segundo lado de maneira mais pulsante, com uma mistura de "southern", "blues", "country" e "rock" que remete aos melhores tempos de músicas como "Gallows Pole" (LED ZEPPELIN), criando para si um hino à autoestima, que será avaliado a seguir.

VI – Não Há Mais Tempo Para Lágrimas – É Tempo de Sorrir e de Sonhar

Este hino é nada mais nada menos do que "Ain’t Gonna Cry No More", de autoria de COVERDALE e MOODY. Brilhante canção. A melhor do segundo lado, só perdendo para "Blindman" (na minha opinião) o título de melhor canção de todo o disco. Claro que os fãs de hits mais populares entendem que "Fool For Your Loving" mereceria esse título de melhor canção, mas, sinceramente, nem de longe. Ela fica com o terceiro lugar, merecidamente por sinal.

Se você tem problemas em gostar de você mesmo, se você está triste e desolado, se você carrega as suas perdas sobre seus ombros, você precisa ouvir esta canção. É extremamente autobiográfica, e, ao mesmo tempo, avança para tornar-se uma música de inspiração para todos.

E, sim, tem aquele violão inicial, aquele pequeno teclado que parece respirar a luz do Sol para dentro da alma, e, em seguida, abre espaço para que DAVID COVERDALE mostre porque é um vocalista excepcional, e, naquele momento da história, superior a ROBERT PLANT, executando todos os tipos de vozes e falsetes com um gigantismo incomparável. Apenas PAUL RODGERS talvez o alcançasse naquela época, mas sua banda, o FREE, já não existia há muito tempo.

O solo carregado de slides é algo duplamente fantástico. Faz menção ao grande DUANE ALLMAN, de maneira humilde, e, aos poucos, a música vai ganhando mais "backing vocais", mais alegria, mais harmonia, e, PAICE começa a se soltar para executar sua técnica sempre brilhante. É um hino, mesmo, à alegria.

Vamos conhecer um pouco mais o conteúdo da letra.

"Rising with the morning sun
I turn to greet the dawn,
Knowing I must face another day
Sleepless night behind me,
Just a memory of pain,
My heart has always been a cross to bear
Lord I know the sunshine,
But, I feel the tears of rain
Falling down to wash my sins away
I'll try hard to remember
So I won't be fooled again,
Hey, ain't gonna cry no more today
All around me, shadows fall,
Tho' day has just begun,
I realise I'm on my own again
Memories of broken dreams,
As distant as the sun,
Are drifting like an echo in the wind
Lord, I know the sunshine,
But, I feel the tears of rain
Falling down to wash my sins away
I'll try, hard to remember
So I won't be fooled again,
Hey, ain't gonna cry no more today"

Se você estivesse dentro de uma igreja, e, quisesse cantar uma ode ao ato de não mais chorar, não mais se desesperar, não mais ter medo e, a partir de agora, seguir adiante, não tenha dúvidas: esta canção também se encaixaria como uma luva. E pediria, como pede, um coro gospel ao fundo.

E agora, após um brilho de alegria, começamos a migrar novamente para o bom e velho: "blues". Agora, DAVID COVERDALE retorna ao posto de canastrão, para tentar conceber para si a "linda flor" de uma jovem donzela que ele vem acompanhando o desabrochar. Sim, é hora da "anaconda" britânica voltar a explodir suas frases diretas e seus sussurros em forma de música.

VII – Chegue Mais Perto e Venha Jogar o Jogo Chamado "A Serpente e a Maçã"

O próprio título deste tópico já diz tudo. A música "Love Man" tem todos os atributos de um blues fanfarrão. Daqueles que se canta após goles e goles de "Jack Daniels" com o bar quase vazio e alguns poucos convidados dormentes sobre a mesa.

Como não poderia deixar de ser, a letra e a música foram compostas na integra por DAVID COVERDALE. Mas é o bom baixo de NEIL MURRAY e a excepcional batalha de slides da dupla de guitarristas que dão um espetáculo à parte nesta música.

Afinal, vamos conhecer um pouco mais essa "cantada explícita" em forma de letra?

