Sukekiyo: Álbum sombrio e com muita personalidade

Resenha - Immortalis - sukekiyo

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Por Victor de Andrade Lopes, Fonte: Sinfonia de Ideias
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Talvez o membro mais popular do quinteto japonês de rock/metal Dir en grey, Kyo não é bem aquele frontman simpático e alegre que sai pulando e sorrindo pelo palco. Até pouco tempo atrás, os shows da banda eram marcados por seus atos de automutilação. Maquiagem corporal simulando queimaduras e esqueletos também não eram incomuns. Hoje, suas performances são um pouco mais leves, mas nem por isso menos sombrias.

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Era de se esperar, portanto, que um lançamento solo de Kyo fosse um trabalho de bastante personalidade. Quem é fã de Dir en grey certamente simpatizará com Immortalis, primeiro lançamento solo do sukekiyo, banda liderada por ele e que conta ainda com Takumi (ex-Rentrer en Soi) na guitarra/piano, Mika (ex-Rentrer en Soi) na bateria, Uta (ex-9Goats Black Out) na segunda guitarra e Yuchi (Kannivalism) no baixo. O som é bastante influenciado pelos últimos dois álbuns da banda principal do vocalista: sombrio, melancólico e "deprê". Mas sem muito peso - as guitarras, tímidas, não demonstram agressividade na maior parte das faixas. É como se Kyo, que já lançou livros de poesia, quisesse apenas criar uma atmosfera sonora para suas sempre criativas letras.

Uma atmosfera bem difícil de se classificar, diga-se de passagem, tal como é o som do Dir en grey. Para esses momentos de dificuldade, sobram sempre os rótulos fáceis como "rock/metal alternativo".

Mas há algumas músicas mais "encorpadas" também. "Latour", "Nine Melted Fiction" e "Hidden One" são exemplos. O time de instrumentistas, desconhecido para quem acompanha só de longe a cena japonesa do rock/metal, demonstrou competência e técnica para dar sustentação sonora à proposta do vocalista. São linhas "sérias", sombrias, misteriosas.

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Mas não foi apenas nas letras que Kyo demonstrou capacidade aqui. Quem acompanha o Dir en grey sabe bem que Kyo é um sujeito tecnicamente habilidoso. Do gutural aos agudos, passando por sussurros tenebrosos, gritos agoniantes e rosnados raivosos, o japonês aproveita o espaço que é só seu para mostrar por que tem tantos fãs por aí.

Não chega a ser uma obra prima da música nipônica, mas sem sombra de dúvidas um trabalho bastante pessoal e marcante. É a primeira vez que um membro do Dir en grey se aventura num projeto solo, e se alguém tinha alguma dúvida da eficácia desta manobra, Kyo acaba de saná-la. Qualquer tentativa de se criar um segundo disco do sukekiyo será bem-vinda agora que já sabemos que o projeto tem brilho próprio.

Abaixo, o vídeo de "Afetrmath":

Track-list:
1- "Elisabeth Addict"
2- "Destrudo"
3- "Latour"
4- "Nine Melted Fiction"
5- Zephyr"
6- "Hidden One"
7- "Aftermath"
8- "Uyuu no Sora"
9- "The Daemon's Cutlery"
10- "Scars Like Velvet"
11- "Mama"
12- "Vandal"
13- "Hemimetabolism"
14- "Kugui"
15- "Madara Ningen"
16- "In All Weathers"




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Sobre Victor de Andrade Lopes

Victor de Andrade Lopes é jornalista (Mtb 77507/SP) formado pela PUC-SP com extensões em Introdução à História da Música e Arte Como Interpretação do Brasil, ambas pela FESPSP, e estudante de Sistemas para Internet na FATEC de Carapicuíba, onde mora. É também membro do Grupo de Usuários Wikimedia no Brasil e responsável pelo blog Sinfonia de Ideias. Apaixonado por livros, ciências, cultura pop, games, viagens, ufologia, e, é claro, música: rock, metal, pop, dance, folk, erudito e todos os derivados e misturas. Toca piano e teclado nas horas livres.

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