"I've spent close on sixteen years
Watching your pretty flower grow
Little girl, little girl, now tell me
Everything you know
About the oceans and the skies,
The mountains and the trees,
And then I'm tell you about
The birds and the honey bees

'Cos I'm a love man, yeah, yeah, yeah,
I'm a love man
I'm a hootchie cootchie man
And I'm doing all I can
I just love to tease,
I would do anything to please you, baby

Sweet little angel, give me your hand,
Feel for my heartbeat, baby,
Then you'll understand
About the bees and the honey,
The bluebirds in the trees,
And you'd know, just to get close to you
I would get down on my knees
So come a little closer,
Let me whisper in your ear
How the good Lord in His Wisdom
Made you so, and put you here

He played a little game
Called The Apple and the Snake,
When the lady took her first sweet bite
The Snake made no mistake

He was a love man, yeah, yeah, yeah,
And I am a love man
I'm a hootchie cootchie man
And I'm doing all I can,
'Cos a love man needs his loving everyday
Yeah, yeah, yeah, I am a love man"

Sim, estamos diante de um COVERDALE na melhor forma. Renascido, e, agora, despreocupado em falar apenas e tão somente de amor e suas perdas, do amadurecimento espiritual e sua evolução. Neste instante, ele precisa de amor, da forma mais nua e crua, sem adjetivos, apenas excessos físicos e suor, recusando-se a poetizar mais delongas.

Mas, afinal de contas, o "blues" é negro ou azul? A música a seguir não responde, mas iguala estes adjetivos.

VIII – Me Ame Até Que eu Me Transforme em Todos os Seres

O convite está deliberadamente feito. Um homem adentra em um bar e diz, olhando diretamente nos olhos de uma mulher:

"Black and blue,
I said come over here, baby,
And love me till I'm black and blue"

Qual o significado de sentir-se "black and blue"? O termo "blue" identifica a tristeza, a melancolia, o porre, a satisfação física até o esgotamento. E o termo "black" justamente utiliza a metáfora para mostrar o desejo selvagem que nasce quando as luzes se apagam. O lado negro da noite, distante das luzes e sorrisos, mas, vociferado pelo sexo, pela música que não para de tocar nos "pubs" já fechados, e, pelos casais contaminados pela luxúria e pelos acordes.

É como você estar dentro do filme "Sin City", e, de repente, um homem com a voz de LEONARD COHEN entra sem pedir licença e começa a cantar para uma garota ruiva com o vestido da "Jessica Rabbit" (do famoso filme/desenho "Uma Cilada Para Roger Rabbit"):

"If you want a lover
I'll do anything you ask me to
And if you want another kind of love
I'll wear a mask for you
If you want a partner
Take my hand
Or if you want to strike me down in anger
Here I stand
I'm your man

If you want a boxer
I will step into the ring for you
And if you want a doctor
I'll examine every inch of you
If you want a driver
Climb inside
Or if you want to take me for a ride
You know you can
I'm your man"

Conseguiram imaginar a cena? É mais ou menos isso que a canção "Black and Blue", escrita pela dupla COVERDALE/MOODY quer dizer. É preciso, em meio a rock direto e simples desta canção, deixar um destaque muito particular para os pianos de JON LORD.

Outro destaque em todo o disco, e, que evidentemente merece uma vez mais ser referenciado nesta resenha (pois já o elogiei há algumas linhas atrás), é o talento de IAN PAICE (no detalhe, com a camisa azul de número 81). Difícil imagina-lo longe do WHITESNAKE depois deste álbum. Um músico fantástico, sem sombra de dúvidas.

E a música não pode parar. Falta pouco, mas o álbum ainda não terminou. Então, vamos ouvir juntos: "Black and Blue".

IX – Uma Palavra Para Definir o Amor: Mulher

E Deus criou a mulher. E após a criação de algo tão maravilhoso, a mulher engravidou da serpente que lhe ofereceu a maçã e gerou o homem. E a partir daquele momento, o mundo nunca mais teve paz.

Alguém poderá me dizer: acho que você inverteu os presságios bíblicos. E eu direi: mas você realmente acha que, se dependesse de DAVID COVERDALE, existiriam mais homens além dele no mundo?

A proposta da canção "She’s a Woman", que encerra a versão original de "Ready an’ Willing" é dizer diretamente que a mulher é o motivo pelo qual todos nós, homens, existimos. Ela é o início, o meio, e, o fim de todos nós. Ela é a mãe que nos gera, a esposa que nos recebe e a morte que nos leva para além da eternidade. Ela tem tudo que nós precisamos em um simples sorriso, e, em um doce caminhar sobre botas.

Com esta simplicidade, a banda uniu-se para tocar de maneira descontraída e com um belo riff de guitarra e uma entrada colossal de bateria a canção composta por COVERDALE/MARSDEN.

Lembra, em alguns momentos, algo que o LED ZEPPELIN poderia ter feito, alguns poderão me dizer. Mas eu prefiro acreditar que esta canção é única por si só, pois, muito embora no rock muitas canções se assemelhem entre si, o fato é cada uma possui uma identidade muito particular.

"She got everything I need
She makes me smile, she makes me bleed
'Cos she's a woman
She got the end, she got the means
She's in my heart and in my dreams
An' it makes me cry I wanna make her mine
She ain't black, but, she got soul
She ain't young, she ain't old
She shine like silver, burn like gold
'Cos she's a woman, she's a woman
She got everything I need
She got comfort, she got speed
She's a woman, she's a woman
She do me bad, she do me good
She got the gypsy in her blood
Cos' she's a woman, she's a woman
She ain't black, but, she got soul
She ain't young, she ain't old
Shine like silver, burn like gold
She's a woman, she's a woman
She got a fire in her eyes,
I know she sees through all my lies
'Cos she's a woman, she's a woman
I know I'm the danger zone
If I leave her all alone
'Cos she's a woman, she's a woman"

A letra sugere os prazeres, os riscos e a maravilhosa arte que consiste em mergulhar dentro do coração de uma mulher. Mas, falando em riscos, alguém acha que, em plena década de 80, DAVID COVERDALE e sua trupe tinham medo de aventurar-se nas alegorias do amor e do desejo?

Aqui vamos nós, com a lascívia direta de "She’s a Woman".

X – Aluga-se um Coração

Termina aqui, a resenha de "Ready an’ Willing". A meu ver, um dos mais perfeitos discos da história do rock. Belo do início ao fim. Em 2006, ele ganhou uma edição remasterizada com a inédita "Love For Sale" e mais alguns registros "ao vivo" de clássicos de outros álbuns. Mas, preferi manter-me fiel à leitura do registro original, e, trazer um pouco desta maravilha aos amigos e amigas que gostam de ler e acompanhar resenhas das bandas que amamos.

A formação, como eu disse, é clássica. Nela, temos:

• David Coverdale – vocal
• Micky Moody - guitarras
• Bernie Marsden – guitarras, vocal de apoio
• Jon Lord - teclados
• Neil Murray – baixo
• Ian Paice – bateria

O que dizer mais sobre este trabalho? O matemático PITÁGORAS costumava dizer em uma de suas célebres frases, que "A melhor maneira que o homem dispõe para se aperfeiçoar, é aproximar-se de Deus". Acredito que a divindade, no sentido musical, esteve presente naqueles dias que existiram entre os meses de dezembro de 1979 e fevereiro de 1980, quando foram gravadas e impulsionadas estas nove canções.

Para muitos, nada que é dourado permanece. A luz um dia alcança o seu maior brilho, mas, assim como a rosa, que, durante seu máximo desabrochar, precisa morrer, toda luz um dia precisa se apagar. No caso do WHITESNAKE, eu penso que esta luz enfrentou alguns altos e baixos, mas, permanece acesa em nossos corações, e, a gravar mais e mais discos, agora com nova formação e novo guitarrista.

E o coração? Ah...o coração de COVERDALE continua inteiro e em busca de novos horizontes musicais, sempre.

Afinal, a serpente está presente desde os princípios da criação do mundo. Quem ousará permitir que ela se vá antes do último suspiro da humanidade?

Um grande abraço a todos.


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Sobre Ronaldo Celoto

Natural do Estado de São Paulo, é escritor, professor, poeta e consultor em direito, política e gestão pública. Bacharel em Direito, com Mestrado em Ciência Política, atualmente cursa Doutorado em Direito, Justiça e Cidadania pela Universidade de Coimbra. Além destas atividades, dedica diariamente parte de seu tempo à pesquisa e produção de artigos científicos, contos, romances, matérias jornalísticas, biografias e resenhas. Seus interesses pessoais são: cinema, política, jornalismo, literatura, sociologia das resistências, ética, direitos humanos e música.

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